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Silêncio, Por Favor!

TOP foi a Nova York entrevistar o casal de estrelas Emily Blunt e John Krasinski. Eles contaram tudo sobre o novo suspense Um Lugar Silencioso - Parte II, que será lançado em 03 de setembro pela Paramount Pictures e promete eletrizar o mundo nos cinemas

POR Melissa Lenz, de Nova York 10 MIN

24 jun

10 Min

Silêncio, Por Favor!

POR Melissa Lenz, de Nova York

	

“Devemos falar baixinho, Emily?”, ela hesita por alguns segundos e abre um sorriso: “Não, estamos bem seguras aqui”. A razão da minha pergunta feita à estrela de Hollywood Emily Blunt, 37 — em uma espaçosa suíte de hotel, em Nova York —, foi de quem viu sua calada e impressionante atuação em Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018). No filme — que lhe rendeu um SAG Awards pelo papel de Evelyn Abbott —, ela e a família se veem obrigados a viver em silêncio absoluto para escaparem de criaturas atraídas pelo som. Coestrelado e dirigido pelo astro John Krasinski, 40 —  seu marido na ficção e na vida real —, Um Lugar Silencioso não apenas atingiu a segunda maior bilheteria daquele ano nos Estados Unidos, como virou um hit entre os filmes de terror pós-apocalíptico. Não demorou para a Paramout Pictures anunciar sua tão aguardada sequência, Um Lugar Silencioso – Parte II (A Quiet Place II) — com  estreia prevista para 03 de setembro nos cinemas.


“Mal consigo acreditar que estamos aqui com o segundo filme”, comemora Emily. Após conquistar a indústria cinematográfica em filmes como O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006), A Jovem Rainha Vitória (The Young Victoria, 2019), Sicario: Terra de Ninguém (Sicario, 2015), A Garota do Trem (The Girl on the Train, 2016) e O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns, 2018), a atriz britânica-americana conta que pediu a John para ser escalada em Um Lugar Silencioso assim que leu o roteiro em um avião. “Evelyn é muito poderosa, tem instintos maternos profundos aos quais acho que posso corresponder. O que ela experimenta como personagem seria o meu pior pesadelo como pessoa”, confidencia a mãe de Hazel, 6, e Violet, 3.

Meia hora depois, na suíte ao lado, o diretor e pai de suas filhas, John Krasinski (Jack Ryan e The Office), se rasga em elogios para a nossa musa: “Emily é a melhor atriz que existe. Quando você vê pessoalmente o poder que ela tem, a complexidade que coloca por trás de seus personagens, percebe que é uma atriz tão boa como você nunca viu antes”. Sobre sua relação particular com Um Lugar Silencioso – Partes 1 e 2: “Esses dois filmes são muito pessoais. Por mais louco que pareça, o primeiro era uma carta de amor para as minhas filhas, sobre tudo o que sinto por ser pai. E o segundo é mais ou menos a respeito do que sinto sobre elas um dia terem que crescer e ficar por conta própria, seja na faculdade, casamento ou em qualquer outro momento”.

Confira as entrevistas com o casal de estrelas (ou “de ouro”) Emily Blunt e John Krasinski na íntegra, com exclusividade para TOP Magazine:

Emily, vendo seus filmes, percebemos tantas faces diferentes e quão intensa você consegue ser em cada um dos personagens. Existe algum tipo de persona que mais lhe atrai viver no cinema?

Emily Blunt – É simplesmente complicado. Quero interpretar uma personagem que tenha complexidade, seja pela situação em que se encontre ou quem é ela como pessoa. Ninguém é apenas uma coisa, ninguém é linear. Todos temos nossas próprias idiossincrasias, traços e nuances, então só quero interpretar alguém que seja completo em qualquer forma que venha, qualquer personalidade. A personagem só tem que ser bem real para mim e preciso me sentir desafiada por ela.

Quanto tem de você na personagem Evelyn Abbott (Um Lugar Silencioso) e o que você mais gosta nela?

EB – Acho muito poderosa. Ela tem profundos instintos maternos aos quais acredito que posso corresponder. Os esforços que faria para proteger seus filhos me parecem bem familiares. Então é uma parte muito pessoal, porque sinto que o que Evelyn experimenta como personagem seria o meu pior pesadelo como pessoa.

Em que momento você se encontra dois anos depois, com a segunda parte dessa história?

EB – Sabe, às vezes mal consigo acreditar que estamos aqui com este novo filme. O primeiro teve uma reação tão surpreendente e as pessoas adoraram! E teve aquela vida meteórica inacreditável que pensamos que era aquilo: o capítulo estava encerrado e aquela parte da jornada concluída. E então, quanto mais conversamos a respeito e percebemos o investimento das pessoas nesse novo projeto que veio de uma incrível ideia do John, acho que nenhum de nós consegue acreditar que estamos aqui com a segunda parte desta jornada.

Como é revisitar essa história em Um Lugar Silencioso – Parte II?

EB – Maravilhoso, pois é um mundo no qual você pode expandir, tão rico com tanta coisa para explorar que estou emocionada por John ter encontrado um caminho tão ambicioso, desafiador e empolgante como do primeiro filme.

O que foi mais desafiador nessa sequência?

EB – Humm… Correr por minha vida, eu diria! Há muita corrida neste filme, foi bastante físico!

Você teve um problema de gagueira na infância. Como a arte a ajudou a superá-la?

EB – Hum… (pensativa) O que frequentemente acontece com uma criança gaga é que enquanto ela está atuando, fala fluentemente, sem gaguejar, como se se livrasse daquilo. Então, diria que essa foi a minha primeira experiência: aos 12 anos, fiz uma aula de teatro e falei fluentemente na atuação. E para mim foi surpreendente que pudesse falar assim. Esse é o caso de muitas pessoas que sei que gaguejam, mas quando participam de uma aula ou de uma peça de teatro, tendem a falar facilmente.

Qual é a sua mais antiga memória de quando queria se tornar atriz?

EB – Bem, não sei se tive um desejo profundo de ser atriz. Acho que caí nessa carreira quase que de paraquedas.Participei de uma classe de teatro que foi a um festival, um agente me viu e disse: “Você quer tentar?” Na verdade, eu não tinha a intenção de ser atriz, mas desde então me apaixonei por isso, e obviamente amo o que faço. Mas não me lembro de ter sentido essa paixão na minha infância. Eu a desenvolvi depois, quando comecei a atuar.

Em sua primeira atuação profissional (Família Real), você dividiu o palco com Judy Dench… O que aprendeu com ela?

EB – Sim, eu tinha 18 anos. Oh, meu Deus, aprendi tudo com ela! Porque Judy não é apenas brilhante, completamente real e sutil, ela é a pessoa mais legal do mundo! É tão calorosa, amorosa, inclusiva e divertida que me fez perceber que você não precisa viver em estado de tortura para ser atriz, sabe? Acho que aprendi isso com ela.

Cinco anos depois, você teve a oportunidade de trabalhar com Meryl Streep pela primeira vez, em O Diabo Veste Prada. Tem algum conselho, uma lembrança dela que você leva pra vida?

EB – Eu já trabalhei com Meryl algumas vezes, e sinto que, de certa forma, ela sempre esteve lá para mim nessa indústria. Ela é como uma amiga agora, adoro vê-la, estar perto dela. Ela é muito sábia, profundamente inteligente e engraçada pra valer! Então, realmente gosto de estar estar com ela, de ouvi-la e de compartilhar histórias. Eu meio que cresci nessa indústria com Meryl lá… A última coisa que fiz foi Mary Poppins (também com Meryl Streep), e isso foi há alguns anos… Então nos conhecemos há 14 anos! Ela é realmente adorável! E é a pessoa com quem mais trabalhei. Quão sortuda sou eu?! (sorri).

Você se lembra do que fazia quando leu os dois roteiros de Um Lugar Silencioso 1 e 2 pela primeira vez?

EB – Lembro-me que li o primeiro roteiro em um avião e disse a John que queria estar nele, caso quisesse me escalar. Foi uma conversa divertida! O segundo também foi em um avião, ele me deixou ir lendo os próximos capítulos em etapas.

Soube que naquela dramática cena do parto na banheira em Um Lugar Silencioso você praticamente não foi dirigida. Teve outro momento como esse na Parte II?

EB – Acho que não, porque John também sabe quais as cenas que serão mais livres. Se é uma profundamente emocional, ele sabe exatamente quando recuar e não dirigir demais ou mesmo ditar o que deve ser feito. Como também é ator, ele entende que precisamos de espaço e sentir que o diretor confia na gente. Portanto, no segundo filme não tivemos nada tão específico como aquela cena do parto, que é uma experiência muito particular para mulheres. Se um diretor homem dissesse “talvez tente isso…”, você ficaria tipo “cale a boca!” (risos).

Como é John Krasinski como diretor?

EB – Ele é como uma força da natureza. Realmente apaixonado, um verdadeiro líder, e sinto que às vezes é capaz meio que de mover montanhas! Ele tem essa qualidade de contagiar as pessoas, é muito persuasivo. E acho que é muito ambicioso tanto como diretor quanto como pessoa. Ele gosta de se desafiar, de ver o que é possível. É bastante raro encontrar alguém tão visual e corajoso como ele. E é muito bom com atores, porque também é um… John realmente entende como os atores funcionam e do que eles precisam.

Você disse em uma entrevista que seu casamento se fortificou durante a produção de Um Lugar Silencioso, ao contrário do que algumas pessoas imaginavam (risos). O que diria sobre a Parte 2?

EB – Acho que seguimos esses passos com muito mais facilidade no segundo porque já fizemos isso antes e aprendemos o quão bem colaboramos. Trabalharmos juntos neste filme foi mais uma emoção do que uma novidade. Nós realmente entendemos o que faz o outro funcionar quando se trata de estarmos juntos no set.

John e Emily no set de A Quiet Place

Você e John já foram apelidados pelo público de “o casal de ouro de Hollywood”. O que você acha disso?

EB – Eu não sei… “Que legal!” Não sei o que dizer sobre isso… (risos)

Soube que você tem vontade de visitar o Brasil…

EB – Eu adoraria! Realmente amaria ir e não sei o que esperar! Eu viveria para ir ao Rio, e adoraria ir à praia no Brasil, quero dizer… Você teria que me dizer para onde eu devo ir…

Já tem algum plano em vista?

EB – Espero ir para o Jungle Cruise (próximo filme estrelado por ela — estreia 23 de julho nos cinemas), porque fica na Amazônia, então seria legal! Vamos ver se conseguimos levá-lo para o Brasil!

TOP entrevista o cineasta e ator John Krasinski

 

John Krasinski

John, você chegou a imaginar que Um Lugar Silencioso faria tanto sucesso?

John Krasinski – Não, não acho que poderia prever isso de jeito nenhum. Surpreso é um eufemismo, fiquei totalmente impressionado com a reação do público. Não apenas pelo sucesso que fez, acho que emocionalmente foi o filme mais importante para mim e as pessoas meio que enxergaram essa metáfora da paternidade e viram como uma trama emocional. Meu elogio favorito é “eu nunca assisto a filmes de terror, mas vi o seu e adorei”, é o melhor possível para ouvir das pessoas.

Você via filmes de terror na infância?

JK – Nada desse tipo. Eu era muito apavorado para assisti-los quando criança. Acho que os mais próximos que vi foram Tubarão, Alien, O Bebê de Rosemary, e os clássicos retrôs, como qualquer um do Hitchcock. Esses foram os que mais prestei atenção na abordagem de como faria a direção.

Como surgiu a ideia de fazer essa sequência?

JK – Ela veio porque tudo fluiu de forma muito orgânica — foi bom —, e acho que no final do dia, o estúdio (Paramount) certamente queria um segundo filme porque o primeiro foi bem. Mas eu não queria participar, porque não tinha uma ideia na época. Eu não queria ser visto como um caça-níqueis, ou na manipulação da indústria. Eu era tão respeitoso com o público e tão apreciativo com sua resposta que precisava encontrar uma ideia que merecesse esse respeito. Então surgiu assim que comecei a ter essa pequena ideia de continuar a metáfora do primeiro filme,  sobre a promessa que você faz aos seus filhos de que “se você ficar comigo, tudo estará seguro, eu posso mantê-lo seguro” — que será inevitavelmente quebrada por todos os pais. E assim, o segundo filme é sobre crescer, uma vez que você perdeu o pai e a promessa de mantê-lo seguro foi quebrada, essas crianças precisam crescer e sobreviver no mundo sozinhas.

Você também atua na parte 2?

JK – Você terá que ver! (risos)

O que foi mais desafiador nele?

JK – Do ponto de vista da direção, o segundo é muito maior de uma maneira que parece orgânica para a história, é literalmente que a família precisa sair da fazenda. Eles não apenas estão mundo afora, mas nada mais é seguro, a ameaça é muito mais real e sempre presente. E a dificuldade de dirigir eram os cenários maiores. Portanto, há muito mais ação a ser tomada, porque eles não têm a segurança de sua casa para se refugiar e vão a lugares muito maiores, para vários cenários diferentes.

Qual era o clima nos bastidores das filmagens?

JK – Não era exatamente um cenário de humor, é um filme bastante intenso, mas era bem inofensivo, éramos todos realmente bons amigos. Acho que Cillian Murphy (Emmett) foi uma das melhores experiências que tive em minha carreira, uma das pessoas mais talentosas e mais legais com quem já trabalhei. Ele tinha tanto respeito e gostou tanto do primeiro filme que acho que, na verdade, estava um pouco nervoso para começar. Por isso era muito importante fazer com que ele se sentisse parte da família, o que ele se tornou automaticamente. Foi emocionante. E acho que nos bastidores somos uma família íntima, então realmente não estávamos  saindo e nos enfurecendo à noite, ou algo assim. Era tudo sobre apenas estarmos juntos, estarmos no set.

Como ator, diretor e roteirista, o que este filme significa para você?

JK – Olha, é um grande negócio para mim, no sentido de que não é apenas emocionante fazer parte de uma franquia, mas mais importante do que isso é me sentir muito sortudo por contar histórias que me interessam tanto. Depois dessas duas grandes experiências, será difícil dirigir qualquer coisa pela qual eu não tenha me apaixonado completamente por todo o caminho. Esses dois filmes são muito pessoais. Por mais louco que pareça, o primeiro era uma carta de amor para as minhas filhas, sobre tudo o que sinto por ser pai. E o segundo é mais ou menos a respeito do que sinto sobre elas um dia terem que crescer e ficar por conta própria, seja na faculdade, casamento ou em qualquer outro momento, terão que ficar sozinhas.

Já enfrentou alguma situação mais extrema para protegê-las na vida real?

JK – Não como nosso personagem! Nas coisas do dia a dia sempre tento vigiá-las e protegê-las, e rezo para que nunca seja colocado na situação de protegê-las da maneira que esse personagem faz.

Você disse no programa The Tonight Show que queria se aposentar após ter dirigido sua esposa! (risos) Como foi fazer isso pela segunda vez?

JK – Foi melhor e ainda mais divertido! Acho que estávamos tão nervosos em ver o que aconteceria quando trabalhamos juntos pela primeira vez que, na segunda, a partir do momento que vimos que tudo corria bem, os nervos se foram e nos divertimos muito mais. Emily é a melhor colaboradora que já tive. Ela é escritora, diretora, produtora, tudo em um, o que a torna uma excelente atriz. Ela tem muita consciência não apenas para contar histórias, mas de produção, orçamentos e tudo mais. Também conhece bem a equipe e o que é preciso pra chegar aonde eles estão. Então ela é, definitivamente, a melhor parceira para ter nessa situação e, agora, será triste dirigir um filme sem ela.

Como foi a preparação das cenas com Emily, como a da banheira no primeiro filme?

JK – Todas as cenas, até a cena da banheira, eram uma combinação. Nós tínhamos conversado sobre isso por um longo tempo antes de filmarmos, então fizemos a mesma coisa no segundo. A maioria das nossas conversas aconteceu de forma criativa antes das filmagens, de modo que, quando chegamos ao set, ela sabia tudo o que eu queria fazer e vice-versa. Então ela apenas vem e faz, é assim que ela é como atriz, pronta para entregar imediatamente. Acho que minha parte favorita foi assistir ela e Cillian juntos. Foi um momento realmente emocionante ver aqueles dois atores inacreditáveis juntos em uma cena.

Que tipo de atriz Emily Blunt é?

JK – A melhor que existe. Ela é incrivelmente talentosa. Lembro que, no primeiro filme, eu estava conversando com Rob Marshall, que dirigiu Mary Poppins, e ele perguntou “quando você vai filmar?”, e eu disse “na próxima semana”, e ele “oh, você vai ver só!” E eu: “Não, eu sei, sou o maior fã dela!” Ele disse: “Não, você vai ver!” Eu disse: “Eu sei, eu a amo”, mas ele disse: “Não, não, não, não até que você esteja na sala e a vir fazer o que ela faz, você perceberá porque é um grande fã…” E foi assim que me senti. Acho que quando você vê pessoalmente o poder que ela tem, a complexidade que coloca por trás de seus personagens, percebe que ela é uma atriz tão boa como nunca viu antes.

O filme também é sobre silêncio. Como você se relaciona com as mídias sociais?

JK – Não sei, não sou tão envolvido com isso. Tenho uma conta no Twitter, uma no Instagram e outras coisas que uso bem esporadicamente. Gosto da minha privacidade, sou uma pessoa bem quieta… Mas, definitivamente, esse é um mundo em que muito mais está sendo compartilhado, discutido e penso que ele está se ajustando de acordo.

O que acha do apelido de “casal de ouro” dado a você e Emily pela mídia?

JK – Eu não sei nada sobre ser um casal de ouro. Sei, há muito tempo, que tenho muita sorte de estar casado com ela, que é alguém melhor do que eu jamais poderia sonhar. Mas é mais sobre nossa parceria e amizade, realmente confiamos um no outro implicitamente e, de novo, ter a chance de trabalharmos juntos é muita confiança e diversão.

O que é um bom dia para você, John?

JK – Qualquer um em que eu fique com minha esposa e minhas filhas.

Por que escolheu o nome de Sunday Night (“domingo à noite”) para sua produtora?

JK – Porque quando me mudei para Nova York percebi entre meus amigos que a única coisa que você não consegue fazer quando quer ser ator, escritor e diretor, é atuar, escrever ou dirigir. Você nunca tem a chance de fazer essas coisas porque ou é assistente de alguém, ou barman, ou garçom. Então nos reuníamos todos os domingos à noite e sentávamos em volta de uma mesa para conversar sobre filmes, livros, peças de teatro e tudo o que amamos, e dizíamos que se alguma vez tivéssemos a chance de realizar, faríamos. Foi por isso que nomeei minha empresa como Sunday Night, porque tive essa chance. Tenho a sorte de ter participado de uma série (The Office estreou na TV americana em 2005 e acabou em 2013 com nove temporadas) que me deu a oportunidade de fazera algo. E por isso tento fazer tantas coisas ousadas quanto disse que faria quando mais jovem.

Qual o maior ponto de virada da sua carreira?

JK – Antes de entrar para o The Office eu era garçom, portanto esse foi, certamente, “o” ponto de virada para mim. A partir daí toda a minha vida deu uma guinada e mudou completamente. Devo absolutamente tudo  a esse programa e experiência que me possibilitou todas as oportunidades. Não é apenas um seriado do qual relembro com carinho, mas um grupo de pessoas, uma família e, basicamente, minha escola de cinema – tudo em um.

Que conselho daria para um diretor em início de carreira?

JK – Arrisque muito, acho que essa é a coisa mais importante; estar com medo ou pensar que vai fazer um filme para alguém que não seja você mesmo é um erro. Acho que é preciso acreditar nele de todo o coração e durante todo o percurso. Se fizer um filme que não venha realmente do seu coração, vai soar dessa maneira.

O que aprendeu sobre si mesmo fazendo Um Lugar SilenciosoParte II?

JK – Aprendi muito como cineasta. Era um filme maior e havia mais pressão para concluí-lo. Então trabalhei muito no instinto, algo que como diretor, você não quer perder ou questionar. Tive a sorte de estar em uma situação em que tínhamos um certo orçamento e linha do tempo, e improvisávamos a maior parte dele. Honestamente, foi muito divertido aprender que posso apostar em mim e ter esperanças de que tudo vai acabar bem.

Qual é o papel da arte em um mundo tão dividido?

JK – Acho que sempre foi e sempre será uma parte essencial de qualquer cultura, porque a arte é contar histórias no final do dia;  é uma representação do potencial que as pessoas podem ter, da expressão, da emocionalidade de como elas se comunicam. É a nossa representação de quem somos e de quem queremos ser.

O que tem ouvido sobre o Brasil? Tem vontade de ir?

JK – 1.000%, eu adoraria ir ao Brasil!  Não ouvi nada além de coisas incríveis, não apenas como é bonito, mas a quantidade de eventos culturais e história por lá, eu adoraria vivenciar.

A atriz Emily Blunt e a editora-chefe Melissa Lenz após esta entrevista exclusiva, em Nova York

*A editora-chefe Melissa Lenz viajou à Nova York a convite da Paramount Pictures.

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