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We Love Lucy

Com o violino, ela solou em orquestras; com a sanfona fez brilhar seu "iê-iê-iê da Paraíba" em todo o Brasil.

POR Penélope Coelho e Melissa Lenz 10 MIN

18 nov

10 Min

We Love Lucy

POR Penélope Coelho e Melissa Lenz

	

Ela iniciou nas artes aos quatro anos, dividida entre brinquedos e instrumentos musicais. Com o violino, chegou a se apresentar como solista em orquestras da Paraíba e do Recife. Mas foi com a sanfona – a partir dos 16 -, que a pessoense Lucyane Alves fez de sua virtuosidade musical uma referência nacional de seu pop nordestino. Primeiro no grupo Clã Brasil, formado em 2001 por seu pai, junto com a família e dois amigos. Depois, em rede nacional, em 2013, ao chegar à final do The Voice Brasil (Globo). Desde então, o Clã se desfez e a virtuosa Lucy segue carreira solo – junto com os dez instrumentos que domina -, e revela novos talentos. Após atuar nos folhetins Velho Chico (2016), Tempo de Amar (2017), O Outro Lado do Paraíso (2018), e apresentar uma temporada do Só Toca Top (2019), a paraibana – que agora mora no Rio – será vista na próxima novela das nove, Amor de Mãe (estreia dia 26 de novembro, na Globo). Lucy fará o papel de Lourdes ainda jovem, que depois será interpretada por Regina Casé. “É uma mulher forte, batalhadora, corajosa e cheia de ímpeto. Alguma coisa do personagem sempre é nosso, cada vez mais vou carregando essa força comigo”, diz ela a TOP. Veja os melhores momentos desta entrevista – disponível na íntegra no IGTV da @topmagazine.

 

Das minhas raízes

Comecei com o violino muito jovem, foi meu primeiro instrumento. Depois aprendi piano, contrabaixo, guitarra, bandolim, cavaquinho, violão, viola clássica, caipira, sanfona… Hoje me considero uma artista mais madura, mas penso ter construído uma raiz muito legal na música nordestina, acima de tudo. O Clã Brasil foi um trabalho bem feito com a minha família, com o meu pai (Badu). Quando apareci no The Voice, já tinha doze anos de bagagem e fui projetada para o país inteiro. Foi especial aquela oportunidade, aprendi um bocado no programa, conheci profissionais incríveis, fiz parcerias… Enfim, acho que sou uma pessoa muito aberta ao novo. Vim para o Rio de Janeiro, conheci outros produtores musicais, outros artistas e fui também me tornando outra artista, sem perder aquela bagagem. E ainda fiz novela, então acho que artisticamente cresci um bocado. Mas, além de tudo, me considero só uma pontinha desse galho, dessa árvore que está crescendo.

 

Talento revelado

Eu me descobri atriz, foi uma grande surpresa mesmo. Porque sempre fui cantora, instrumentista, a música me levou a todos os lugares. Foi por causa dela que recebi o convite para uma novela. Então, é minha grande paixão, e aí a trama veio como um presente, mas de certa forma eu já era intérprete, a gente tá no palco e interpreta. Sou uma pessoa que gosta de mastigar as letras e contar histórias, e descobri que já tinha isso dentro de mim, o que pude levar para a telinha. A música me ajudou muito nos tempos e de como falar, é muito interessante.

 

Amor de Mãe

Será um trabalho bonito, arrebatador.  Acho que o Brasil todo vai parar para ver essa novela que traz mulheres fortes, brasileiras. Estou feliz de trabalhar com José Luiz Villamarim, que é um grande diretor. É um presente, agradeço a confiança dele, da equipe, da autora que é Manuela Dias. Minha personagem chama Lourdes, que depois será interpretada por Regina Casé. Participo desse grande flashback da vida dessa mulher, que é muito forte, é mãe e carrega esse amor pelos filhos, a maior coisa que ela tem. Por eles, ela faz qualquer coisa. A gente vai falar de amor, coragem, força e, pra mim, é um sonho viver uma personagem assim, como a Luzia (Velho Chico 2016), – que foi a minha primeira e também tinha essa força.
Acima de tudo, Lourdes é mãe, e vai trazer esse amor materno que dá nome à  novela.”

 

Cantar ou atuar?

Eu gosto dos dois, mas a música é muito especial pra mim! Amo cantar, estar no palco, é tão doido, me transformo muito, parece que liga uma chave do além. Não sei nem descrever o que sinto, é sério! Eu nem sei…

 

Mulher empoderada

Meu pai foi muito bacana porque incentivou as mulheres instrumentistas na Paraíba. Ele dizia: “Vai lá, você pode e é você que vai comandar o show!”, e eu tão nova assim, tinha medo de estar ali na frente com microfone, comandando uma banda. E ele dizia “é isso mesmo, vai lá”. Sempre deixou a gente confiante de que podíamos tocar tão bem quanto um homem e estar lá. Fui crescendo fortalecida e acreditando em mim. Ninguém podia vir e castrar meus sonhos, ou, porque sou uma menina não posso tocar sanfona. É sim um instrumento muito massa que tem muitas meninas novas aparecendo, é uma cena no nordeste que está crescendo e fico feliz de poder contribuir de alguma forma. Dou esse crédito a minha família que pegou na minha mão e disse “vai, você pode, você é arretada e pode fazer bonito”.”

 

O que nunca muda

Acho que é essa coragem que tenho. Sou uma pessoa muito determinada com o que eu quero, com os meus sonhos. E não tenho medo, eu me jogo, isso é uma característica forte em mim. A vida é isso, a gente tem que ter felicidade. A gente tá correndo todo dia atrás, mas se tem coragem e alegria, estamos prontos!”

 

Liberdade criativa

O forró é um retrato, principalmente, da minha região e da música brasileira, faz parte da minha raiz. Ele me ensinou, me fez tocar sanfona – que é um instrumento que tenho paixão. Carrego muito dele, dos ritmos nordestinos e latinos numa forma geral, mas acho que o forró tem recebido muitas novidades. E sinto que tá todo mundo conseguindo se renovar de forma autêntica e genuína sem perder esse link com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro que é tão bacana. Mas, acho massa a gente se renovar e trazer a nossa contribuição. Têm muitos jeitos de divulgar música hoje em dia, ainda bem! Eu me permito muito, tem dia que quero falar de uma dor que estou sentindo e vem aquele violino com lamento. Tem dia que quero falar da festa que fui ontem e aí tem sanfona, guitarra, piano. Mas, é isso! Acho que liberdade pra gente se permitir, criar.

 

Lucy in the sky

Sou muito feliz com as coisas que têm acontecido, mas tenho vontade de fazer cinema aqui no Brasil, que está crescendo, e até em Hollywood. Também quero fazer um concerto, um show especial para uma orquestra: Lucy Alves In Concert, com arranjos meus para todos os instrumentos sinfônicos. São os meus dois sonhos do topo da lista.

 

Menina do poster

O que é (o fotógrafo) Miro? Um diamante! Foi um privilégio trabalhar com esse artista sensível que respeitou meu tempo, me deixou muito à vontade. Ele é aquele artista que quer captar a nossa essência acima de tudo. Miro levou terra da Paraíba para o cenário! Você vê o cuidado, o carinho em levar a minha terra pra fazer aquele astral. Foi especial trabalhar com ele e sua equipe, que também é um amor. Miro, um cheiro da Paraíba para você!

 

Vem por aí

 

Tem muita coisa por vir, o meu álbum, que considero o primeiro de carreira mesmo. Já tive oportunidade de lançar discos com a minha família que eram mais de forró, mas sempre escutei de tudo. Já tive banda de reggae, então, escutava desde Bob Marley, Michael Jackson, Gilberto Gil a Luiz Gonzaga, claro! Acho que isso abriu a minha cabeça e foi me trazendo para essa mistura. O artista contemporâneo é bombardeado com informação do mundo todo, toda hora, e é isso que vai vir no meu álbum.

 

Álbum novo em 2020

Estou em estúdio criando esse novo álbum que considero o primeiríssimo da nova fase de minha carreira. Serão entre 11 e 13 canções, a maioria autoral, e talvez a releitura de um grande clássico. Farei tudo o puder, vou inventar mesmo, pode ser que apareçam coisas fora do script. Fiquem ligados que está vindo um CDzão por aí…

 

 

 

FOTO: MIRO

STYLING: MAITÊ CHASS

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