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27 nov

Vida de Playboy

O ítalo-brasileiro Francisco “Baby” Pignatari fez sucesso em um seleto grupo hedonista nas décadas de 1950/60 e chegou a ser proclamado o Playboy número 1 do mundo

POR Roberto Marks 2 MIN

27 nov

2 Min

Vida de Playboy

POR Roberto Marks

	

 

Nascido na Itália e naturalizado brasileiro, Francisco Pignatari, mais conhecido como “Baby”, foi um bom-vivant que alimentou o imaginário popular em meados do século passado como um dos mais badalados playboys da época e, inclusive, chegou a ser “proclamado”, em 1958, o Playboy número 1 do mundo pelo conceituado jornalista americano Art Buchwald, em reportagem publicada na revista americana Life.
O termo playboy surgiu no começo do século 20 e, a princípio, definia o homem rico e elegante, que se dedicava explicitamente à busca do prazer. Mas somente após a Segunda Guerra Mundial a definição se popularizou e virou sinônimo de homens bem sucedidos especialmente nas conquistas amorosas, de preferência atrizes de cinema já consagradas ou até mesmo as “starlets”, como eram denominadas as novatas.
Ou seja: o macho-alpha “predador” por excelência, que podia desfilar com aquelas mulheres exuberantes que “viviam” apenas nos sonhos dos pobres mortais. Além disso, também tinham hobbies excêntricos, muitos eram esportistas, dirigiam belos e velozes carros, alguns pilotavam seus próprios aviões, frequentavam os hotéis, bares, boates e restaurantes mais caros e viviam em festas nababescas mundo afora. Eram admirados e invejados.


Quanto maior a lista de conquistas, maior era o status do playboy. E a de Baby foi extensa, de socialites a atrizes famosas, de modelos a starlets, como Soraya, ex-rainha do Irã, a modelo francesa Barbara Cailleux, as atrizes italianas Rosanna Schiaffino e Rossana Rory, além de Zsa Zsa Gabor, Dolores Del Rio, Selene Walters, Tracey Morgan, Melissa Weston, Helen e Ann Merrill, Miiko Taka, Tina Louise, Kathy Bonn e por aí vai…
Mas a fama de Baby extrapolou todos os padrões não por uma conquista especial, mas da forma como ele deu o fora em Linda Christian, uma das atrizes mais cortejadas da época. Ao conhecê-lo, a mexicana de origem holandesa o esnobou e ele precisou se esforçar muito para conquistá-la. Depois deram uma volta ao mundo, antes de virem se divertir no carnaval carioca. Fim de festa, fim da paixão.
Conhecendo o temperamento explosivo de Linda, o playboy quis evitar um confronto “corpo-a-corpo”, talvez receoso em provocar um escândalo. Assim, contratou uma bandinha e pagou a um grupo de pessoas para portarem placas com a inscrição “Linda Go Home”, em frente ao Copacabana Palace, hotel em que o casal estava hospedado. Ela entendeu o recado e, dizem, partiu chorando.
Já Baby voltou a sua sina de conquistador até conhecer a “princesa” de sua vida. E era uma princesa de verdade: Virginia Carolina Theresa Pancrazia Galdina zu Fürstenberg, mais conhecida como Ira e que, na ocasião, tinha apenas 20 anos de idade. Apesar de tão jovem, já estava casada com um nobre alemão e tinha dois filhos.


Mas ele não quis saber e, dizem, “sequestrou” a bela fugindo com ela para o México. Lá o casal teve ordem de prisão no hotel em que estavam hospedados, acusados de adultério. Foram obrigados a comparecer a um tribunal e pagar fiança. “Eu não posso ter um título, mas pelo menos eu tenho honra”, teria dito Baby ao encontrar o nobre marido traído.
Ira foi sua terceira esposa. Antes, havia casado com Marina Parodi Delfino, a Mimosa, de rica família italiana e mãe de seu único filho Giulio Cesare Pignatari, e depois com a socialite Nelita Alves de Lima. Mas Ira foi realmente sua grande paixão e, por ela, Baby abandonou a “carreira” de playboy. Ficaram casados oficialmente por quatro anos, de 1961 a 1964.
Jovem, bela, culta e também muito rica – por parte de mãe era Agnelli e uma das herdeiras da Fiat –, Ira tinha, entretanto, um grande “defeito”: era uma mulher de seu tempo, moderna e independente, que não pretendia ser apenas uma dondoca a tiracolo do marido. Seu sonho era ser atriz e isto irritava Baby, que se revelou tremendamente ciumento. Depois da separação, Ira foi trabalhar como relações-públicas do costureiro italiano Valentino.
Mesmo assim os dois continuavam se encontrando e Baby ainda estava apaixonado. Quando ela finalmente se dedicou a carreira de atriz, porém, a paixão esfriou. Ira estrelou filmes de pouco sucesso, incluindo uma pornochanchada do canastrão David Cardoso, em 1979. Na ocasião, já falecido, Baby escapou desta decepção. Só mesmo no Brasil uma princesa, de verdade, se aventura a atuar numa pornochanchada e pior: do Cardoso…
Para Baby, entretanto, a vida depois de Ira nunca mais foi a mesma. Já com mais de cinquenta anos concentrou nos negócios e se afastou da vida mundana. Mesmo assim acabou casando novamente com Maria Regina Fernandes. Graciosa, que tinha pouco mais de 1 metro e meio e era trinta anos mais jovem do que ele. Parecia mais uma filha, ao lado do “grandalhão” e já grisalho Baby, com seu metro e noventa de altura.
E a “baixinha” foi a única mulher que “oficialmente” o traiu, com um cantor de boate em viagem do casal ao Taiti. Isto acabou em litigiosa ação de divórcio, na qual ela afirmou que só se envolveu com outro homem porque o marido havia se tornado impotente e, inclusive, solicitou um exame pericial. Foi algo constrangedor, mas que parece não ter preocupado Baby. Pouco tempo depois foi diagnosticado com leucemia em estado avançado. Morreu em 1977, aos 61 anos de idade.

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