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Uma História Bem Brasileira

Por trás da cachaça Yaguara, uma trajetória surpreendente... Que envolve família, tradição e a própria história do Brasil

POR Simone Blanes 3 MIN

26 abr

3 Min

Uma História Bem Brasileira

POR Simone Blanes

	

 

 

Era 7 de setembro de 1822. Às margens do Rio Ipiranga, D. Pedro ergue a espada e grita: “Independência ou morte!” Logo após o ato heroico do futuro imperador, o povo celebra a liberdade com um brinde de cachaça. Ali começava uma parte importante da história do Brasil.

Oitenta anos depois, porém, era a bebida que ganharia um capítulo em sua trajetória com a chegada de Paulo Meneghel, que seguiu para o Paraná, onde abriu a própria indústria de álcool nos anos 30. Mais precisamente nas mãos do neto, Serafim, que enveredou de vez por esse caminho, criando a famosa “Cachaça do Barba”. Uma paixão que atravessou gerações até chegar aos netos Thyrso e Thiago Camargo, que agora, totalmente inspirados pelo avô, fundaram a Carmosina, exportadora e distribuidora de destilados. “Ele é um personagem. Tem 86 anos e faz aquele estilo coronel do interior, sabe? Entende tudo de cachaça”, diz Thyrso, orgulhoso por seguir a tradição da família e ter conseguido criar sua própria marca, a Yaguara, cachaça premium, 100% artesanal, de alta qualidade e sabor refinado, exportada para mais de 20 países. “Somos três sócios. Eu, meu irmão, que mora entre Miami e Nova York, e o Hamilton Lowe, amigo que estudou comigo na Suíça. A ideia surgiu quando passei três meses trabalhando com o pai dele, Frank Lowe, um dos maiores publicitários da Inglaterra. Levei a cachaça em uma garrafa de vinho, sem rótulo”, conta Thyrso. “Na época, tinha 20 anos, achei legal, mas tinha outras prioridades. Mesmo assim mandei duas caixas para lá, que ficaram anos na adega.”

Nesse meio tempo, ele cursou economia na Universidade de Bentley, em Boston (EUA), e voltou ao Brasil. Passou um ano em um banco e morou na Praia do Espelho, em Trancoso, onde ajudou o pai com os negócios até abraçar uma oportunidade no setor imobiliário no interior do Paraná. “Ganhei experiência como empreendedor”, lembra. Eis então que a ideia da cachaça voltou à tona: Thyrso recebeu uma ligação de Hamilton sobre um executivo do ramo de bebidas que estaria interessado na bebida brasileira e em seu produto.

Não demorou muito para o amigo e seu pai publicitário desembarcarem no país. Bingo. “Foi a sementinha plantada. Tínhamos um especialista e um gênio em posicionar marcas. Contei a história do meu avô e vimos que tinha uma música para ser criada com tudo isso”, diz. Dali, era só fazer acontecer. Partiram por três pilares: a embalagem diferente feita pelo renomado artista britânico Brian Clarke; o avô Serafim Meneghel como ícone de inspiração; e a qualidade da Yaguara, lançada em 2013. “Nossa prioridade número 1. É feita em uma destilaria no sul do país, sob o comando do master blender Erwin Weimann, o papa da cachaça”. São três opções: a Yaguara azul, orgânica, segue a receita original da família Meneghel, com um blend de cachaça branca e uma proporção menor da bebida envelhecida; a Yaguara ouro, envelhecida em carvalho americano, e a Yaguara branca, tradicional, perfeita para fazer caipirinha, todas produzidas artesanalmente.

Recentemente, também começaram a produzir gim, o primeiro orgânico no país, sob o selo Vitória Régia. Frutos do espírito empreendedor dos dois netos de Seu Serafim aliados à rica jornada de uma família apaixonada. “A cachaça é a minha raiz”, afirma. A bebida é tão presente na vida dele que o ajudou até a se aproximar da arquiteta Renata Gola, com quem acaba de se casar. “Eu a conheci numa festa. Sou tímido e acho que não teria falado nada se não tivesse surgido o assunto caipirinha”, sorri. Canceriano, ele é do tipo que não consegue se desligar facilmente, mas nada que o atrapalhe, já que diz estar feliz em trabalhar com cachaça. Por que será? Simples. Está no sangue! Uma paixão que, além de ter tudo a ver com ele e sua família, contada assim, através das gerações, se confunde à própria história do Brasil.

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