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16 ago

UMA VIAGEM NO REINO DOS MITOS SEMIÓTICOS

POR Agnaldo Rodrigues da Silva* 4 MIN

16 ago

4 Min

UMA VIAGEM NO REINO DOS MITOS SEMIÓTICOS

POR Agnaldo Rodrigues da Silva*

	

A CRIAÇÃO POÉTICA DE MARCIO AQUILES

Pela linguagem é possível alcançar infinitos mundos. Essa capacidade que o sujeito tem de expressar seus pensamentos, ideias, emoções, sentimentos e de se relacionar com o outro e com o mundo está intimamente ligada aos fenômenos da linguagem. A comunicação e a interação atestam o poder da linguagem, manifestações dinamizadoras das relações sociais, culturais e políticas das sociedades, ao longo de tantos séculos. Abrir mão dessas possibilidades inerentes à linguagem significaria lançar o sujeito ao esvaziamento de si mesmo, restringindo-lhe a expectativa de seu desenvolvimento. A criação literária por meio da linguagem abre um leque de possibilidades para representar não só o mundo real, mas também o imaginário. A linguagem do histórico e do fictício, da realidade e do onírico, do mito e da poesia é apenas uma das possibilidades da longa viagem que o ser humano realiza por meio da língua.

Promover a odisseia da linguagem no reino dos mitos semióticos é, com certeza, um desafio, considerando a riqueza dos mitos e suas funcionalidades em tempos e espaços distintos. A odisseia da linguagem pode ser compreendia como uma metáfora capaz de mostrar os diversos caminhos para os quais os mitos semióticos podem levar o leitor. Nessa perspectiva, os poemas de Marcio Aquiles trazem forte carga simbólica que, ao mesmo tempo em que congregam mitos, quebram as barreiras do tempo, fazendo-os significar no momento em que eles são pronunciados, ditos, falados, lidos. O mito é uma fala, assim afirmou Roland Barthes em Mitologias, pois, o seu significado pressupõe o aqui e agora de quem revive a sua essência.

Ao mesmo tempo em que a linguagem movimenta-se no reino dos mitos, recuperando e atribuindo novos sentidos, o poeta embala-se em uma viagem pelas mitologias, demonstrando a pluralidade cultural e a influência dos signos na formação identitária dos povos. O sujeito lírico dos poemas desafia o mundo linguístico que, na tentativa de explicar a essência do mito, poetiza, já que o mundo circular da poesia é o único capaz de apreender uma essência e traduzi-la em imagens harmoniosamente conjugadas. Tal circularidade é o vetor de significados, potencializando sentidos, como uma célula pronta a explodir e se expandir pelo espaço, a exemplo do Big Bang. Desse modo, os sentidos tornam-se plurais, transpondo o tempo e o espaço, ratificando aquilo que Manoel de Barros definiu: “Poesia é voar fora da asa”. Os poemas de Marcio Aquiles estão impregnados dessa poesia e, a cada verso lido, o leitor voa para mundos infinitos.

“A Odisseia da Linguagem no Reino dos Mitos Semióticos” é um livro profundo, pois sua matéria toca a alma humana, levando o leitor a questionar as convenções sociais e as relações de poder. Os temas compreendidos nos mitos agregam valores que, gradativamente, culminam em aprendizagens, impondo desafios ao homem fragmentado da pós-modernidade. Por isso, adentrar no reino dos mitos semióticos é uma aventura enriquecedora, uma vez que a linguagem é o guia nessa viagem. O leitor, com certeza, sairá de sua zona de conforto para trilhar os caminhos que o levará à compreensão de si e do mundo em que vive.

 

SERVIÇO:

A Odisseia da Linguagem no Reino dos Mitos Semióticos
Marcio Aquiles
Editora Primata, 2020, R$ 35

*Agnaldo Rodrigues da Silva é escritor, crítico e ensaísta. Autor dos livros de ficção: A penumbra (2004), Mente Insana (2008), Dose de Cicuta (2010) e Baú e Pecados (2020). Na crítica literária e teatral, escreveu: Projeção de mitos e construção histórica no teatro trágico (2008), Teatro Mato-Grossense – história, crítica e textos (2010), Entre Letras e Memórias (2014), entre outros.

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