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31 mar

Nos Mínimos Detalhes

SEJA PARA AJUDAR A CONSTRUIR, DECORAR OU ATÉ REALIZAR UM SONHO, AS PESSOAS QUEREM O SEU OLHAR. CONHEÇA MARIA CLARA SPYER...

POR Simone Blanes 5 MIN

31 mar

5 Min

Nos Mínimos Detalhes

POR Simone Blanes

	

Lá estavam elas: as Barbies, prontas para serem vestidas e penteadas em mais uma brincadeira entre as amigas de Maria Clara Spyer Vieira. Só que ela mesma não dava tanta atenção assim às bonecas. Preferia montar o cenário — a casa, o shopping, a cozinha — e decorar o ambiente, deixar lindo, em seus mínimos detalhes. Quando estava tudo pronto para a boneca entrar em cena, ela disparava. “Não quero mais brincar.” As amigas ficavam chateadas, mas não tinha jeito. “Eu amava arrumar as coisas. Desde pequenininha”, lembra a arquiteta, que também gostava de passar seu tempo observando seus pais, ambos arquitetos, enquanto trabalhavam. “Mas eles queriam que eu fizesse outra coisa. Entrei na faculdade de administração, mas não demorou para não querer mais ver aquilo na minha frente. Prestei outro vestibular para arquitetura e a verdade é que, como sempre gostei, não tiveram muita saída”, conta. Formou-se pela PUC Rio em 2009, e — como disse o arquiteto suíço Le Corbusier, “arquitetura é um estado de espírito, e não uma profissão” — incorporou totalmente a arte de desenhar, construir e decorar em sua vida. E garante: não se imagina fazendo outra coisa. Mais do que talento para o ofício, Maria Clara sabe que possui um dom especial, primordial para arquitetura, design de interiores e decoração, e que, é claro, ajudou-a a chegar lá: seu olhar. Atento a cada mínimo detalhe e que vai muito além do óbvio. “Sou carioca, tenho um estilo mais despojado. Não gosto de fazer um ambiente Casacor, que nada se mexe, que a almofada não sai do lugar. Faço casa com cara de casa, com a xicrinha que a pessoa comprou numa viagem, o porta-retrato que ganhou da mãe… Eu mesma tenho coisinhas que têm história, que eram do meu avô. E amo desenhar móveis, fazer um criado-mudo, um buffet diferente, sem ser cara de loja, sabe?”, explica. “Também tem que ser funcional. Gosto do detalhezinho, da florzinha ali ou aqui, mas não adianta ser bonito e não funcionar.” Exatamente por isso, Maria Clara é bastante requisitada para projetos residenciais e virou queridinha de influenciadoras como Anna Fasano, Fabi Justus e Carol Celico. Assim como marcas de moda, que querem ter um olhar mais aconchegante e exclusivo em suas lojas, como A.Brand, Amaro e Schutz. Mas a arquiteta também credita seu sucesso à rede de bons relacionamentos que vem desde quando atuava em escritórios no Rio de Janeiro. “Já tinha algumas amigas em São Paulo, e isso foi importante para a minha carreira. Relacionamento é tudo, e uma coisa chama a outra. Consegui muitos clientes em almoços ou jantares, e agora ainda tem o Instagram”, diz ela, que há dois anos abriu seu próprio escritório no Itaim Bibi. “Na real, nunca tive essa vontade, mas como precisei vir para São Paulo por conta do Ruly (Vieira, seu marido, proprietário do Banana Café — que, aliás, também tem projeto assinado por Maria Clara), começou a cair muita coisa no meu colo. Vinham as amigas, e as amigas das amigas pedindo para fazer um apartamento aqui, outro ali, até que pensei: não existe eu trabalhar para alguém. Em setembro de 2017, abri a MCS Arquitetura.” Mas é tanto trabalho que, tem vezes, dá vontade de voltar no tempo, em especial por conta da rotina (ou falta de) que exige um negócio próprio. “Foi muito rápido. Faço tudo, desde o planejamento até a entrega final, mas quero, mais para a frente, não acompanhar a obra, porque é muito trabalhoso e desgastante. Como fornecedores, que indico, mas não contrato. Tem vezes que paro e penso: será que desisto de tudo e volto a trabalhar em um escritório para ter um horário? Logo depois: ah, não dá!”, diz. “Tive uma cliente que dizia: ‘Meu sonho era fazer meu apartamento com a Maria Clara, mas deve ser uma fortuna’. Pedi para me ligar e fiz um preço especial. Viramos superamigas, mas ela tinha esse pensamento de que era caro. O que muita gente não sabe é que chamar um arquiteto pode sair bem mais barato do que fazer por conta. Porque você consegue fornecedor mais barato, não vai ter que refazer uma coisa que pode dar problema, e por aí vai. E as pessoas também acham que só vou comprar coisa cara. Não necessariamente, faço casa de gente com muito dinheiro até quem não quer gastar tanto. É legal mesclar”, explica a arquiteta de 35 anos, que ainda faz a vez de psicóloga. “A pessoa vai abrir a intimidade dela: ‘Não durmo com meu marido, então tem que ter um quarto para cada um’; ou ‘a gente quer dois banheiros’; ou ‘a minha filha só dorme num quarto preto, escuro, não gosta de rosa’. Você entra na vida dela, é um casamento.” Falando em casamento, o de Maria Clara vai muito bem, obrigado. Para ela, só faltam os filhos — ela quer um casal — e arrumar a própria casa. “Com a correria do dia a dia, está difícil. Mas o Ruly me cobra”, gargalha. Também precisa achar um tempo para voltar a praticar ioga e meditação, mas para matar a saudade do Rio, já deu um jeito. “Coloco um biquíni, vou no jardim de casa e me jogo no chuveirão”, sorri. E não abre mão da companhia de amigos. “Eu amo comer. Almoçar, jantar, barzinho, restaurante, churrasco. E adoro receber. É meu momento de relaxar.” Para quem trabalha tanto justamente arrumando tudo para que as pessoas se sintam em casa e tenham esses momentos relax, ela merece, né? 

Fotos: Gustavo Lacerda

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