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Manto, cetro, faixa e coroa

Conheça Patrícia Jurado, a bela modelo que da Venezuela veio dar seu ar da graça no Brasil. E que graça!

POR João Luiz Vieira 7 MIN

20 abr

7 Min

Manto, cetro, faixa e coroa

POR João Luiz Vieira

	

Primeiramente aos clichês que, involuntariamente, erguemos sob manto, cetro, faixa e coroa. Ao saber que dialogaria com uma mulher de um dos países que mais mulheres bonitas produz, a pergunta saiu como assobio: “Você já participou de algum concurso de miss, já que é da Venezuela?”. A resposta atende ao clichê. “Sim, fui uma das favoritas quando me candidatei em 2006”, afirma Patricia Jurado, 34 anos, 1,76 e prováveis 57 quilos porque não se pesa há um ano. Não ganhou, mas representou seu país em outros concursos de beleza e até à China foi. A menina que de tão tímida não conseguia falar com ninguém na adolescência, fez do concurso passarela para desfilar sua autoestima.

Seguiu, portanto, os passos de scarpin da mãe, Maria Elisa Ganem, que tentou o mesmo pleito há 50 anos, mas perdeu a faixa por não ser uma caraqueña legítima. Nasceu na Colômbia, naturalizou-se, mas não alcançou voos maiores enquanto miss por não ser uma legítima. Voar, no entanto, voou, já que se formou piloto de avião.

A filha de Maria Elisa acha interessante que modelos e misses têm o mesmo status onde nasceu, mas pertencem a horizontes diferentes no Brasil, onde acomodou suas malas desde que a última vez que se pesou. “Aqui é miss ou modelo. Lá as coisas se misturam”, diz. Entre um e outro tropeço no português, que tenta falar com a mesma velocidade com que desfila seu espanhol, Patricia está apaixonada pela nação que a acolheu depois de ter escapado da crise que ainda acomete seus conterrâneos, inclusive seus familiares, alguns deles vítimas de sequestro desde que a oposição entrou em confronto com o governo de Nicolas Maduro, presidente desde 2013. “Saí de minha casa por causa da crise, que começou a piorar seriamente. Desde (Hugo) Chávez (que governou a Venezuela por 14 anos, de 1999 até sua morte, em 2013) estava ruim, mas agora Caracas se tornou a cidade mais perigosa do mundo, além das muitas pessoas que estão morrendo de fome”, diz.

Advogada formada, Patricia não conseguiu praticar a carreira na capital venezuelana porque as leis mudavam mais que os inquilinos do Palácio de Miraflores, sede do governo executivo. Seguindo conselhos de amigos e de uma irmã, que mora nos Estados Unidos, carregou sua beleza para o México, Turquia, Itália, Líbano e Espanha. Em todos os ambientes, conheceu brasileiros e, assim, vislumbrou a ideia de se mudar para a nação tecnicamente mais democrática. “Aqui posso andar de metrô, ônibus, confiando que nada vai me acontecer. Tenho de estar atenta, mas há segurança, polícia. Meu país está terrível, esquisito. Mesmo que (Juan) Guaidó (autoproclamado presidente em 2019) tenha nos dado um pouco de esperança, as mudanças levam tempo porque a milícia está do lado de Maduro”.

Assim sendo, ela guardou a saudade de comer arepa (pão tradicional venezuelano, à base de fubá) para mastigar a ideia de estabelecer raízes no Brasil. Hoje ele tem residência temporária, ou seja, está de acordo com a ideia de viver: a única permanência desta vida é a impermanência.

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