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Atleta dos Negócios

Veia de vendedor, cabeça de marqueteiro e coração de empreendedor. Esses três pilares fizeram com que o jovem Alfredo Soares se tornasse uma das grandes autoridades em vendas e e-commerce no Brasil. Vem saber

POR Renata Zanoni  Fotos Torin Zanette 5 MIN

22 jul

5 Min

Atleta dos Negócios

POR Renata Zanoni  Fotos Torin Zanette

	

“Há muito tempo acredito que o vendedor, mais do que um tirador de pedido, é alguém capaz de construir, encontrar o cliente e posicionar a marca” – palavras de Alfredo Soares, 33, empreendedor que em pouco mais de dez anos na ativa, já provocou uma revolução no e-commerce brasileiro.

Carioca do bairro da Tijuca, o jovem Alfredo deu seus primeiros passos empreendedores enquanto ainda cursava Publicidade na UniverCidade, no Rio de Janeiro. “Comecei como revendedor gráfico. Fazia a produção de cartões de visita, panfletos e vendia. No começo da vida tudo é uma caixinha de surpresas”, conta.

 

O início

Seu primeiro empreendimento foi a agência de marketing MShop, que atendia pequenas e médias empresas. Mas a necessidade da clientela o levou a desbravar novos caminhos. Foi aí que, com o apoio de dois sócios, em 2014, Alfredo transformou a sua agência em um novo negócio: a Xtech Commerce. “Montei a empresa por essa demanda de transformar o site dos meus clientes para e-commerce, já que todas as soluções que existiam no mercado eram muito caras e complexas”, afirma ele, que diz só ter descoberto o que era uma startup quase dois anos depois. “Percebemos que não podíamos depender só da nossa venda. Fazer um produto para os outros venderem é que era o caminho”, acrescenta. Foi aí que começaram a desenvolver um trabalho mais estratégico, comercial e com canais diversificados.

 

O boom

Em apenas três anos, a Xtech já havia transacionado R$ 547 milhões em vendas e virou um fenômeno do e-commerce brasileiro. Os sócios iniciaram então uma conversa com a gigante de software VTex. “Estávamos em uma intersecção, entre o momento certo e o negócio certo. O e-commerce começava a nascer e se popularizar no Brasil e nós estávamos ali com uma das melhores soluções. Éramos bons comercialmente e com o marketing”, aponta Soares que diz nunca ter sonhado com tamanho sucesso.

A conversa com a VTex durou cerca de 10 meses o que, segundo o empresário, chegou a causar um certo incômodo na negociação. “Como empreendedores, tínhamos muitas dúvidas em relação a manter esse investimento, porque víamos como um risco no mercado. Mas começamos a sentir a necessidade de uma grande virada. Vislumbramos a oportunidade de não vendermos o negócio, mas de juntarmos nosso sonho ao deles, com muito mais segurança e estrutura”. Durante a negociação, surgiu a oportunidade de os sócios comprarem cotas da Vtex, que adquiriu a Xtech Commerce por R$ 14 milhões, em 2017.

Alfredo hoje atua como Vice-Presidente Institucional da empresa e afirma que sua principal missão “é evangelizar o digital commerce em mercados emergentes.”

 

Vtex

Atualmente, a plataforma movimenta R$ 18 bilhões ao ano. E como nem todos os negócios foram prejudicados pela atual pandemia da Covid-19, o business de Alfredo viu uma aceleração e aumento de faturamento muito grande. “A pandemia ajudou muito nosso negócio, porque tivemos uma concentração e uma necessidade de usar o digital. Isso acabou amadurecendo dezenas de milhões de pessoas que não compravam desta forma. Foi criado um novo comportamento de consumo e o digital acabou ganhando um protagonismo muito relevante. O setor de mercados, por exemplo, era muito imaturo e, de repente, aumentou mais de 300%”, aponta.

Um ano por mês

As projeções para o setor são ainda mais otimistas: Alfredo prevê um faturamento de R$ 25 bilhões até o final de 2020. Claro que nem tudo são flores: “manter o time alinhado e seguro sem perder a produtividade foi um dos maiores desafios”. Mas parece que eles têm tirado de letra. Para se ter uma ideia, a multinacional VTex está presente em 35 países. O time global tem cerca de 1.000 pessoas, sendo que cerca de 700 estão no Brasil, divididas entre Rio, Curitiba, João Pessoa e São Paulo. O escritório em João Pessoa é voltado para conseguir abrigar novos talentos do Nordeste. No momento, o foco é a América do Norte, principalmente, os Estados Unidos que lideram o varejo. “Somos uma empresa inquieta. Nosso plano é consolidar o mercado brasileiro. Lidero essa iniciativa aqui no Brasil de acelerar toda essa transformação digital e o coronavírus impulsionou muito isso. Foram cinco anos em cinco meses. Um ano por mês”, destaca.

Bora Varejo

Produtivo também na quarentena, Alfredo, autor do livro Bora Vender (2019), lançou Bora Varejo (Editora Gente). “Meu livro surgiu depois de algumas lives que fiz para ajudar os varejistas. Nele, falo, principalmente, da questão da gestão ágil, o quanto é importante o líder se colocar como exemplo. As empresas que melhor se saíram na crise foram as que tinham comunicação de todas as cadeias com seus líderes, isso fez muita diferença. Foram coisas que a pandemia só homologou”, comenta.

Alfredo acredita que a maior entrega do seu negócio é uma criatividade combinativa, que identifica oportunidades e combina de forma criativa em diferentes áreas, do financeiro até as vendas. “Sou bom em conseguir colocar as pessoas sob um nível de pressão com motivação, dar ritmo para um time. Ainda coloco a mão na massa, mas sempre gosto de tirar as ideias do papel e investir naquelas que eu acredito e as pessoas não. Hoje, sou muito vidrado em números e métricas, porém nunca deixo de agir conforme minha intuição. Nunca!”

 

Bora Cannes

Amante dos esportes, ele já foi atleta de polo aquático no passado, mas hoje prefere correr pelas ruas de São Paulo, onde mora atualmente. “Sou apaixonado por futevôlei, surfe e snowboard também”, conta. Aos 33 anos, Alfredo continua solteiro, mas diz que pretende casar e ter um ou, “quem sabe, dois” filhos.

Já fez mais de 200 palestras em empresas no Brasil e no mundo, como Dubai e Nova York. É investidor anjo de startups e cofundador na empresa de educação Gestão 4.0, que, em menos de um ano, formou 900 gestores e teve mais de 2 mil alunos on-line. Diz, ainda, se sentir muito honrado por ser parceiro do Instituto Airton Senna.

Entre os sonhos que ainda falta realizar, está a conquista de um prêmio no Cannes Lions International Festival of Creativity. Se depender de seus ambiciosos projetos e de sua criatividade, tem tudo para chegar lá…

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