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FILOSA, DA FCA, AFIRMA MANTER INVESTIMENTOS

A previsão de como estará o mercado brasileiro de veículos, depois que todas as concessionárias puderem reiniciar vendas presenciais, é de uma queda anual de até 40% em relação a 2019. Conversei com os presidentes das três maiores fabricantes, FCA, GM e VW, sobre o presente e o futuro. Em meio a tantas declarações de desânimo, ainda há espaço para algum viés positivo? Vamos descobrir nesta e nas próximas duas semanas. Começo com Antonio Filosa, da FCA.

POR Fernando Calmon 5 MIN

04 jun

5 Min

FILOSA, DA FCA, AFIRMA MANTER INVESTIMENTOS

POR Fernando Calmon

	

O que vai mudar depois da pandemia?

“O comportamento das pessoas e da própria sociedade. Vendas online devem ganhar força. A jornada de compra será
cada vez mais digital, e isto exige novas estratégias de atendimento e pós-vendas. Consumidores terão que adiar a
compra do carro. Mas haverá muitas pessoas que se sentirão inseguras em meio a multidões. Estas desejarão o carro
próprio e conectado, como pagamento de combustível e de produtos sem precisar sair do veículo. Vejo uma tendência a
maior demanda de veículos de entrada, de menor preço. Mas o segmento de SUVs é o que mais cresce e continuará assim.”
“O mercado brasileiro continuará a ser um dos maiores e mais atraentes do mundo. Já pudemos observar em crises
anteriores a tendência de recuperação rápida. Agora espero que em três anos voltemos ao número de 2019. A taxa de
motorização mostra que a frota brasileira ainda tem muito espaço para crescer, pois está abaixo da de outros países
com nível equivalente de renda ao nosso. A velocidade da recuperação dependerá do controle do Covid-19 no país e da
confiança na economia. Mas é consenso que todos querem retomar a atividade e voltar a crescer. Cria um cenário
potencialmente positivo à frente.” Que lições tirar dessa crise?

“Os aprendizados. Nossos processos produtivos e administrativos moldaram-se à nova realidade com nível ainda mais
alto de atenção à saúde e à segurança. A velocidade de adaptação e aceleração da digitalização tende a perdurar. O
conselho global de administração da FCA, que eu integro, admira o Brasil. Nosso principal acionista, John Elkann, viveu
aqui. Conhece bem o País e sua capacidade de se reinventar. A isto se soma o histórico de bons resultados na região que resultam em forte confiança no Brasil. Nossos investimentos estão mantidos, com prazos um pouco alongados.
Trabalharemos muito para ampliar nossa linha de produtos e surpreender o consumidor com soluções inovadoras.”

VW NIVUS CRIA UM SEGMENTO PRÓPRIO

O plano de revelar o Nivus em etapas completou mais uma fase. Agora sem disfarces, o primeiro SUV cupê compacto do mercado brasileiro, projetado e desenvolvido aqui, também será produzido na Espanha para o mercado europeu e de
outros continentes. A versão europeia estreia só no segundo semestre de 2021 e terá pormenores diferentes que a VW
ainda não revelou, embora seja o mesmo carro.

Sua personalidade é o ponto forte, sem semelhanças de estilo com o T-Cross e o Polo. Deste herdou as principais
dimensões de chassi, com distância entre eixos (256 cm) e largura (175 cm) praticamente iguais, além de portas, para-
brisa, caixas de rodas e as colunas dianteiras e centrais. Vão livre do solo, 2,7 cm maior que o do hatch (17,6 cm x 14,9
cm), mostra que não houve exagero. Para ter outra referência o Nivus é 8 cm mais baixo (149 cm) que o T-Cross (157
cm), para garantir silhueta elegante em harmonia ao conceito do projeto.

A inclinação das linhas do teto (pintado de preto) é um dos pormenores atraentes e inclui defletor também preto.
Cresceu em comprimento 7 cm (426 cm) em relação ao T-Cross (419 cm). Os racks de teto são discretos. O porta-malas
do novo modelo, de 415 litros, ficou maior do que o T-Cross que tem 373 litros, na posição normal do encosto do banco
traseiro (na posição vertical aumenta para 420 litros, mas é incômodo). As rodas de liga leve são exclusivas e têm
desenho arrojado.

Outro destaque de estilo: conjunto de faróis, luzes diurnas e de neblina, além das lanternas traseiras. Nas versões mais
caras tudo em LED. Internamente o painel e o quadro de instrumentos digital são do Polo, embora a nova central
multimídia VW Play e o volante (igual ao do novo Golf) sejam diferenças marcantes. O suporte para celular foi
eliminado. Os materiais de acabamento são simples demais, inclusive sua textura. No apoio de braço nas portas há
apenas uma pequena faixa de tecido. Atrás, o espaço para pernas e cabeças dos passageiros será igual ao do Polo. O motor será sempre o 1-litro de 128 cv/20,4 kgfm (etanol) e câmbio automático epicíclico de seis marchas. Espera-se
que a fábrica tenha feito um ajuste fino no câmbio para evitar os atuais pequenos trancos na arrancada.

A VW iniciará pré-vendas em junho. Entregas das primeiras unidades devem ficar para o final de julho ou mesmo
agosto. Ainda não anunciou preços, mas a gama de versões será enxuta. Na média (com alguma superposição) ficará
entre Polo e T-Cross, na faixa de R$ 70.000 a 100.000.

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