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A gente não sabe se Deus existe. Mas tem certeza do paraíso

Bioma mais preservado do Brasil, o Pantanal é também o menos conhecido pelos turistas. Essa terra diversa e rica é o foco do projeto Documenta Pantanal, que registra para divulgar e preservar

POR Vivian Monicci 4 MIN

24 abr

4 Min

A gente não sabe se Deus existe. Mas tem certeza do paraíso

POR Vivian Monicci

	

Em 1990, a novela Pantanal, da extinta Rede Manchete, estreou e estourou na televisão brasileira. Lembrada até hoje como um dos maiores sucessos da nossa teledramaturgia, ela apresentou ao público esse local misterioso e de uma beleza única. A música forte, as paisagens deslumbrantes e o enredo cativante seguraram a audiência e fincaram no imaginário das pessoas a noção de familiaridade com o ambiente. Porém, até hoje, a grande maioria segue sem nunca ter ido fisicamente à região, que é a maior planície inundável do planeta e Patrimônio Mundial da Unesco.

“O Brasil acha que o Pantanal é um paraíso intocado, preservado, longe, cheio de mosquito e bichos. Acha que já o conhece, não dá muita bola e ele fica meio esquecido, talvez porque a Amazônia seja tão grande e importante, e por termos também a Mata Atlântica e um vasto litoral”, analisa o fotógrafo João Farkas, integrante do projeto Documenta Pantanal, lançado no início de 2019, que tem como mote principal registrar para divulgar e preservar. Por meio de fotos, livros e vídeos, busca evidenciar a beleza e a biodiversidade do ecossistema, bem como seu potencial turístico-econômico. “Constatamos que a percepção era muito falha em relação ao Pantanal, então, começamos imediatamente a articular e procurar de que maneira podíamos colocá-lo no mapa das preocupações do brasileiro. O Documenta envolve pessoas interessadas e preocupadas em mostrar para o Brasil e para o mundo o potencial, as belezas e os problemas da região. Deve contar com mais de 100 pessoas, entre fotógrafos, artistas, cineastas, jornalistas, cientistas, fazendeiros, educadores e ONGs.” As ações previstas incluem o documentário Ruivaldo – O Homem que Salvou a Terra, dirigido por Jorge Bodanzky; um blog e um canal no YouTube com o material produzido por Farkas e também outros materiais de autores diversos; e o livro Pantanal, com tiragem de 1.500 exemplares e participação do professor de Ciências Biológicas e Ambientais Sandro Menezes Silva.

Riquíssimo em fauna e flora, o Pantanal engloba várias regiões em uma só. Apesar de representar menos de 2% do território nacional, ele é maior do que muitos países — por exemplo, a Grécia. “Uma das coisas fascinantes é que ele é infinito de diversidade, não existe um Pantanal, existem nove, 11, 13, e cada um é diferente. De certa forma, os clichês sobre ele acabam impedindo que as pessoas de fato se interessem e conheçam mais profundamente a extensão, a beleza e os riscos que ele corre”, reflete Farkas. “Ele tem características de fauna e flora de todos os outros biomas: tem um pouco de caatinga, de cerrado, um pouco de influência de Mata Atlântica no Sul e da Amazônia no Norte. Não tem um endemismo grande, mas apresenta espécies de todos os outros biomas e é possível observar isso com facilidade”, acrescenta Luciano Candisani, fotógrafo que integra o projeto junto com um time de experts em natureza e no destino, como Araquém Alcântara e Marina Klink.

Onça-pintada, ariranha, tuiuiú, arara-azul, sucuri e jacaré são apenas algumas espécies que chamam a atenção. Na época da seca, que acontece de junho até novembro, é mais provável ver os animais. Um evento que também promete encher os olhos dos turistas é a florada das piúvas (ipês-roxos), que costuma acontecer na segunda quinzena de agosto e segue até setembro. Diante de tantos atrativos, o Pantanal merece estar na sua lista de próximos destinos. +infos: documentapantanal.com.br

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