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Direto do Festival de Cannes, um papo com Vincent Cassel, um francês à brasileira

POR Janaina Pereira, de Cannes 3 MIN

02 ago

3 Min

Gingado

POR Janaina Pereira, de Cannes

	

Vincent Cassel costuma dizer que é o francês mais brasileiro do mundo. Ex-marido da musa italiana Monica Bellucci, com quem morou por alguns anos no Rio de Janeiro, Vincent fala português fluentemente e já atuou em filmes brasileiros – o último deles, “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello, ainda inédito.

Em entrevista à TOP Magazine durante o Festival de Cannes, Cassel fala sobre o cinema nos dias de hoje, seus vilões e o Brasil. Confira!

TOP Magazine: Como vê o cinema de hoje?
Vincent Cassel: Matteo (Garrone), para mim, é um dos melhores diretores de sua geração na Itália. Mas é curioso que lá ele é considerado um jovem diretor, aos 47 anos. Na França, isso é aos 23. Eu acho que a indústria cinematográfica, em muitos lugares do mundo, não deixa os jovens diretores trabalharem de fato. Isso acontece no Brasil, onde todos acabam indo para a televisão TV e, dessa forma, o caminho para o cinema fica mais distante.

TM: Você já interpretou vários vilões, ou pelo menos personagens de caráter duvidoso, como em Cisne Negro. São seus tipos preferidos?
VC: Sim, gosto dos vilões. Mas, como você disse, nem todos são desprezíveis, alguns têm algum desvio, mas não são totalmente maus. Personagens que lidam com a raiva e a infelicidade me atraem.

TM: Você faz filmes em inglês, português e até mesmo russo. Como é filmar em outro idioma?
VC: Há limites. Eu não tenho a mesma capacidade para improvisar em inglês ou em português, mas isso é bom para o trabalho.

TM: Mas você fala bem o português, e isso ficou provado no filme À Deriva, do Heitor Dhalia...
VC: Obrigado! Gosto de atuar em português. Adoro o idioma, o país, as pessoas. Me sinto honrado de falar bem essa língua.

TM: E como é a experiência de morar no Brasil?
VC: Eu me mudei em 2012, mas faz algum tempo que paro por aí. Estou viajando muito a trabalho. Escolhi o Rio de Janeiro porque é uma cidade incrível. Na verdade, eu nasci em Paris por acaso, porque sou brasileiro. Sou carioca.

TM: O que fez você deixar a França?
VC: As pessoas na França são muito fechadas, não interagem. É um país velho, com gente que tem um pensamento muito arcaico. Gosto dessa coisa que o brasileiro tem de ser simpático, de dar atenção ao outro. São joviais, diferentemente dos europeus… E eu gosto disso.

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