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O Mickey que nos perdoe, mas as opções de viagem com criança foram atualizadas

Dois destinos que, apesar de distantes, revelam-se surpreendentemente perfeitos para ir com crianças

POR Lala Rebelo 13 MIN

15 Maio

13 Min

O Mickey que nos perdoe, mas as opções de viagem com criança foram atualizadas

POR Lala Rebelo

	

Um voo de 15 horas para chegar ao destino de férias, acompanhado de um bebê de um ano e nove meses, pode não parecer uma boa ideia para a maioria das pessoas, nem mesmo para aqueles que viajam na business da Emirates. Esse também foi meu primeiro pensamento ao começar a planejar essa viagem para Dubai e Maldivas em família, mas decidi encarar mesmo assim — e me surpreendi.

Dubai

Nas primeiras horas dentro do avião rumo a Dubai, já começamos a mudar de opinião. Mesmo na econômica, havia bastante espaço entre as pernas, as poltronas eram confortáveis e a equipe de comissários estava munida de vários artifícios para distrair as crianças: livros de adesivos, bichos de pelúcia e até fotografias Polaroid. O sistema de entretenimento a bordo é ultracompleto, há menu kids (se reservado previamente), papinhas para bebês e, para os pequenininhos, é possível solicitar um berço. O nosso trajeto de ida foi noturno, o que faz com que o tempo passe mais rápido. Viajar durante o dia — que foi o nosso caso na volta —não é nada fácil, principalmente quando se tem uma criança cheia de energia querendo explorar o avião. Pensamento positivo, muita leveza e paciência são essenciais e costumam dar certo.

O aeroporto de Dubai está preparado para ser rápido e eficiente. Já nos sentimos bem-vindos logo nos primeiros minutos nos Emirados Árabes Unidos. Para nos buscar no aeroporto, contratamos um transfer do próprio hotel, já equipado com a cadeirinha de bebê. Optamos por um hotel mais afastado do agito, mas ainda assim bem localizado: o One&Only Royal Mirage, uma escolha certeira que, sem dúvida, influenciou na nossa boa impressão sobre o destino. Na verdade, são três hotéis que formam um complexo com várias piscinas, bares e restaurantes. Nos hospedamos no The Palace, verdadeiro palácio, com decoração clássica inspirada na arquitetura islâmica, repleta de arabescos, arcos, domos e outros detalhes suntuosos. Além dos quartos espaçosos e do serviço impecável, outro ponto alto é a praia privativa com um quilômetro de extensão.


A maioria dos brasileiros não considera incluir um dia de praia no roteiro, mas com crianças pequenas, ouso dizer que isso é essencial. Principalmente no dia seguinte à jornada aérea, para curar o jet lag e adaptar-se ao novo fuso de sete horas à frente do Brasil. Se seu hotel não estiver na praia, além das públicas, há muitos beach clubs. O Atlantis Dubai pode ser uma opção legal para day-use na praia ou em seu parque aquático Aquaventure Waterpark. São mais de 30 atrações que incluem vários tobogãs e o mais longo rio lento do destino. Há outras opções, como o Legoland Waterpark — que fica dentro do complexo Dubai Parks and Resorts —, o Wild Wadi Waterpark e o Yas Waterworld, em Abu Dhabi.
O segundo dia foi dedicado para fazer um city tour. O legal é que, em Dubai, até as atrações consideradas mais básicas para qualquer turista também são muito interessantes para crianças.

 

Para subir no Burj Khalifa, recomendo a visita VIP não só para chegar aos andares mais altos, mas principalmente para furar a fila. O Dubai Aquarium, dentro do Dubai Mall, tem um túnel de arraias e tubarões que deixa os pequenos fascinados. Inclua também uma visita ao Dubai Frame, um monumento novo em forma de moldura e com piso de vidro a 150 m do chão. Uma volta pelo bairro histórico de Al Fahidi, com paradinha estratégica no Arabian Tea House para almoçar, adiciona um pouco mais de “vida real” ao roteiro. Cruze o rio Dubai Creek em um barco típico chamado “abra” e divirta-se nas negociações nos coloridos souks. O dia pode terminar no show das fontes, que é de arrepiar, acontece a cada meia hora e é gratuito.

 

Quase cortamos da lista o passeio no deserto achando que podia ser furado para ir com bebê, mas a Platinum Heritage — companhia ecoturista de safári em Dubai — mostrou-se muito preparada. Ainda bem que fomos, pois foi um dos melhores momentos da viagem. Esqueça os milhares de carros disputando um lugar sob o sol, o rali nas dunas e aquele jantar “beduíno” para centenas de pessoas. A empresa opera em uma área de conservação privada, com Land Rovers abertas de 1950 ou caminhonetes fechadas. Se tiver um dia extra, o Miracle Garden, enorme jardim com esculturas feitas de flores, é programação certeira. Há Mickey, urso de pelúcia, túneis de coração e até um avião A380 da Emirates. Sugiro almoçar no White and the Bear, primeiro restaurante só para crianças do mundo. Na verdade, adultos acompanhantes também são bem-vindos e podem sentar nas cadeirinhas projetadas para os pequenos — mas as crianças estão no centro de toda a experiência. Pratos criativos, nutritivos e muito coloridos, criados pela Chef Annabel Karmel.

Apesar de Abu Dhabi merecer pelo menos dois dias exclusivos, com criança pequena o day tour já é válido. Apenas 1h30 de estrada te leva à gigantesca Mesquita do Sheikh Zayed, com seu mármore branco e flores de pedras incrustradas, e que abriga o maior tapete persa e lustre do mundo.

 

 

Maldivas

Hora de embarcar em mais um voo, dessa vez de apenas quatro horas, para chegar ao paraíso de lua de mel dos brasileiros, porém muito conhecido pelos europeus como refúgio de famílias. Optamos por dividir a estadia em dois hotéis kids-friendly: Soneva Fushi (a 30 minutos de hidroavião de Malé) e Anantara Dhigu (a 35 minutos de speedboat da capital).

Nossa maior dificuldade foi colocar sapatos depois de quatro dias no Soneva, um resort de luxo zero ostentação, onde andar descalço faz parte de sua filosofia. Todas as acomodações são vilas espaçosas na praia, perfeitas para famílias. O que nos atraiu foi o seu kids club, que é o maior das Maldivas, com áreas cobertas e ao ar livre, piscinas e tobogã.
O que torna o Soneva Fushi ainda mais especial é o seu serviço prestativo. Podemos pedir tudo ao nosso Mr. Friday (mordomo), como, por exemplo, um passeio de barco de última hora para o banco de areia do hotel, só para nós. A gastronomia tem nível altíssimo, com várias opções de restaurantes, e há sorvetes, queijos e chocolates à vontade para os hóspedes o dia todo — crianças até 6 anos não pagam as refeições. Preciso mencionar que o hotel tem um tobogã sensacional que deságua no mar azul-turquesa. Diversão garantida para adultos e crianças de todas as idades.

 

Já com sapatos nos pés, voltamos a Malé, capital das Maldivas, para pegar o speedboat que nos levou ao Anantara Dhigu. O entorno é surreal, uma das paisagens mais lindas que já vimos na vida. Optamos por um bangalô sobre a água e, apesar de fantástico, não recomendo esse tipo de acomodação para quem está com crianças muito pequenas (as beach villas são mais seguras). Há muitos restaurantes, todos com menu kids, e crianças até 12 anos não pagam para comer.
Quantos momentos incríveis vivemos nesse lugar! Se algum dia pensei que esse destino não era adequado para a criançada por ser remoto ou luxuoso demais, mudei completamente de opinião. Mar calmo, quentinho e raso, clima ameno em qualquer época do ano, muitas famílias com filhos pequenos, comida internacional, quartos espaçosos, kids clubs completos e ótimo serviço. Vai dizer que isso não torna as Maldivas e Dubai destinos ideais para ir com crianças?

 

Dicas quentes

DUBAI

Como chegar
Há voos diretos da Emirates com aproximadamente 15 horas de duração, partindo de São Paulo e Rio de Janeiro. Também é fácil ir via Europa, fazendo uma conexão em cidades como Londres, Amsterdam, Paris e Istambul.
emirates.com/br/portuguese/

Moeda e transporte
Taxi e Uber funcionam muito bem em Dubai e a grande maioria dos taxistas aceita cartão de crédito. Se quiser garantir a cadeirinha para seu bebê, melhor contratar um serviço de transfer já com o acessório. Locomover-se de metrô em Dubai também é muito fácil, prático e seguro. Se for alugar um carro, é preciso ter a Permissão Internacional para Dirigir (PID).
A moeda dos Emirados Árabes Unidos é o dirham (a cotação é quase de 1 para 1 com o Real brasileiro). Recomendo sair do Brasil com dólares americanos e fazer o câmbio lá em Dubai. Alguns estabelecimentos comerciais até aceitam moeda estrangeira (euros e dólares), mas você vai perder bastante na conversão.

Documentação
Brasileiros não precisam mais de visto para viajar para os Emirados Árabes Unidos (permanência de até 90 dias), apenas passaporte com validade de, no mínimo, seis meses.

Quando ir
De outubro a abril, quando as temperaturas estão mais amenas. No meio do ano, os termômetros podem chegar a 50 ºC! Evite ir no período do Ramadã, pois vários estabelecimentos ficam fechados. Esteja atento na hora de marcar a viagem, pois não há uma data fixa para a celebração.

Onde ficar
One&Only Royal Mirage:
oneandonlyresorts.com/royal-mirage

MALDIVAS

Como chegar

O jeito mais fácil é via Dubai de Emirates ou via Doha de Qatar. Também é possível ir via Europa. Com crianças, recomendo muito ir por Dubai, pois o roteiro fica bem interessante. Esticar a conexão na cidade, na ida e/ou na volta, suaviza o longo trajeto e proporciona muitas experiências distintas e exóticas aos pequenos. Ao chegar a Malé, capital das Maldivas, você deve pegar um barco, um hidroavião ou um voo doméstico para o seu hotel (depende da localização do mesmo). A equipe em terra dos resorts ajuda com todo o trâmite.

Documentação
Não existe mais visto para brasileiros. É exigido o passaporte com validade mínima de seis meses e o certificado internacional de vacina contra febre amarela.

Quando ir
O clima costuma ser mais estável de novembro a abril. Faz calor o ano todo, mas de maio a outubro é o período de monções, com mais chances de ventos e chuvas fortes.

Onde ficar
Soneva Fushi:
sonevafushiresort.com
Anantara Dhigu:
anantara.com/dhigu-maldives

O que fazer
Relaxar, brincar e curtir mar e piscina o dia todo. Fazer esportes aquáticos como caiaque, stand-up paddle, veleiro, snorkel e mergulho com cilindro. Em certas épocas do ano é possível mergulhar com tubarões-baleia. Passeios de barco e piqueniques na praia também costumam estar disponíveis no menu de atividades dos hotéis. Enquanto as crianças se divertem nos fantásticos kids clubs, os pais podem aproveitar para fazer tratamentos no spa.

Lala Rebelo é publicitária e autora do blog lalarebelo.com, em que escreve sobre turismo de luxo. @lalarebelo

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