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Ela me faz tão bem…

Médica dermatologista, Calu Franco Tebet tem todo um jeito especial de cuidar: tomando conta da aparência, autoestima e energias, ela cura o corpo e a alma

POR Simone Blanes | Fotos: Gustavo Lacerda |  Beleza: Eliseu Santana | Produção: Dianine Nunes 5 MIN

14 Maio

5 Min

Ela me faz tão bem…

POR Simone Blanes | Fotos: Gustavo Lacerda |  Beleza: Eliseu Santana | Produção: Dianine Nunes

	

Já diria Albert Einsten: “A beleza não olha, só é vista”. E embora seja um conceito bem relativo — cada um a enxerga pelo seu ponto de vista ou gosto pessoal —, é inegável que o belo atrai, encanta e faz valer a máxima de que “a primeira impressão é a que fica”. “É o que você vai ver no seu espelho todos os dias”, diz Calu Franco Tebet, médica dermatologista reconhecida por seu minucioso e primoroso trabalho com tudo que envolve a parte estética e de harmonização. E que vai além do diploma e experiência médica: ela tem um olho clínico para não só reconhecer de cara um problema e resolver através do melhor diagnóstico — segundo Calu, “dentro do ético e correto, não existe um tratamento errado, e sim indicação errada” — mas consegue realmente ver como algo dentro de sua especialidade pode melhorar a vida de uma pessoa, da aparência à cura em si. “Se folhear um livro com doenças dermatológicas parece um filme de terror; tem algumas bem agressivas, então, quando cura é, sim, algo que mereça atenção pela estética, pois podem ser excludentes perante a sociedade. Assim como a autoestima é importante porque te dá força vital e real. Tenho muitas pacientes que após um tratamento tiveram estímulos de mudar, ir atrás do que queriam. É isso que acho mais legal na estética: traz amor próprio”, afirma a doutora, formada na Osec, faculdade de medicina de Santo Amaro, em São Paulo, médica pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e observership no Mount Sinai Hospital, em Nova York. Essa inclinação de Calu pela estética vem de família: além de a mãe ser graduada em comunicação visual, é irmã do artista plástico Thiago Tebet e do fotógrafo de moda Thomas Tebet. “Como são todos artistas, nunca entendi o que eu estava fazendo na medicina (risos), até ficar claro porque sempre foi bastante óbvio para mim onde tem que fazer sustentação ou colocar preenchedor. Não deixa de ser um toque artístico, né?”, sorri. Não mesmo! Em tempos de selfies e pessoas se deformando pelos excessos de procedimentos estéticos, além da queda do ato médico — conjunto de atividades de diagnóstico, tratamento, encaminhamento de paciente e prevenção de agravos —, na verdade, o melhor caminho é poder contar com uma profissional de medicina completa, que saiba exatamente o que está fazendo, consiga lidar com eventuais complicações e ainda tenha plena noção de um resultado que deixe a pessoa feliz, bonita, saudável e, claro, proporcional. “Eu sou libriana, tenho prazer em ver coisas harmônicas. Uma flor faz diferença no meu dia. Não estou falando de estereótipo, e sim cada um dentro da sua harmonia. Isso me encanta.” E o olho né? Algo que não se aprende, não se compra, não se adquire: ou tem ou não. E ela tem. “Com a queixa do paciente, já sei qual a mensagem que o rosto está passando. Cansado? Eu presto atenção nas áreas dos olhos. Bravo? É algo mais localizado na parte inferior da face. O que acho muito bacana é poder deixar o rosto da pessoa de acordo com o sentimento dela. Quando vê o antes e depois, muita gente chora como se reconhecesse pela primeira vez. Isso me faz pensar: nossa, estou no lugar certo! É uma delícia.”

Cheia de energia

Mas para chegar até esse universo permeado pela beleza e felicidade de seus fiéis pacientes dermatológicos, nem tudo foram rosas. Anos de estudos, noites insones e até algumas cenas assustadoras faziam parte da rotina de Calu desde a época que resolveu encarar as ciências médicas. “Prestei medicina porque eu amava. Sempre me encantei por essa área de saúde, tudo que era relacionado à ciência me interessava muito. Mas era puxado. Já cheguei chorando em casa após aulas em que tinha que operar um cachorro doentinho ou dissecar um morto. Os dois primeiros anos são assim, o que é desesperador…” Mas ela não desistiu: completou os seis meses em período integral, mais três anos de residência no Hospital Geral do Grajaú, onde literalmente colocou a mão na massa. “Vi coisas trágicas. Uma vez estava na pediatria, um plantão que eu adorava fazer, e chegaram três crianças queimadas. A história parecia filme: uma mulher tinha inveja dos filhos da vizinha, fez um bolo todo colorido cheio de confetes e deu para elas quando a mãe entrou no banho. Só que ela colocou chumbinho de rato no doce. As crianças estavam quase em coma. Como existe um ser humano desses?”, conta ela, que também relata situações engraçadas. “Teve um paciente que chegou desmaiado com um corte grande na cabeça. Eu lá dando os pontos, quando ele acordou de repente, bem bêbado, e disse: doutora, acho que eu estou no paraíso. Você é o anjo que veio resolver os meus problemas? Sério, eram três da manhã…”, diverte-se. Hoje, porém, sua vida é bem mais tranquila. E mesmo sendo uma mulher bonita e que gosta de andar bem arrumada — é a “fashionista” entre suas amigas dermatos —, garante: não recebe cantadas em seu consultório no Itaim Bibi, em São Paulo. “Tenho cara de brava!”, sorri. E uma pele linda! Calu é um exemplo vivo de que santo de casa pode sim fazer milagre. “Eu testo tudo em mim, até para mensurar os resultados e ver se o produto é bom.” Também serve como uma espécie de psicóloga de seus pacientes. “Faço tudo que precisa, mas ajo pelo bom senso. Eu demoro mais tempo explicando que ela não vai ficar deformada do que de fato indicando um tratamento. Só que as pessoas exageram. Tem gente que fala: ‘Ah, não vou mais viajar para a praia com a minha família porque volto manchada, então só vamos esquiar. Não é assim. Vamos tratar a mancha, mas não é porque ela vai escurecer um pouco que não pode”, diz ela, por experiência própria. “Quando vou à praia, passo três protetores solares, entro no mar de boné, mas não deixo de fazer uma caminhada. Não vou ficar escondida no guarda-sol, você tem que ter energia vital, fazer as coisas.” Lidar com energias, aliás, é outro ponto forte de Calu. “Fiz um tratamento em uma pessoa que trabalha com cura energética, dá cursos de autoconhecimento e agora vamos gravar um vídeo para mostrar que, mesmo sendo espiritualizado, é importante cuidar do corpo físico, porque alimenta sua alma”, revela a médica, que, ao contrário do que dizem por aí, não tem nada de cética. “Acho meio impossível separar as coisas. Eu acredito em todos os anjos e santos, nas energias que vêm da medicina ayurvédica, está tudo interligado. Muito difícil se isolar, somos seres múltiplos”, ela diz. E completa: “Nas minhas orações e meditações, eu sempre peço para ser um canal de energia. Fiz medicina para ajudar o próximo. Nem tudo tem cura mas, você pode fazer o caminho e o aprendizado dessa pessoa ser menos doloroso e mais bonito.” E ela faz!

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