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Alta costura para os pés

Adriana Farina cria sandálias-desejo enfeitadas a mão com miçangas japonesas

POR @melissalenz 6 MIN

23 jul

6 Min

Alta costura para os pés

POR @melissalenz

	

“Excelência, feminilidade e exclusividade” são as três características usadas por Adriana Farina para definir suas luxuosas criações (veja na seção Trens). Com 14 modelos lançados em dezembro do ano passado, as sandálias são produzidas artesanalmente a partir de miçangas japonesas, que podem ainda ser banhadas a ouro 24k. “Têm um alto valor agregado. Os enfeites são produzidos em um minucioso e demorado processo a partir de matérias primas de qualidade e de alto valor. Por essa razão, as tiragens são limitadas o que acaba fortalecendo a proposta de exclusividade da marca”, conta. Cada par leva até dois dias para ficar pronto e pode chegar a custar 1700 reais. “A intenção é que a mulher, ao vestir uma sandália Adriana Farina, sinta aflorar toda a sua elegância, sensualidade e feminilidade”, aponta a designer. Confira a entrevista na íntegra:

Qual o maior diferencial da Adriana Farina Brand?

Adriana Farina – São sandálias que têm um alto valor agregado. Os enfeites são produzidos em um minucioso e demorado processo a partir de matérias primas de qualidade e de alto valor. Por essa razão, as tiragens são limitadas o que acaba fortalecendo a proposta de exclusividade da marca.

Quais as suas inspirações para criar?

AF – Adoro me inspirar em lugares e músicas. Mas especialmente em lugares. Nas
minhas viagens, sempre encontro algo marcante no local, um aspecto cultural,
elementos da natureza…gosto de usar estes ícones nas minhas criações.

 

Como é feita cada uma das peças?

AF – O processo criativo se inicia a partir dos elementos que vão embelezar a sandália.
Ou seja, primeiro penso no enfeite em si, definindo se vou querer uma orquídea ou
borboleta, por exemplo. Enfeite criado, vou para o segundo passo, que é pensar como
este adorno deverá ficar posicionado no calçado. Se eu decido que o quero no peito do
pé, a partir daí foco no design da sandália, se vai ser uma rasteira ou se terá um salto 5
ou 10 cm, tiras finas ou grossas… O que as sandálias Adriana Farina têm como ponto
de diferenciação é justamente o fato de que os enfeites são produzidos do zero,
conforme a temática da coleção, por talentosas bordadeiras, em um processo 100%
manual.  É um trabalho extremamente autoral e minucioso e dependendo do bordado,
um par pode levar até 3 dias para ficar pronto.

Que trabalhos manuais gostava de fazer na infância?

AF – Todos! Tricô, crochê, bordado, costura, arte com argila, pintura, etc. O que me
mantivesse com as mãos ocupadas, criando algo. Por essa razão, os trabalhos manuais
sempre foram hobbies pra mim. Talvez esteja no sangue: tenho artistas plásticos na
família e cresci com referências estéticas fortes.

Enquanto advogada, como alimentava esse interesse pela moda?

AF – No meu tempo livre, encaixava um projeto: um trabalho de patchwork, um
bordado…

Como foi a transição de carreira e para os cursos de Design de Interior e de Design de
Calçados?

AF – Pra ser sincera, não pensei muito em vocação, para escolher minha carreira. Na
verdade, na minha época, as escolhas eram muito baseadas nas carreiras conhecidas
como “nobres”, como Medicina, Direito e Engenharia. Meu pai me desencorajou a
fazer administração e acabei optando por Direito e eu segui esta carreira. Mas o tempo
passa e a nossa percepção de quem somos amadurece também, e, geralmente na casa
dos 50, ocorre um despertar. No meu caso esse despertar me impulsionou a investir
em um trabalho artesanal diferenciado e bastante autoral. E aqui estou!

Quando decidiu ir à Itália estudar?

AF – A partir do momento que decidi entrar no ramo de calçados, fui estudar o
assunto. Fiz um curso de formação pelo IED sobre calçados e bolsas que previa na
grade curricular duas semanas de aulas e visitas às fabricas e curtumes na Itália, no
pólo calçadista da Toscana. Foi uma experiência muito proveitosa que enriqueceu meu
repertório como designer de calçados.

Como define as suas criações?

AF – São sandálias-desejo, delicadas e românticas, diferenciadas, que podem
acompanhar looks sofisticados ou valorizar looks casuais. São atemporais e perfeitas
para quem prioriza a  qualidade, beleza, sem abrir mão do conforto. A intenção é que a
mulher, ao vestir uma sandália Adriana Farina, sinta aflorar toda a sua elegância,
sensualidade e feminilidade. Outro propósito nosso, também,  é conectar as sandálias
às memórias afetivas  associadas a momentos agradáveis, como uma comemoração,
uma viagem, um encontro amoroso onde nossa sandália esteja presente.

Qual o propósito da sua marca?

AF – Nosso propósito é valorizar a moda consciente e propor um modelo de
responsabilidade social na cadeia de produção. Queremos  levar um ofício às mulheres
que não tiveram oportunidade de estudar, ensinando-lhes  técnicas de bordado. Eu
quero melhorar vidas, fazendo com que mais mulheres possam  ter a possibilidade de
trabalhar em suas casas, cuidando de seus filhos e afazeres domésticos e ainda
ajudando na geração de renda familiar e na valorização pessoal. Dessa forma eu me
valorizo como designer.

Por que resolveu apostar em sandálias?

AF – Particularmente gosto de sandálias, tenho apreço pelo design italiano de calçados
e por morar em um país de clima quente onde os dias frios são poucos, as sandálias
acabam sendo mais usadas. Se você for viajar para o verão europeu, em junho, você
vai ter certa dificuldade de encontrar  várias opções de sandálias nas lojas por
estarmos em plena coleção de inverno. Então porque não fabricar calçados leves o ano
todo??

Por que miçangas? O que quase ninguém sabe sobre elas?

AF – Quando pensamos nos enfeites em sapatos, pensamos em fivelas, metais em
geral, cristais engrampados e peças em plástico e em resina. Mas existe um universo
de possibilidades em materiais que a alta costura usa nas suas criações e que eu
particularmente sou muito adepta. Daí  a razão de se usar também miçangas, cristais,
plumas, paetes com a finalidade de criar uma composição que realmente enriqueça o
calçado; que tenha um apelo estético muito diferenciado. E pra fazermos um trabalho
manual minucioso e sofisticado, a escolha de materiais nobres é fundamental.

Por que a escolha de miçangas japonesas? Como foi essa busca?

AF – Em minhas criações, utilizo miçangas de várias procedências, mas a japonesa
merece destaque por sua alta qualidade e uniformidade, proporcionando um
resultado final ímpar. Ela também tem acabamentos variados e uma incrível
diversidade de cores, formatos e tamanhos, podendo até mesmo levar banhos de ouro
24k, quesitos estes bastante favoráveis na criação dos bordados.

Tem algum modelo favorito?

AF – A sandália Bromélia, sem dúvida!  Com esta sandália os pés viram o centro das
atenções. Ela salta aos olhos pela delicadeza e riqueza de materiais, traz um mix
incrível de cores e tipos de cristais, miçangas e pedras.

Como funciona seu trabalho com as bordadeiras?

AF – Elas trabalham em casa, sob minha orientação. Apesar do trabalho ser
essencialmente em home office, temos encontros presenciais onde passo a elas novas
instruções e dicas, tudo para que os bordados fiquem impecáveis.

Como tem adaptado a produção e o seu business na quarentena?

AF – Tenho um escritório em casa e sigo trabalhando normalmente, porém aproveitei
este período para mergulhar na nova coleção e também para rever estratégias do meu
negócio. Este tempinho a mais que ganhei durante a quarentena está sendo positivo,
pois me fez olhar para aspectos do meu business que preciso aprimorar.

Qual foi o sapato mais caro que já comprou?

AF – Como falei, sou particularmente adepta do design italiano de calçados, portanto,
a lista dos meus preferidos é longa…

E o que produziu?

AF – A sandália Bromélia é a de maior valor em razão da quantidade de pedrarias.

Como você imagina a persona que veste suas sandálias?

AF – Diria que são perfeitas para as mulheres elegantes e conectadas com o mundo,
que inspiram pessoas a seu redor. Sou uma mulher bastante discreta e respeito o
anonimato de minhas clientes.

Quem gostaria que também as calçasse?

AF – Kate Middleton, pois além de ter ouvido mais de uma vez que fabrico “sapatos
para princesas”, ela é um exemplo de mulher para mim.

Pretende apostar em outros produtos?

AF – Sim, bolsas.

Aonde pretende chegar com a marca?

AF – Pretendo ter reconhecimento do meu trabalho no Brasil e no exterior e, a partir
disso, poder ampliar minha parceria com as mulheres das comunidades de São Paulo,
oferecendo oportunidade de trabalho para um número cada vez maior de mulheres.

Quais os próximos desafios?

AF – Fortalecer a comunicação da marca, já que ainda é muito nova pois lançamos em
Dezembro de 2019.

Adriana Farina em 3 palavras…

AF – Excelência, feminilidade e exclusividade.

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