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Quem foi que disse que o homem não pode voar? 

Os ventos que sopram com força em Barra Grande, no litoral do Piauí, fazem do local um verdadeiro paraíso brasileiro para kitesurfistas do mundo inteiro

POR Vivian Monicci, Fotos André Hänni Tortorelli 6 MIN

19 Maio

6 Min

Quem foi que disse que o homem não pode voar? 

POR Vivian Monicci, Fotos André Hänni Tortorelli

	

Água e vento — muito, mas muito vento! São esses os elementos necessários para a prática de kitesurf, esporte aquático que tem ganhado cada vez mais força entre os brasileiros. A boa notícia é que não há necessidade de sair do país para encontrar o local ideal. Muito pelo contrário: o Brasil tem se tornado reduto de kitesurfistas do mundo inteiro.

A modalidade é um híbrido de surfe, windsurfe e wakeboard, mas inclui apenas o melhor de cada um destes, e por isso agrada um número tão grande de pessoas. Ao flutuar sobre a água, você tem uma sensação de liberdade absoluta que poucos esportes proporcionam. E o mais bacana: não agride o ambiente e é extremamente silencioso. O equipamento necessário para a prática é um trapézio (cinto com gancho), barra de controle, linhas de voo, prancha e, claro, o kite (pipa). Mas não pense que depois de conseguir os itens você já estará apto para cair na água. É necessário fazer um curso de no mínimo dez horas para entender o vento, aprender a voar sua pipa em terra e na água, ficar em pé na prancha e saber os procedimentos e normas de segurança. Além disso, é fundamental que o seu instrutor seja qualificado e credenciado pela ABK (Associação Brasileira de Kitesurf)
para que você possa aprender todas as técnicas com segurança. Com ventos fortes e constantes, natureza abundante e praias belíssimas, Barra Grande tornou-se um dos refúgios do kitesurf brasileiro. Localizada a cerca de 400 km da capital Teresina e 180 km de Jericoacoara, a cidade fica no município de Cajueiro da Praia, litoral do estado do Piauí — para quem não sabe, ele tem apenas 66 km de extensão e é o menor do país —, e costumava ser uma vila de pescadores com pouquíssimo turismo, até que foi completamente transformada pelo esporte. Em 2014, sediou uma das etapas do Mundial de Kitesurf (Freestyle) e atraiu visitantes de diferentes nacionalidades.

O crescimento repentino fez com que a cidade criasse infraestrutura para receber o novo perfil de turistas. Apesar de manter suas ruas de terra e raízes rústicas, foram abertos hotéis e pousadas, restaurantes e lojas de equipamentos para atender às necessidades dessa clientela. Um dos habitantes que ajudaram a erguer a Barra Grande de hoje foi Ariosto Ibiapina, médico cirurgião que foi um dos precursores do kitesurf ali. “Conheci a modalidade há mais ou menos 17 anos, assim que entrou no Brasil. Comecei a praticar e faço até hoje”, relembra Ariosto. “O grande diferencial de Barra Grande são os ventos alísios, quentes e fortes, que passam aqui e que duram o dia todo, oito meses por ano”, completa. A alta temporada normalmente vai de junho a dezembro, quando o vento sopra dia e noite, praticamente sem nenhuma gota de chuva. Há 16 anos, Ariosto fundou a BGK, primeira pousada a receber turistas, com chalés rústicos de frente para o mar, e que até hoje figura entre as preferidas dos velejadores. “É uma empresa que nasceu nas asas do kitesurfe. Quando o esporte começou a aparecer aqui na região, passamos a receber muitos estrangeiros que vinham atrás de locais inusitados e com boas condições de velejo, e eles ficavam na nossa casa. Nossa residência foi se transformando numa hospedaria e, hoje, temos uma empresa consolidada que vive não só do kite, mas de outros nichos do turismo como o de aventura e ecológico”, explica Ariosto. Além dos quartos, a pousada conta ainda com o Bar e Restaurante Pé de Vento e uma escola, a BGKite School, credenciada pela ABK e referência na região, que também oferece aulas de caiaque e stand-up. “É importante que o aluno procure escolas e instrutores credenciados pela ABK, porque, assim como todo esporte radical, tem riscos. Um bom professor te tira da zona de perigo e faz com que o seu aprendizado seja mais rápido e seguro. O kite tirou os esportes a vela de dentro dos yacht clubs”, finaliza Ariosto.

Mas não é preciso ser amante de esportes aquáticos para conhecer Barra Grande. Há um leque de atividades igualmente interessantes. No famoso Passeio do Cavalo Marinho, uma charrete te leva até Camboa, onde há uma volta de canoa pelo mangue que permite a observação de animais como garças brancas e azuis e caranguejos. O ponto alto, como o próprio nome sugere, é a parada na Ilha dos Cavalos Marinhos, onde o guia “pesca” cuidadosamente a espécie com aquários de vidro para que você possa vê-la bem de pertinho. Outro destaque é a visita ao Delta do Parnaíba, área de proteção ambiental situada entre os estados do Piauí e Maranhão, e um dos principais santuários de vegetação e vida selvagem do Nordeste brasileiro. Independentemente da sua escolha, você sempre terá como cenário o colorido das pipas rasgando o céu de Barra Grande.

Dicas quentes

Como chegar

O aeroporto mais próximo é o de Parnaíba, que recebe um voo semanal vindo de Campinas. Depois, para percorrer os 70 km que a separam de Barra Grande, é necessário um transfer. Outra opção é ir de avião para Jericoacoara, que recebe mais voos. Entre o aeroporto e Barra Grande, são 170 km. Também é possível ir por Teresina, cujo aeroporto tem funcionamento diário, mas fica a 400 km de Barra Grande.

Quando ir

A alta temporada normalmente vai de junho a dezembro, quando o vento sopra dia e noite, praticamente sem nenhuma gota de chuva. A partir de janeiro, o tempo começa a mudar e a chuva vem com força nos meses de fevereiro a maio.

Onde ficar

BGK: bgk.com.br

Pousada Titas: pousadatitas.com.br

Pousada Manati: manatibrasil.com.br

Chic Hotel Boutique: pousada-chic.com

Onde comer

Nem só de esporte vive Barra Grande. Há diversas opções de restaurantes com ótima culinária. O Bandoleiros é o primeiro da cidade e tem música ao vivo e um ar descolado, pé na areia. O chef é francês e cria pratos que combinam o melhor das duas culinárias. E por falar em toque internacional, o La Cozinha é comandado pelo chef belga Hervé Witmeur e tem menu que muda diariamente, com produtos frescos e de sua fazenda orgânica. Outras excelentes opções são o Mô Cozinha Afetiva, Manga Rosa e Villa dos Poetas.

André Hänni Tortorelli é fotógrafo profissional há dez anos. Sempre acompanhado de seu drone, é especialista em fotografar.kitesurf. @andrehannifotografia

 

 

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