TOP Magazine

Onde estão as mulheres na cabine?

Elas Que Lutem é o coletivo de música eletrônica criado por DJs mulheres

POR @melissalenz | Fotos: @mynameisvitu 6 MIN

29 jun

6 Min

Onde estão as mulheres na cabine?

POR @melissalenz | Fotos: @mynameisvitu

	

Com o intuito de sacudir o mercado de festas, que ainda trabalha com line-ups majoritariamente masculinos, surgiu o Elas Que Lutem, um coletivo de música eletrônica organizado por mulheres.

Com estreia em janeiro deste ano, o projeto idealizado pelas DJs Livia Lanzoni e Bruna Ferreira (da dupla From House To Disco), em parceria com Gabriela Bahia, curadora da Rádio Sal (Veneno) e Francesca Sardi, residente do programa Night Sessions (Energia 97fm), em São Paulo, atua como uma curadoria de artistas da cena eletrônica para dar espaço a talentos femininos. A causa LGBTQIA+ também está em foco: “Nosso carinho vai além de sermos um casal lésbico. Vimos que as mesmas situações não se restringiam apenas às mulheres cis, mas também às trans e drags. Por isso, o olhar para o feminino também abraça a causa, estendendo relevância e trazendo para o line-up todas que se identificam como mulheres”, ressalta Bruna.

Além da festa homônima, o Elas Que Lutem tem atuado em projetos sociais durante a pandemia, como a recente live que ajudou a arrecadar ítens de higiene pessoal e cuidados femininos para mulheres em situação de vulnerabilidade. Confira a entrevista completa com o casal de DJs (e idealizadoras) Bruna Ferreira e Livia Lanzoni:

O casal de DJs idealizadoras do Elas Que Lutem, Bruna Ferreira e Livia Lanzoni

TOP – Parece que vocês têm lutado bastante… Desde quando atuam nas pick-ups? 

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – A nossa dupla, From House to Disco, tem pouco mais de dois anos, mas nossas carreiras solos somadas passam de dez anos por trás das pick-ups. Essa trajetória nos deu muito repertório para chegar ao Elas Que Lutem hoje em dia.

TOP – Qual a missão do Elas que lutem?

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – O Elas Que Lutem nasceu de situações incômodas que passamos ao longo da carreira, acontecimentos que descobrimos ser comuns a outras artistas no mesmo mercado: o descrédito da mulher no cenário de música eletrônica. Por isso, o projeto veio para balançar esse segmento que trabalha com line-ups majoritariamente masculinos. Notamos que, por mais que existissem excelentes artistas, elas não ocupavam lugares de destaques. Para responder a pergunta “onde estão as mulheres na cabine?”, o projeto nasceu com a missão de dar palco a essas djs (entenda como cis, trans e drags), trazendo novos e também já consagrados rostos para mostrar que elas estão aí e são super talentosas.

TOP – É ainda um mercado muito machista? O que já viram acontecer nessa indústria?

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – Sim, haja visto que 87% dos artistas de festivais são homens (União Brasileira de Compositores/BBC Reality Check). Muitas vezes, também pode ser implícito, como por exemplo uma sabotagem de equipamento antes da dj subir ao palco e cachês inferiores para artistas com a mesma relevância. Em uma famosa casa noturna de São Paulo, na Vila Olímpia, chegaram a nos perguntar se sabíamos onde era o “play”. Em um outro episódio, em uma casa internacional, na Faria Lima, fomos empurradas por um dos sócios do lugar que decidiu atacar de dj no nosso horário. Foi uma situação constrangedora.

(Fotos: Victor Silva)

TOP – O projeto também abraça a causa LGBTQIA+. Podem citar nomes que têm contribuído para essa visibilidade?

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – Nosso carinho pela causa LGBTQIA+ vai além de sermos um casal lésbico. Vimos que as mesmas situações não se restringiam apenas às mulheres cis, mas também às trans e drags. Por isso, o olhar para o feminino também abraça a causa, estendendo relevância e trazendo para o line-up todas que se identificam como mulheres. Hoje, por conta da quarentena, temos trabalhado o projeto como live e dj sets. E nesse formato, temos a Etcetera, alter ego do DJ Felps Antunes, e a Paulete LindaCelva, que é uma multiartista nordestina, ambas com rica vivência nas festas de São Paulo.

TOP – E as ações solidárias?

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – Participamos de um projeto junto com a Heavy House (casa noturna de São Paulo) e a UNAS Heliópolis logo no início da quarentena, chamado Heavy Conecta, com esse olhar solidário misturado à música. Entramos com a proposta de arrecadar itens de higiene pessoal e cuidados femininos para mulheres em situação de vulnerabilidade. Alcançamos mais de 2.500 pessoas durante essa live e, felizmente, ajudamos a bater a meta de arrecadação dos kits.

TOP – Quais os projetos em andamento e aonde sonham chegar?

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – Por conta desse momento delicado que vivemos, estamos nos dedicando às lives e aos dj sets, com a meta de trazer rostos de diferentes Estados brasileiros, bem como nomes internacionais. Trabalhamos para ganhar visibilidade não só em festas, clubs e festivais, mas também com marcas que levantam essa bandeira, que possam trazer mais equidade ao nosso mercado e que juntos tenhamos mais força para equilibrar essa balança. Acreditamos que o Elas Que Lutem tem potencial para se transformar em uma plataforma de conteúdo, música e artistas em diferentes formatos.

TOP – Uma pequena playlist para as mulheres do Mundo TOP?

Bruna Ferreira e Livia Lanzoni – Com certeza, grandes divas, que inspiram nessa luta:

 

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO