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Vem de dentro

Aos 24 anos, Antonia Morais carrega seu talento na alma e seduz o público

POR Badi Assad 6 MIN

25 nov

6 Min

Vem de dentro

POR Badi Assad

	

Antonia Morais é uma das promissoras mulheres da nova geração de artistas brasileiros que se envolve em múltiplas formas de expressão. No caso dela, o berço trouxe-lhe influências teatrais com a mãe, Gloria Pires, e musicais com o pai, Orlando de Morais. Quando pergunto se acredita que seus talentos tenham vindo desta genética, ela diz: “Para mim é uma questão mais espiritual do que científica, está mais ligada à alma do que à veia”.

Aos 9 anos, ela já escrevia os primeiros poemas que, na adolescência, desabrocharam-se em canções. Todavia, foi o universo teatral que chegou primeiro para a experimentação de sua arte fora de si mesma.

Isso se deu quando, durante seus estudos em Paris, foi convidada para atuar em dois curtas independentes. Pronto, estava feito. E ela só tinha 16 anos. Retornando ao Brasil, não muito tempo depois, foi selecionada para atuar no remake de “Guerra dos Sexos”, na Rede Globo. O país então compartilhou de seus talentos e descobriu sua beleza. Antonia poderia facilmente seguir a carreira de modelo se quisesse.

A materialização da imersão no universo musical aconteceu aos 21 anos com o lançamento do primeiro EP, Milagros: “Minha irmã Ana tinha uma amiguinha com esse nome, quando ouvi me apaixonei. Queria colocar na minha filha, mas o EP chegou primeiro”. (risos)

Com respostas breves e pontuais, ela me conta o porquê de compor em inglês: “Fui praticamente alfabetizada na língua, então é algo bem íntimo para mim. Mas foi totalmente impulsivo. Estava mais preocupada em colocar para fora do que pensar em como colocar, e foi assim que saiu”.

Muito espontânea e ligada em seu processo de autoconhecimento, compartilha o que vem: “Tentando calcular menos antes de agir e analisar menos depois de ter agido”; quando pergunto se tem outra saída, diz: “Não sei, deve ter. No meu caso não foi uma ‘saída’, mas uma ‘entrada’. E de cabeça. (risos) Meu mergulho foi cada vez mais profundo, à medida que percebia meu interesse em analisar e compreender meu próprio psíquico, meu universo e minha forma de existir”.

Antonia lança agora o single “A Santa Máquina”, no qual interpreta uma guerreira e uma indígena que se confrontam, como representantes de suas energias feminina e masculina. Nessa busca pelo equilíbrio, ela questiona sua própria existência.

Ser filha de quem é tem ajudado ou atrapalhado você e/ou sua carreira? “Sei lá, as pessoas pensam demais nisso. Pra mim essa questão não tem tanta importância. Meu compromisso é comigo mesma. Não interessa o que visto, de onde sou, de quem sou filha, o que acho sobre isso ou aquilo. Ser é tão importante quanto não ser”.

Ao terminar nossa entrevista, arrisco: se você pudesse, no toque de um botão, fazer um milagre acontecer em sua vida, qual seria? E ela responde simplesmente: “Sumir”.

Fotos: Valério Trabanco
Styling: Ale Duprat
Make: Rafael Senna
Agradecimentos:  La Suite by Dussol

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