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Benza que hoje tem delivery

Vencedor do Masterchef Profissionais, Pablo Oazen destrincha sua carreira desde a passagem por casas renomadas da Europa até a adaptação do novo restaurante, em São Paulo, durante a pandemia

POR Gabriela Del Carmen com @MelissaLenz | Fotos: Sergio Caddah | Produção: Camila Battistetti 7 MIN

14 Maio

7 Min

Benza que hoje tem delivery

POR Gabriela Del Carmen com @MelissaLenz | Fotos: Sergio Caddah | Produção: Camila Battistetti

	

Seja um bistrô, buffet, cafeteria, pratos clássicos, fast food, cozinha autoral ou comfort food (pratos que remetem a momentos especiais), não há dúvida que a gastronomia tem um papel importante nas diferentes culturas ao redor do mundo. Vai além de um ato de sobrevivência: envolve todo um contexto de interação social entre as pessoas. Exatamente por isso, a cada dia desperta o interesse constante de chefs, que, novatos ou veteranos, surgem ou se reinventam com novas receitas. Iniciativas apoiadas pela imensa quantidade de programas de culinária na TV como os famosos MasterChef Brasil, Cake Boss, Hell’s Kitchen, Vida Mais Bela, Tempero de Família, Chef’s Table, Mestre do Sabor e muitos outros, que fazem a profissão ganhar espaço no país e status internacional nos últimos anos. Foi um desses reality shows, aliás, que fomentou a carreira de Pablo Oazen mundo afora.

pablo oazen benza
Pablo Oazen

O começo
Nascido em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais, Pablo diz que não pensava em se tornar chef de cozinha até alcançar a idade adulta. Formado em turismo, tinha o sonho de se especializar em hotelaria e, por isso, mudou-se para Lisboa, em Portugal, onde teve a oportunidade de trabalhar no renomado Hotel Sheraton. Só que o estágio era dentro do restaurante para entender como a cozinha funcionava. “Comecei a ter acesso a um monte de produtos que nem imaginava, como framboesa, cogumelo, cordeiro, uns bacalhaus enormes. E tudo me chamava muita atenção”, lembra. Apesar disso, a maior surpresa foi quando percebeu que dentro do próprio hotel tinha um açougue. “O que mais me fascinou foi ver chegar cordeiro, leitão, porco, um açougue inteiro e o cara limpar. Achei muito legal.” Ali e aos poucos, pegou gosto pela coisa. E partiu para a prática, passando por casas prestigiadas como o Quinta de Catralvos, em Portugal, Hacienda Benazuza El Bulli, na Espanha e o Au Comté de Gascogne, na França. “Trabalhar ali foi difícil. É igual ao exército, pois a cozinha é algo muito sério para eles. Tomava muito esporro”, conta Oazen, que, por não dominar o idioma, sentia mais dificuldades naquele ambiente. “O chef falava e eu respondia oui, chef, mas não tinha entendido porra nenhuma”, diverte-se. O nível de exigência e a pressão do ambiente eram grandes. Muitas vezes, saía do trabalhado chorando e chegava em casa determinado a nunca mais retornar, até a hora de dormir, quando retomava a motivação. “Eu falava: ah, já estou aqui mesmo, então vou voltar.” Hoje em dia, concorda que o esforço valeu a pena. Sem um curso de especialização gastronômica, aprendeu tudo na prática, errando, observando e evoluindo.

De volta ao Brasil
Após suas experiências na Europa, retornou ao Brasil em 2007, decidido a investir em sua carreira como cozinheiro. Ficou quatro meses em São Paulo, trabalhando no extinto La Brasserie, do chef Erick Jacquin. Depois, voltou para Juiz de Fora, onde, em 2015, inaugurou seu primeiro restaurante, o Garagem Gastrobar, em que misturava as delícias de boteco com suas técnicas de alta gastronomia. A cozinha autoral e criativa em que utilizava produtos brasileiros e com uma forte influência de Minas Gerais fez com que seu nome começasse a alçar voo na gastronomia nacional. Em 2016, veio uma boa oportunidade quando um shopping da cidade pediu a Oazen que convidasse um chef renomado para um evento de Dia das Mães. Não pensou duas vezes: chamou Erick Jacquin.

Rumo ao Masterchef
Nesse reencontro, o próprio Jacquin sugeriu que o cozinheiro participasse da primeira edição do Masterchef Brasil Profissionais. “Depois ele disse: ah, mas nem adianta, não vão deixar você entrar porque trabalhou comigo.” Mesmo assim, incentivado por um casal de amigos, inscreveu-se no programa. Não foi selecionado. Mas no ano seguinte, quando Oazen havia descartado a opção de se candidatar novamente, recebeu uma ligação que mudaria a sua vida. Era a produção do MasterChef querendo saber se o chef iria se inscrever para a segunda temporada. “Eu falei: ó, estou na frente do computador, fazendo isso agora, você acredita?” A regra que proibia a participação de quem já havia trabalhado com os chefs não existia mais. “Mais certo que isso não dava.” Assim, ele não só entrou no programa como foi o grande vencedor da edição de 2017, após participar de 14 provas televisionadas para o Brasil todo, incluindo o duelo final. A mais difícil? “Chorei na prova da rabada, porque ficou dura. Eu dei sorte que o Guilherme (Cardadeiro) fez um fígado de boi cru, algo meio inaceitável na cozinha”, conta.

A Goiaba de Pablo

A sobremesa da vitória
De todos os seus preparos na competição, o que mais surpreendeu os jurados foi o seu sorvete de goiaba. “Falam que eu mudei de nome, sou Pablo das goiabas”, brinca. A inspiração veio do chef Diego Guerrero, que utilizava a mesma técnica da casca e do creme com um ovo em Madri. Dali, saiu uma bola de sorvete de goiaba recheada de goiabada e coberta por uma casca de chocolate branco, com gergelim, catupiry, queijo canastra e crumble. O sucesso foi tanto que, mesmo dois anos após a vitória, pessoas do Brasil inteiro pedem ao chef para saborear a receita. Mas após o MasterChef, Oazen decidiu deixar Minas para abrir um novo empreendimento em São Paulo. Em dezembro de 2019, abriu as portas do Benza, restaurante que envolve suas inspirações europeias, mas sem deixar de lado o Brasil e sua variedade de paladares e ingredientes. “É natural que os chefs brasileiros utilizem produtos do seu estado. Eu sei fazer quiabo melhor do que um aspargo”, exemplifica. Essa é a peça-chave do estabelecimento: a mistura de referências acumuladas ao longo dos 15 anos de carreira. Localizado no Baixo Pinheiros, tem o objetivo de instigar o cliente a partir de sabor, técnica e criatividade. “Eu quero que as pessoas venham no dia em que queiram se divertir. Gosto de provocar, sou bem brincalhão dentro do cardápio.” O lema do lugar é simples: nada sai da cozinha se não for gostoso. No menu à la carte, iguarias como abacate em tempurá, maionese de pimenta, empadinha de ovas de mujol, blanquete de língua, arroz de cogumelos e legumes orgânicos, canjiquinha socarrat com lagostins, pato com macarrão e favas frescas e tutano. Na sobremesa, arroz doce, toffee, frutas confitadas e, é claro, a cobiçada goiaba.

Benza delivery
Durante a pandemia da Covid-19 – que fez com que muitos estabelecimentos fechassem suas portas – o Benza adaptou seu menu para chegar até a casa do consumidor sem perder a qualidade. “Eu já havia trabalhado com delivery em minha hamburgueria em Juiz de Fora, mas lanche é muito diferente de comida”, compara. No menu atual, somente os pratos “mais molhadinhos, que não tenham ponto”. A famosa Goiaba (R$ 33) é a campeã de vendas, seguida da Feijoada (R$ 60), servida somente aos sábados. “Também tem o Picadinho de Carne com Baião de Dois (R$ 49) e o Saltimboca Burger (R$ 26), herança de um prato italiano (Saltimboca Alla Romana) que quer dizer pulando na boca, que é algo muito quente feito com bife de vitelo, filé mignon ou carne de porco com sálvia, presunto parma e brioche feito aqui mesmo. Está incrível!” Para cada pedido, uma mensagem personalizada: “Eu gravo e mando um vídeo para todas as pessoas que pedem delivery agradecendo pessoalmente.” E quando isso tudo passar? “Queremos voltar com um menu degustação à noite, não muito caro porque está todo mundo apertado. Mas será bem gostoso, bem pensado e de acordo com as novas regras de saúde. Porque quando as pessoas voltarem a sair, vão querer escolher um dia para saírem direito, de verdade… E curtirem a noite em um restaurante.” Enquanto esperamos por esse dia, anote aí o WhatsApp do Benza Delivery: (11) 97692-9259.

pablo oazen benza

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