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Galápagos: um dos lugares mais incríveis do planeta

O arquipélago, no Oceano Pacífico, Patrimônio Natural da Humanidade declarado pela Unesco reserva surpresas incríveis a todos os visitantes, local aonde a natureza convive em harmonia com os seres humanos

POR Marcelo Skaf, de Galápagos 8 MIN

24 jul

8 Min

Galápagos: um dos lugares mais incríveis do planeta

POR Marcelo Skaf, de Galápagos

	

Imagine que você pudesse seguir a linha do equador no Oceano Pacifico a partir de uma praia na América do Sul e nadasse cerca de 900 km em linha reta… Você chegaria no arquipélago de Colón, mundialmente conhecido como Galápagos, pertencente ao Equador.

Um verdadeiro laboratório evolutivo de vida a céu aberto, com animais e plantas endêmicas (que só encontramos lá). De uma beleza inigualável, as mais de 330 ilhas, ilhotas e rochedos, de origem vulcânica, se distribuem ao longo de uma grande área, e a melhor forma de conhecer a região é de barco. Entre uma ilha e outra, as distâncias são surpreendentes, com mais de 18 horas de navegação, dependendo da corrente.

Arquipélago historicamente famoso pela passagem de seu mais ilustre visitante, o naturalista Charles Darwin, Galápagos foi fundamental para despertar ideias que levariam num futuro, à publicação do famoso livro “A Origem das Espécies”, e ao desenvolvimento da teoria da evolução. Mas, apesar da importância das observações em Galápagos, Darwin foi parar meio sem querer na remota área e permaneceu apenas 35 dias por lá. A bordo do H.M.S Beagle capitaneado pelo também famoso Robert Fitz Roy, eles tinham como objetivo o abastecimento de viveres entre 15 de setembro e 20 de outubro de 1835. O Beagle retornou a Inglaterra após cinco ano de navegação, em 1836, com um levantamento hidrográfico das costas da América do Sul.

Muitos elementos chamaram a atenção de Darwin, dentre eles as aves, seus distintos bicos e ainda as tartarugas gigantes de Galápagos, que o motivaram a aceitar a ideia que uma espécie pode evoluir devido ao isolamento geográfico como nas ilhas.

O tempo passou sem que Galápagos perdesse sua importância, e em 1959 foi criado o Parque Nacional Galápagos, em comemoração ao primeiro centenário da publicação do livro “A origem das espécies”, de Charles DARWIN, que conserva 97% da área terrestre do arquipélago.

Já a área marinha é protegida por uma Reserva Marinha, criada em 1998 com extensão de 133 mil quilômetros quadrados, com proibição total a pesca comercial, tornando-a uma das dez maiores do mundo, e um dos melhores locais de mergulho do planeta. Alguns consideram inclusive o melhor ponto para observação de grandes animais. É a região com maior biomassa (quantidade de animais) de tubarões do mundo.

Em 2001 a Unesco, em reconhecimento a importância ecológica, cultural e econômica da Reserva Marinha de Galápagos, a incluiu como um Patrimônio Natural da Humanidade.

O ecossistema de Galápagos não poderia sobreviver sem a proteção e conservação das áreas marinhas e costeiras. Muitas espécies nativas e endêmicas dependem inteiramente dos mares, e os processos evolutivos e ecológicos que ocorrem em terra também guardam relação direta com os oceanos. Já foram registradas mais de 2.900 espécies, das quais 25% são endêmicas. Como exemplo, são 24 espécies de mamíferos marinhos e entre baleias, golfinhos e leões marinhos, duas das espécies de leões são endêmicos.

Apesar de todo esforço dos galapaguenhos, existem relatos de barcos pesqueiros industriais nas águas protegidas. Uma dor saber que uma parcela dos seres humanos não respeita limites ambientais.

As belezas naturais, diversidade de espécies, sua origem vulcânica e aspectos geológicos dinâmicos e em permanente mudança, além da variedade de formações são considerados um laboratório de processos evolutivos ainda em curso.

Em conjunto com esses aspectos, Galápagos, por uma série de motivos geográficos e ambientais, desenvolveu um largo número de animais e plantas que não existem em qualquer outro lugar do mundo, tornando-o um lugar único no planeta e de importância incalculável.

Em Galápagos, apesar das mais de 330 ilhas, ilhotas e rochas expostas, apenas cinco ilhas são habitadas, sendo Santa Cruz a mais central e a que tem a maior cidade em Porto Ayora. Já San Cristobal é a capital da província insular e a principal porta de entrada de visitantes por seu aeroporto.

Isabela é a maior ilha do arquipélago, mas ainda conta com uma baixa população e tem no turismo de natureza um grande potencial, sendo a mais biodiversa de todas. Floreana, apesar de ter sido uma das primeiras ilhas a serem habitadas historicamente, nos dias atuais não conta com mais de 120 habitantes. A quinta ilha se chama Baltra, uma árida porção de terra que recebeu uma base americana na Segunda Guerra Mundial e com pouquíssimos habitantes. Atualmente, o arquipélago recebe cerca de 240.000 turistas anualmente responsáveis pela movimentação da economia local de uma população estimada em 26.000 habitantes.

A melhor forma de chegar ao arquipélago é voando desde Quito ou Guayaquil até San Cristobal que fica cerca 900 km de distância. Existem mais dois aeroportos em Galápagos, um em Baltra e outro em Isabela. Esse último equipado apenas para receber aeronaves pequenas.

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Existem alguns controles importantes para se chegar até Galápagos: já no aeroporto no continente, é necessário se registrar no Galapagos Government Council Office e obter o Transit Control Card (TCT), ao custo de US$20, pagos apenas em dinheiro. Esse TCT deverá permanecer o tempo todo com o visitante durante sua estada no arquipélago, pois pode ser solicitado pelas autoridades locais. Ele só é emitido se houver comprovação do bilhete aéreo de retorno e voucher de hotel ou cruzeiro devidamente validados.

Após obtenção do TCT é necessário que a bagagem seja checada e lacrada pela agência de segurança de biossegurança para que nenhuma espécie de fora seja introduzida em Galápagos. Portanto, itens frescos como carnes e frutas são proibidos e retidos, caso encontrados nas bagagens.

Antes do pouso, você ainda é surpreendido por uma higienização com spray na cabine. Muitos  cuidados! Mas espere que não acabou! Ao pousar você ainda tem que pagar uma taxa de entrada de US$ 100 por pessoa (desconto de 50% para o Mercosul) também apenas em dinheiro. Então, não esqueça de levar esses valores em espécie para poder enfim, chegar lá.

Com a história em dia, informações na mão, taxas pagas e autorizações emitidas, lá fomos nós, eu e meu dupla de mergulho o Publisher Claudio Mello, para mais uma expedição Gigantes dos Mares.

Embarcamos num super barco de expedições de mergulho, o M/V Galápagos Master, também conhecido pelo antigo nome Deep Blue. Esse barco é o único de Galápagos que fica três dias inteiros em Darwin e Wolf, o que envolve itinerários de longas distâncias de navegação (acima de 19 horas até as ilhas mais distantes). Como somos do mar, essa foi a melhor escolha. As ilhas de Darwin e Wolf são capítulos à parte em Galápagos e estão na minha lista dos melhores pontos de mergulho do mundo.

Partimos da ilha central de San Cristobal, mas mesmo antes de subirmos a bordo da nossa casa flutuante, um simples caminhar no porto revela como Galápagos é único. Em meio as pessoas, barcos, bancos e praças se observam iguanas marinhas, leões marinhos, pelicanos e uma infinidade de animais, num exemplo claro de como a convivência entre humanos e natureza é viável sob vários aspectos. Um grande exemplo a ser seguido, e não faltam semelhanças entre Brasil e Equador como países.

Com essas boas vindas, partimos para preparar os equipamentos de mergulho e de captação de imagens. Tudo pronto e lá fomos nós cumprir o protocolo de segurança de um check out dive. Lugar raso apenas para ajustar lastro, roupas, capuzes e luvas, sim luvas! A água nesse dia estava 18 graus, baita frio! Mas ainda pegaríamos 14 nos mergulhos!

A água é justamente um dos segredos da singularidade e riqueza de Galápagos. Como pode uma ilha oceânica na linha do equador ter pinguins e uma água gelada dessas?

Marcelo Skaf e Claudio Mello

A resposta vem da oceanografia e das correntes marinhas. Galápagos é incrivelmente banhado por várias delas. Por isso, sempre espere uma água fria e com corrente nos mergulhos. Mergulhar em Galápagos pode ser bastante desafiador mesmo para os mais experientes. Não é um lugar para iniciantes na atividade. Sugiro ao menos uns 50 mergulhos para se aventurar nos mais incríveis de lá (em Wolf e Darwin), pois baixa visibilidade e correntes fortes podem surgir do nada.

Voltando as correntes, elas determinam o clima das ilhas e influenciam o ecossistema de forma geral. São quatro principais correntes, além da ressurgência (águas de fundo que afloram, e por estarem no fundo são geladas): Corrente de Humbolt a mais “famosa”, a de Cromwell também chamada de contracorrente Equatorial, a do Panamá e a contracorrente equatorial do Norte. Ufa…! Estas correntes criam habitats diversos e sustentam uma enorme quantidade de vida marinha devido aos nutrientes que carregam, estimulando assim toda cadeia produtiva dos oceanos. São verdadeiros “rios de nutrientes. A de Humbolt costuma estar presente entre junho e novembro e vem do Sul, trazendo águas geladas e uma abundância de vida.

Mergulho de check out realizado, tudo funcionando, partimos para os mergulhos incríveis de Galápagos sempre rumando para as ilhas ao norte, Darwin e Wolf.

Exploramos vários pontos de mergulho como por exemplo Seymor North e Mosqueras, sempre com águas frias e com certa corrente nessa parte mais central do arquipélago, pudemos observar tubarões galha brande de recife, tartarugas verdes, raias manteiga, leões marinhos, raias chita, moreias, todos juntos num mergulho para nosso deleite.

Mas a joia da coroa estava ainda distante cerca 18 horas de navegação ao norte, as famosas ilhas Darwin e Wolf. Dentro d’água, nos esperavam cardumes com centenas e às vezes milhares de tubarões-martelo, tubarão de Galápagos, golfinhos, tubarões-baleia, cardumes de peixes, raias chita e por aí vai!

Iniciamos por Wolf, nome em homenagem a um geólogo alemão, Theodor Wolf. Esse extinto vulcão aflora cerca de 253 metros de altura, formando paredões multicoloridos. Os pontos de mergulho variam de corrente moderada a bem forte e o uso de luvas e ancoragem são recomendados e algumas vezes obrigatórios, sim ancoragem… A corrente é tão forte que para você poder ficar parado documentando os animais, principalmente os tubarões, usamos um gancho fixado às rochas e uma linha conectada ao equipamento de mergulho, pois só assim conseguimos ficar parados.

A chance de se perder do dupla ou ser arrastado é grande e procuramos, eu e Claudio, chegar ao fundo o mais rápido possível. Fizemos a entrada negativa, onde já entramos na água com os coletes desinflados para agilizar a manobra, sempre feita a partir das pangas, que são pequenos botes infláveis que nos levam da “nave mãe”

ao ponto de mergulho. Uma epopéia fazer isso com as câmeras!

Wolf não nos decepcionou! Cardumes de tubarões martelos e todos os seus amigos por lá: um festival! Muita corrente e ancoragem em funcionamento. A cada imersão, saíamos em êxtase.

Após Wolf, chegou a vez de Darwin. Com seu ilustre e famosíssimo ponto de mergulho o Arco de Darwin, a cada imersão encontrávamos uma novidade, mas o ponto alto foram os três tubarões-baleia vistos num mesmo mergulho. Que emoção! Quase 40 minutos de tubarão passando para lá e para cá! Numa dessas passadas, avistamos um tubarão enorme, que deveria chegar a 14 metros!

 

Decidimos segui-lo e ir para o “azul”.

No jargão dos mergulhadores, significa perder a referência de rochas e/ou da costeira e se aventurar sem referência visual de navegação no azul. Fizemos isso acompanhados de um tubarão-baleia, que emoção! Inflamos nossos sinalizadores e terminamos o último mergulho em Darwin com esse presente.

Missão mais do que cumprida nas ilhas ao Norte, navegamos de volta a área central do arquipélago e fomos atrás do nosso último objetivo, mergulhar com as iguanas marinhas. As iguanas são répteis e, portanto, não conseguem manter a temperatura do corpo de forma constante como nós mamíferos. Para uma iguana, entrar na água significa perder calor muito rápido e elas evitam isso a todo custo. Mas não em Galápagos, um lugar tão incrível que até as iguanas deram um jeito de mudar o padrão.

Os machos adultos e grandes acumulam calor e por volta do meio dia, horário mais quente, entram na água gelada para se fartarem das algas abundantes a dois ou três metros de profundidade, local inacessível a iguanas pequenas. Lá fomos nós documentar esse comportamento e o planejamento foi fundamental.

Achamos um banco de algas, observamos iguanas grandes na praia e não deu outra, perto do meio dia lá estavam elas alimentando-se.

Documentar natureza é assim, respeito ao tempo dos animais e planejamento. Terminamos nossa expedição submersa com essa visão!!

Ao desembarcar do Deep Blue ainda tivemos um tempinho para conhecer a Estação de Pesquisa Charles Darwin, em Porto Ayora, na Ilha de Santa Cruz. Muito importante o trabalho de conservação das tartarugas gigantes de Galápagos desenvolvido por eles, com apoio da comunidade. Você sai de Galápagos, mas Galápagos não sai de você. Um lugar para voltarmos muitas vezes.

 

DICAS QUENTES

Como Chegar

A Copa Airlines oferece voos diários de São Paulo até o Panamá. De lá, você pode pegar uma conexão para Quito. Mais informações e reservas: copaair.com

Onde Ficar

Em Quito, uma das boas alternativas antes de embarcar para Galápagos é o Hilton Colon Quito. www3.hilton.com/en/hotels/ecuador/hilton-colon-quito-QUIHIHF/index.html

 

O QUE LEVAR E CUIDADOS

– não esqueça de levar dólares em espécies para taxas;

– a moeda local é o dólar americano. Leve dinheiro suficiente pois nem todos locais aceitam cartão de credito;

– fique atento às regras de comportamento social e ambiental. Os galapaguenhos levam a sério o tema;

– faça um curso de mergulho no Brasil e tenha pelo menos 50 imersões contabilizadas. Galápagos exige certa experiência;

– vacinas e um kit de medicamentos prescritos pelo seu médico sempre ajudam em áreas remotas;

– cuide de sua segurança. Galápagos tem dois pequenos hospitais.Você não vai querer se machucar por lá;

– tome água apenas de fontes confiáveis;

-apesar de estar na linha do equador, Galápagos tem temperaturas amenas entre 21 e 24 graus, vale incluir aquele moletom na mala;

– a água é sempre fria nos melhores pontos de mergulho, mais fria ou menos fria, mas sempre fria. Espere entre 14 a 23 graus Celsius. Roupa seca é uma boa pedida para os mergulhos ou uma semi seca de 7 mm;

– se for mergulhar não esqueça capuz e luvas. Fundamentais!;

– nenhum barco de mergulho em Galápagos tem internet. Desfrute estar offline;

Veja as Fotos

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