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O Mundo Lamborghini

Por que a montadora italiana exerce tanto fascínio? Qual o segredo da paixão por esses carros? E o que tem de melhor em relação às outras supermáquinas? entrevistamos Rafael Espindola, embaixador da marca e presidente do Lamborghini Club Brazil, para contar tudo a você

POR Simone Blanes | Fotos: Gustavo Lacerda | Produção: Dianine Nunes 5 MIN

14 Maio

5 Min

O Mundo Lamborghini

POR Simone Blanes | Fotos: Gustavo Lacerda | Produção: Dianine Nunes

	

“Eu nunca planejei entrar na indústria automotiva, mas sabia que um carro melhor poderia ser construído”, disse, certa vez, Ferruccio Lamborghini, fundador da marca de automóveis de luxo e alto desempenho criada na década de 1960, originalmente para concorrer com a Ferrari, e que hoje dispensa apresentações. Na ocasião, ele falava justamente de uma Ferrari, que, embora fosse seu favorito — o próprio assumiu que ao comprar seu primeiro modelo, um 250 GT, “esqueceu” os outros na garagem: um Jaguar, um Maserati, um Mercedes-Benz, um Lancia e um Alfa Romeo —, tinha problemas de embreagem. E como ele entendia de máquinas, já que era dono da fábrica de tratores Lamborghini Trattori — criada a partir de seu trabalho de manutenção dos veículos da Força Aérea Real Italiana, durante a Segunda Guerra Mundial, e que no final dos anos 50 ia muito bem —, resolveu ir pessoalmente a Maranello conversar com o poderoso chefão da Cavallino Rampante, Enzo Ferrari, que o recebeu dizendo: “Você pode ser capaz de conduzir um trator, mas jamais conseguirá conduzir uma Ferrari.” Obviamente Ferruccio não gostou nada e se impôs um desafio: criar um carro perfeito. Quatro meses depois da guerra declarada, em 1964, a Automobili Lamborghini Ambassador apresentava ao mundo o 350 GTV, primeiro esportivo da marca, seguido pelo icônico Miura, lançado em 1966. O resto é história! Não só da bem-sucedida montadora do touro dourado de Modena, que virou uma potência mundial de “supercarros”, mas também de um estilo de vida em torno dos amantes desses automóveis.“ É uma coisa surreal, mas ao mesmo tempo um pouco irracional. Ainda mais no Brasil, onde não tem muito cabimento ter uma Lamborghini, seja pelos problemas de segurança, infraestrutura ou impostos caríssimos. Mesmo assim, nada paga a emoção de chegar na sua garagem e vê-la lá. A única explicação para isso é paixão. Todos que têm uma Lamborghini seguem um lifestyle fora do padrão, e se você pensar, faz todo sentido, uma vez que a marca nunca foi mainstream”, explica Rafael Espindola, 27 anos, presidente do Lamborghini Club Brazil, clube exclusivo que reúne proprietários de modelos da marca em todo o território nacional e promove experiências automobilísticas singulares. “Ver uma Ferrari na rua é legal, mas ver uma Lamborghini é mais. É só bater o olho em uma que já mexe comigo”, completa o executivo do mercado financeiro, que até há pouco tempo tinha duas Lamborghinis na garagem: a recém-vendida Gallardo Superleggera, à qual deu o nome de Selina — “Era o meu xodó” —, e uma Aventador S Novitec — com motor V12 de 6.5 litros aspirado, 780 cv de potência, que faz dos 0 aos 100 km/h em 2,7 segundos e acelera até 350 km/h —, carinhosamente chamada de T-Rex. “É única no mundo, não tem preço. Tem um kit alemão produzido exclusivamente para o carro. No lado estético, contém diversas partes em fibra de carbono e rodas Vossen, é absurdo. Também tem os escapamentos, que o faz cuspir labaredas de um metro e produzir um ronco arrepiante”, conta ele, com brilho nos olhos. Mas, na real, qual a vantagem de ter uma Lamborghini e não uma Ferrari, uma McLaren ou um Porsche? “Em primeiro lugar é o design. Se analisar Porsche e Mclaren, por exemplo, em sua maioria são parecidos. Já a Lamborghini, se colocar dez modelos diferentes lado a lado, cada um terá traços bem específicos, como se fossem feitos à mão e tivessem uma alma diferente. Não é um carro feito para ser replicável ou produzido em escala”, avalia Rafael. “Outro ponto é a exclusividade. Hoje, existem cerca de 300 unidades de Lamborghinis no Brasil. Ferraris tem quase mil, e Porsches, acredito que mais de 15 mil. Por isso, é mais rara, difícil de ver e ter. E, por fim, a esportividade e a emoção que o carro entrega. A agressividade é traço marcante e presente desde o ronco do carro até a aceleração e as trocas de marcha. Essas características fazem parte do DNA da Lamborghini e do Raging Bull, criado por Ferruccio para bater de frente com as marcas mais reconhecidas, principalmente a do Cavallino Rampante de Enzo. Por esses pontos, na minha opinião, a Lamborghini bate todas as outras.”

rafael espindola

Palavras de um rapaz que não é só um fã ardoroso da marca italiana, mas que sempre respirou automóveis: anda de kart desde a infância, sonhava em ser piloto e tem o pai, Elcio Espindola, como grande companheiro automotivo e dono de uma das maiores coleções de miniaturas de supercarros do país. Fora já ter visitado muitas fábricas automotivas mundo afora, incluindo Ferrari, Pagani e, claro, Lamborghini, na Itália, na qual esteve recentemente já como presidente do primeiro clube exclusivo da montadora na América Latina. “Realizei o meu sonho e do meu pai de dirigir um Fórmula 1 em Monza, e tivemos a oportunidade de jantar com o Valentino Balboni, o mais famoso piloto de testes da marca e fiel escudeiro de Ferruccio. Tem até um carro com o nome dele: Lamborghini Gallardo Valentino Balboni”, conta Espindola sobre o badalado collaudatore, atual embaixador e testemunha viva da história da montadora. “Eu tive sorte de testar um F1 em Monza há alguns anos. Naquele tempo, o som do motor Lamborghini F1 não era comparável com nenhum outro, uma grande emoção ainda viva em minhas memórias. Foi uma semana especial pelo fato de conhecer Rafael como presidente do Lamborghini Club Brazil e compartilhar essa nossa paixão”, diz Balboni em entrevista exclusiva à TOP Magazine. “Comecei na companhia em abril de 1968 como jovem mecânico e tive a sorte de conhecer Ferruccio, que sempre esteve na empresa entretendo os clientes enquanto estávamos concluindo a pré-entrega do Miura. Ele nos motivava com sorriso e boas atitudes. Seu caráter e personalidade ainda estão nos carros. A exclusividade era sua prioridade, e com ele aprendemos a representar a marca. Sou abençoado por ainda ser um de seus embaixadores, difundindo sua mentalidade e cultura automobilística. Eu estava no lugar e momento certo, e passei toda minha vida profissional nessa empresa, com devoção e paixão”, completa. Voltando a Espindola, e ainda falando da biografia da Lamborghini, ele endossa essa visão de Balboni. “A marca conseguiu manter esse DNA, diferentemente de outras montadoras que, para acompanhar o mercado, acabam desviando um pouco nesse aspecto e perdendo sua essência. Isso é fenomenal na Lamborghini”, atesta. O amigo e companheiro nessa viagem, Rafael Puglisi, também concorda: “O design da Lamborghini é impressionante. Sou apaixonado por carros e faz parte da minha caixinha de desejos. Uma Lambo é uma Lambo em qualquer lugar no mundo”, diz o dentista.

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Rafael Espindola: “Vi uma Murcielago pela primeira vez no filme Batman Begins e foi amor à primeira vista (…) Cheguei a ter uma na mesma cor na minha garagem — a Selina”

Batmóvel

Realmente não tem como não se encantar com as supermáquinas da Lamborghini. Só de ver — nas ruas, nos salões de automóveis, no cinema — já dá aquela vontade de ter ou ao menos dirigir uma. Ainda mais os aficcionados por carros: atire a primeira pedra quem não ficou morrendo de raiva de Leonardo di Caprio ao vê-lo destruir um Countach no longa O Lobo de Wall Street (2013) ou não sonhou estar no lugar de Christian Bale na trilogia de Batman só para dirigir o Murcielago Roadster e o Aventador de Bruce Wayne? O próprio Rafael Espindola confessa: foi esse carro do homem-morcego que o fez se apaixonar pela marca do touro. “Vi uma Murcielago pela primeira vez no filme Batman Begins (2005) e foi amor à primeira vista. E tive a oportunidade de ver uma do mesmo modelo e cor, ao vivo, no salão do automóvel de 2008. Após rever diversas vezes o filme e sonhar com aquilo, cheguei a ter uma na mesma cor na minha garagem — a Selina.” Depois veio a identificação com a história de Ferruccio, que considera insubstituível como rosto da montadora. “E tem a atração, né? É como quando a gente bate o olho em uma linda mulher e quer saber mais sobre ela. Com carro não é muito diferente, vê e se apaixona”, brinca ele, que em sua última visita à fábrica teve essa sensação com uma Lamborghini chamada Sesto Elemento.“É o meu sonho de consumo. Só existem 20 no mundo, inteira em fibra de carbono, inclusive a roda. Uma obra de arte que está no museu da Lamborghini, em Sant’Agata Bolognese. Fiquei emocionado quando me deixaram entrar nela, que de tão intocável tinha até teia de aranha”, conta. “Sinto que tudo isso é reflexo da minha paixão. Me tornar embaixador, assinar o contrato de oficialização do clube e ter esse aval da marca é uma das maiores alegrias da minha vida”, sorri Rafael, que hoje preside o maior e único clube oficialmente reconhecido pela Lamborghini na América Latina. Falando em admiradores da marca ialiana, aliás, são muitos os ilustres que não abrem mão de sua Lamborghini: Cristiano Ronaldo, Justin Bieber, 50 Cent, Seu Jorge, Eduardo Costa, Gusttavo Lima e Kanye West são fãs confessos. Assim como aqueles que não medem esforços — e dinheiro — para arrematar um clássico como a Lamborghini Veneno, um superautomóvel de 12 cilíndros, que acelera de zero a 100 km/h em apenas 2,8 segundos, criado para comemorar o aniversário de 50 anos da montadora e que custa quase 4 milhões de dólares. Ou seja, o carro mais caro do planeta! Uma potência que começou a partir de uma briga e da genialidade de Ferrucio e hoje pertence ao poderoso grupo Volkswagen, mantendo-se como o carro que melhor representa estilo, luxo, excelência, inovação, desempenho e, claro, essência.

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