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So Colorful

Ela abriu mão da carreira de Marketing em uma multinacional para perseguir seu sonho em Londres. De férias no Brasil, a cantora Mi Sileci lança seu segundo single e conta à TOP sua história. Vem saber

POR @MelissaLenz 5 MIN

22 jul

5 Min

So Colorful

POR @MelissaLenz

	

“Eu nunca me considerei uma artista, até apresentar minha primeira música autoral, (Station to Station) com uma banda completa. Esse dia vai ficar para sempre na minha memória”, conta Mirella (“Mi”) Sileci, 27. Formada em Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, há dois anos a paulistana – “fã devota de Taylor Swift – abriu mão de seu trabalho em uma multinacional, em São Paulo, para se dedicar à carreira musical, em Londres – “Deu medo mas não tenho dúvidas de que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado”, afirma.

De férias no Brasil, a cantora aproveitou para lançar Colorful, seu novo single com vídeo feito por ela mesma no PowerPoint: “Com o corte total da verba do projeto, por conta da pandemia, decidi fazer o vídeo de Colorful sozinha mesmo. Então fui procurando algumas referências de artistas que eu gosto e vendo quais eram as minhas limitações no programa. Então, fui criando, quanto mais eu ouvia a música ficando pronta, mais criativa eu me sentia”, conta. Confira a entrevista na íntegra:

A cantora Mi Sileci

TOP – Sua experiência musical começou pelo Blues. Poderia contar um pouco sobre essa passagem da sua vida?

Mi Sileci – Como a música era um assunto tabu na minha família, sempre guardei esse meu lado numa gavetinha. Quando ainda trabalhava no marketing de uma empresa super formal, uma amiga comentou de uma banda de Rock  & Blues, chamada Five Dollar Shot, que estava procurando por uma vocalista. Fui fazer a audição e acabei me juntando a eles, que eram 6 homens, da idade dos meus pais, super bem-sucedidos no mundo empresarial e que tinham a música como hobby e paixão. Pensei que eu pudesse seguir esse mesmo caminho: construir uma carreira formal e curtir a música ao mesmo tempo, assim, eu seria feliz sem decepcionar meus pais haha. Mas quando entrei no estúdio pela primeira vez, vi um alerta do tamanho daquela sala. A única coisa que eu ouvia era: é isso que quero fazer da minha vida.

TOP – O que o Blues representa para você?

Mi Sileci – O blues pra mim foi uma porta de entrada. Quando entrei na banda, meu conhecimento era quase nulo, mas os meninos, sempre muito pacientes, me apresentaram esse novo mundo e me senti uma verdadeira privilegiada pelo meu primeiro contato com a música (no âmbito mais profissional) ser justamente com um estilo tão forte como o Blues. Apesar de o meu estilo pessoal ser outro, não tenho dúvidas de que essas raízes ainda se manifestam nas minhas composições.

TOP – Quando se deu conta que tinha o talento para a música?

Mi Sileci – Eu demorei muito para enxergar qualquer talento musical em mim mesma. Comecei a tocar violão relativamente tarde, com 18 anos, e cantar não era nem uma possibilidade. A primeira vez que percebi que talvez pudesse ser diferente, foi na casa de uma das minhas melhores amigas, a Ciça. Foi ela que me ensinou meus primeiros acordes, no violão do irmão dela, e a mãe dela foi a primeira pessoa a comentar que achava minha voz muito bonita. Acho que foi nesse dia que me ouvi pela primeira vez.

TOP – Em quem você se espelhava? E hoje?

Mi Sileci – Quando eu era bem pequena, minha mãe já cantava Rita Lee pelos cantos da casa, então, eu me espelhava muito nela e na força que ela sempre teve. Hoje, minhas inspirações têm um pouco de Rita, Etta James e sempre fui influenciada pela Taylor Swift e Ed Sheeran, meus maiores ídolos. E assim vou criando o meu próprio som.

TOP – Por onde você começa a compor? Letras, melodias? Violão? Você sempre compõe em inglês ou tem alguma em português? Quantas músicas escreveu até hoje?

Mi Sileci – Esse meu processo de composição varia bem… Se eu já tenho um tópico em mente, eu já saio escrevendo a letra e depois encaixo uma melodia. Se eu estou inspirada, mas sem algo específico pra falar, eu fico dedilhando no violão, cantarolando uma melodia, até que as palavras saiam naturalmente. As vezes em inglês, as vezes em português. Como eu comecei a escrever já morando em Londres, quando ainda estava no meu curso de música, a maioria das minhas músicas ainda são em inglês, mas cada vez mais eu me sinto confortável pra me expressar em português. Tenho inclusive uma música que mistura os dois idiomas, onde eu protesto contra o estereótipo que persegue as mulheres brasileiras mundo afora. Esse assunto sempre me revolta. Quanto ao número de músicas, eu diria que tenho centenas de meias músicas e por volta de 30 finalizadas rsrs um conselho: nunca deixe uma música pela metade… é um vício.

TOP – Como define seu som hoje?

Mi Sileci – Por conta dessas diferentes influências que eu tive (e ainda tenho) no desenvolvimento dessa minha nova identidade, meu som acaba variando entre o folk, o pop e algumas pontinhas de blues e rock!

TOP – De que forma a pandemia alterou os seus projetos? E o que ela trouxe de bom a você?

Mi Sileci – A pandemia foi um grande baque para todos, e eu com certeza não fui exceção. Acho que ninguém esperava que ela fosse ficar por tanto tempo. Depois de muito trabalho, eu consegui um grande parceiro que iria apoiar financeiramente um projeto bem bacana para me lançar de fato no mercado musical. Com toda essa crise, esses planos foram inteiramente congelados, o que resultou num budget infinitamente menor, inviabilizando o que eu tinha em mente. Mas esse mesmo parceiro, hoje um grande amigo, me disse que “desistir não é um plano” e isso segue ecoando na minha cabeça. Eu fiz tudo o que eu faria antes, mas com quase nenhum custo. Ao invés de uma grande agência, eu mesma fiz meu planejamento de promoção. No lugar do maior estúdio do país, criei uma nova parceria com a Family Music, um estúdio menor, mas com a mesma eficiência. Ao invés de um dos melhores designers gráficos do mercado, fiz meu próprio Lyric Video no PowerPoint. Meus pais sempre me falaram que o que não tem remédio, remediado está… Colorful foi inteiramente feita com o apoio da minha família, grandes amigos e minha comunidade das redes sociais. Quando se tem esse tipo de suporte, o dinheiro passa a ser um “plus”.

 

TOP – Na última sexta (17 de julho) você lançou o lyric vídeo de Colorful. Poderia contar um pouco sobre esse projeto todo?

Mi Sileci – Por mais estranho que isso soe, eu sempre gostei muito de mexer com PowerPoint. Como sou muito curiosa, acabei aprendendo a me expressar com as animações do programa e já tinha feito alguns vídeos por lá. Com o corte total da verba do projeto, por conta da pandemia, eu decidi fazer o vídeo de Colorful sozinha mesmo. Então fui procurando algumas referências de artistas que eu gosto e vendo quais eram as minhas limitações no programa. Então, fui criando, quanto mais eu ouvia a música ficando pronta, mais criativa eu me sentia. Como fã devota de Taylor Swift, coloquei até algumas mensagens e rostos escondidos no vídeo haha E depois de longos 40 dias… ficou pronto. Acho que toda essa jornada me deixou ainda mais orgulhosa do resultado final.

TOP – Por que quis mudar para Londres? O que você teve que deixar para trás?

Mi Sileci – Essa decisão foi, sem dúvida, a maior da minha vida até hoje. Eu estava bem colocada numa multinacional, na minha área de formação, o Marketing. Como eu já estava na banda e vivia divagando sobre uma vida na música, percebi que não estava 100% dedicada a nenhum dos lados. Era hora de escolher um caminho. Depois de muita conversa com meus pais e meu irmão, decidimos juntos que eu deveria tentar. E se fosse pra tentar, que fosse da melhor forma. Pedir demissão deu medo, me mudar pra Londres sem conhecer absolutamente ninguém, deu medo, ser a única pessoa na minha sala sem nunca ter estudado música, deu medo. Mas eu tenho muita fé e não tenho dúvidas de que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado.

TOP – Como está sua vida / rotina lá? Você toca nos bares? Se apresenta para o público?

Mi Sileci – Antes da pandemia, eu tocava em pubs até 3 vezes por semana e tinha meus próprios shows, além de fazer parte de outras 3 bandas como backing vocal. Eu e minha baixista e flatmate, Manon, também organizávamos nosso próprio Open Mic Night, uma vez ao mês. Volto pra Londres daqui a 10 dias e sei que as coisas vão estar bem diferentes, mas eu não poderia estar mais empolgada para essa nova fase.

TOP – Como foi a experiência de cursar Popular Music Performance na BIMM London? Você percebe que melhorou ou sempre se considerou uma artista?

Mi Sileci – Eu me formei na BIMM um ano atrás. No curso de Popular Music Performance eu tive aulas não só de técnica vocal e apresentação, mas também sobre como a indústria funciona, embasamento teórico e gerenciamento de carreira. A BIMM construiu meu lado artístico, que antes simplesmente não existia. Eu nunca me considerei uma artista, até eu apresentar minha primeira música autoral, Station to Station, com uma banda completa. Esse dia vai ficar para sempre na minha memória.

TOP – O que a cultura londrina tem agregado a você como artista?

Mi Sileci – Honestamente falando, acho que a cultura inglesa em geral valoriza muito o artista. Eu me sinto reconhecida e até admirada toda vez que eu me apresento ou só menciono que sou cantora. Essa mudança radical de carreira trouxe um medo muito grande de julgamento que foi simplesmente neutralizado quando eu me mudei pra Londres.

TOP – Alguns artistas (como Leo Chaves, Junno Andrade, Luigi Baricelli, Fabiano Menotti) têm compartilhado seu som nas redes sociais. Como tem sido sua troca artística nesse meio musical? Gostaria de ver alguém especial cantando uma música sua – ou com você?

Mi Sileci – O dia de lançamento de Colorful foi muito especial pra mim. Ver pessoas que eu vi em todos os lugares a vida toda, falando de *mim* e da *minha* música… é surreal até agora. Leo Chaves e Fabiano Menotti são artistas impecáveis e fazer um dueto com um deles, seria um sonho. Como eu disse, a Rita Lee é uma das minhas maiores referências na música brasileira e se ela um dia simplesmente ouvisse uma música minha, não só eu ficaria fora de mim, mas talvez minha mãe não aguentasse receber essa informação hahaha e no mercado internacional, sempre brinco (mas na verdade não é brincadeira) que eu vou me lançar fora do Brasil abrindo os shows do Ed Sheeran. #EsseDiaVaiChegar

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TOP – O que quer levar para as pessoas por meio da sua música?

Mi Sileci – Quero levar um pouco do que a música sempre me trouxe. Uma dança desengonçada quando você acorda animada, uma tranquilidade com uma melodia mais calma, e gostaria muito de poder levar uma reflexão com algumas das minhas letras, que falam de assuntos que eu considero tão importantes e fortes, como a independência da mulher, a saúde mental e o amor próprio.

TOP – Aonde você quer chegar com a sua carreira musical?

Mi Sileci – Meu objetivo com tudo isso é ganhar influência. Eu sempre achei mágico o fato de pessoas que não sabem nem que eu existo tiveram o poder de mudar o meu dia e influenciaram em grandes decisões da minha vida. É isso que eu quero pra mim. Quero chegar a um nível onde as pessoas possam enxergar a minha fé e contar comigo e com a minha música para se inspirarem a irem atrás do sonho delas. Eu tenho um alcance tão pequeno hoje e já recebo mensagens desse tipo. Quando amplifico tudo isso, meu olho brilha. Eu vou chegar lá.

TOP – Quais os próximos passos até o final de 2020?

Mi Sileci – Essa crise deixa tudo um pouco nebuloso, mas se Deus quiser, ainda vou lançar outras duas músicas este ano, volto pra Londres e passo a desenvolver minha carreira nos dois mercados. Percebo nas redes sociais como é legal eu poder me expressar das duas formas e acabar recebendo apoio desses dois lados.

 

TOP – Mi Sileci em três palavras?

Mi Sileci – Fé (que é o meu propósito), determinação (que vai me levar até onde eu quero) e entusiasmo (que deixa tudo mais leve).

Ouça Mi Sileci no Spotify:

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