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André Heller

ELE CONTA COMO CONSTRUIU SEU PRÓPRIO TALENTO NO ESPORTE PARA SE TORNAR UM CAMPEÃO OLÍMPICO E, AINDA, COMO FAZER UMA TRANSIÇÃO DE CARREIRA

POR VIVIAN MONICCI 5 MIN

06 mar

5 Min

André Heller

POR VIVIAN MONICCI

	

“Acabooooooou! Acaboooooou! É de ouro! É de ouro a medalha brasileira no voleibol masculino! 25 a 22 para o Brasil! Três sets a um pro Brasil! Que beleza, com o hino brasileiro! É de ouro, medalha de ouro para o Brasil!”. Essa foi a narração de Galvão Bueno quando a seleção masculina de vôlei ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Emocionante e de arrepiar, a final está marcada até hoje na mente dos brasileiros, especialmente daqueles que tiveram a honra de viver esse momento ao vivo e a cores. Ou melhor, daqueles que foram os responsáveis pela grande vitória. O atleta André Heller, central da seleção, era um dos 12 jogadores em quadra que suaram a camisa para chegar ao ápice da carreira: carregar no peito uma medalha olímpica de ouro. “André, qual é a sensação de ser campeão olímpico pela primeira vez?”, perguntou o repórter da TV Globo. “Vou pedir permissão pro Parreira [Carlos Alberto] para usar uma frase que falou quando conquistaram o tetra no futebol: a sensação é que a gente fez alguma coisa na vida. São quatro anos e sem essa história vencedora, não conseguiríamos. A concentração, o treinamento, o sacrifício, tanto tempo longe das nossas famílias, tudo valeu muito pelo que conquistamos”, contou Heller na época, com sorriso de ponta a ponta e felicidade que não cabia no coração.

Ele é de ouro!

Heller veio à redação da TOP Magazine para participar da nossa live. Coincidência ou obra do destino, o fato é que exatamente no mesmo dia em que ele esteve aqui, só que há 15 anos atrás, eles conquistavam o ouro em Atenas. Com a medalha no bolso – que fez questão de mostrar e deixar todo mundo vestir e tirar foto – e um sorrisão no rosto, demonstrava a mesma emoção ao descrever aquele dia histórico de 2004. “É uma data muito especial para todos nós, profissionais envolvidos nessa grande conquista: equipe, comissão técnica, departamento médico, confederação brasileira, profissionais que faziam a limpeza da quadra, as pessoas que faziam com carinho a nossa comida no centro de treinamento em Saquarema… Cada um se tornou um guardião – nos foi dito que no verso dela está escrito em grego antigo que nós somos apenas os guardiões. Mas a conquista transcende qualquer tipo de vitória e de título: ela transformou nossas vidas. Foi uma experiência intensa de trabalho, doação, entrega, cultura colaborativa, excelência e alta performance. O símbolo é a medalha, mas o legado vai além de qualquer valor material, qualquer conquista, e isso nós levamos isso pra vida inteira.”

Um ciclo olímpico dura quatro anos. Apesar de muitos acharem que o que vale é o momento final e decisivo, vale lembrar que a vitória só aconteceu por conta dos três anos anteriores. E a seleção venceu praticamente todas as competições nesse período. “Nos sentíamos muito confiantes na época, não por qualquer tipo de soberba, mas porque nos preparamos, trabalhamos de maneira dura, entendendo que éramos uma família e que todos eram importantes.” E o que ele lembra daquele jogo?  “É bem difícil descrever o que aconteceu naquele dia, porque estávamos em êxtase em todos os sentidos. Eu tenho uma memória de entrar no jogo muito concentrado, confiante e alegre. Era a nossa profissão, o que nós amávamos, e por respeito a todo esse processo, era necessário que colocássemos amor e alegria – e assim foi feito. Nós jogamos uma partida regular, constante e a equipe estava mais sincronizada do que nunca.”

 

Ganso campeão

Quem vê Heller hoje em dia, aos 44 anos, com uma carreira de sucesso que durou mais de duas décadas, campeão olímpico, casado com Marcelle Rodrigues – também ex-jogadora de vôlei – e com dois filhos, não imagina que ele já sofreu bullying na adolescência. Fun fact: ele tem dois metros de altura (para ser mais exata, 1,99 m quando não está de tênis ou sapato) e calça 46. “Eu era muito alto, tinha muita perna, e era desengonçado. As pessoas brincavam que eu não sabia caminhar e mascar chiclete ao mesmo tempo (risos). Tinha até um apelido que, no início, me desagradava, mas depois virou carinhoso: ganso, porque eu caminhava igual! Ficava chateado, mas entendi que estava observando como uma ofensa. Parei de enxergar dessa forma e esqueci. Agora, meus grandes amigos do vôlei como o Giba e o Ricardinho nem lembram que sou o André Heller: me chamam de Gansinho (risos).” Brincadeiras à parte, o que importa é que o Ganso virou um campeão. Natural de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e de família humilde, começou no esporte na década de 1990 para aumentar o condicionamento físico e melhorar a asma. Tentou fazer natação e acabou descobrindo que tinhas todas as “ítes” do mundo (sinusite, rinite…), como ele mesmo diz. Passou para o basquete, mas não acertava uma bola no cesto. Por ser bem alto, magro e rápido, conseguiu migrar para o atletismo, mas não era isso que disparava seu coração. “Eu tinha o vôlei no meu DNA, meu pai foi atleta e treinador.

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Fotos: Gustavo Lacerda 

	
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