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Toque de Midas

Será que existe um anjo que consegue tirar seu negócio do zero e fazer acontecer? Pode apostar que sim. Atende pelo nome de Bruno Nardon, que o que toca vira ouro...

POR SIMONE BLANES 5 MIN

18 dez

5 Min

Toque de Midas

POR SIMONE BLANES

	

Era Natal. Bruno Nardon tinha 11 anos e, como toda criança, aguardava ansiosamente por essa data. Mas, ao final da noite, não foi bem um presente que o marcou, e sim uma frase de Vicente Falconi, influente especialista em gestão de empresas, impressa em um cartão da Nossa Caixa, Nosso Banco, onde sua mãe trabalhava. “A sua meta é ser o melhor do mundo naquilo que faz. Não existem alternativas.” “Sou da cidade de Assis, e nessa idade não tinha grandes ambições. Só que, ao ler isso, tomei como verdade. Mudou a minha vida”, lembra. Daquele dia, o garoto passou a se esforçar e se superar em tudo: na escola, no judô, na natação. “Eu era curioso. Tinha tesão em aprender, especialmente matemática.” Começava então sua trajetória de sucesso. Mas para entender essa história, voltemos ao interior de São Paulo, em Campinas, onde Bruno, aos 18 anos, atingiu sua primeira meta: passou na faculdade de engenharia mecânica na Unicamp. “Após o segundo ano, percebi que não era muito a minha. Queria fazer administração”, diz. Mesmo assim, era o melhor aluno da turma e suas boas notas lhe renderam uma bolsa de estudos na École Centrale de Nantes, na França. “Me formei e trabalhei na Airbus, montando avião. Adorei, mas entendi que não queria estar em empresas grandes cheias de burocracia.” Na mesma época, em 2007, era lançado o iPhone, smartphone da Apple. “Me interessei em saber o que tinha por trás desse business e voltei para o Brasil querendo empreender em algo voltado para inovação ou educação.” Só que, morando em São Paulo, com a grana curta e sem muita experiência, resolveu trabalhar com consultoria para “abrir a cabeça”. “Achei chato. Mas tive a ideia de montar meu primeiro negócio: uma plataforma para unir professor e aluno via internet.” Quatro meses depois, lançou ao mercado. “Tirei um grande aprendizado: o Excel aceita qualquer coisa. Errei 100 vezes o plano de negócios e, por isso, precisava de 100 vezes mais dinheiro”, conta Nardon, que pediu ajuda ao pai, mas, perante a negativa, foi atrás de investidores.

“Caí na Rocket Internet (grupo de investimento alemão de companhias online em fase pré-operacional), e os caras: ‘Adoramos! Adoramos você! Mas odiamos o seu negócio’. Acabei ganhando um emprego”. O resto é história. Em 2011, vieram os investimentos para a Easy Táxi, de Tallis Gomes, hoje sócio de Nardon, e em marcas de e-commerce: Kanui, que envolvia o universo de lifestyle masculino; Tricae, de roupas infantis e a fashion feminina Dafiti. “Fiquei como um dos líderes da Kanui. Cresceu rápido, em três anos já dava lucro.” Durante o processo, porém, algo deu errado e a empresa quase quebrou. “Passei noites tentando entender e, com isso, aprendi como usar os canais de mídia a nosso favor para ter lucro em cada venda.” Com o crescimento da grife masculina – vendida para a Dafiti em 2014), Bruno se juntou a eles. “Fiquei dois anos ajudando a arrumar a casa. Em 2016, já era uma grande corporação, um dos motivos pelo qual não permaneci”, diz o empresário. “O papel do líder é se tornar dispensável. Se você trouxer pessoas melhores que você e ensiná-las a trabalhar em time, além de eleger um sucessor, sobra tempo para ver outras áreas que precisam mais, e tudo cresce. Acredito que qualquer empresa tem que ter alguém para fazer a máquina girar no dia a dia e alguém que olhe para o futuro.”

Rappi e voo solo

Após sair da Dafiti, período em que também já atuava como investidor anjo, Bruno foi em busca de novos desafios. “Gosto de fazer o negócio acontecer do zero. O mais difícil é sair do sofá e dar o primeiro passo, mas sou bom para resolver problemas e empurrar a galera. Isso é viciante para mim.” Foi o que aconteceu com a Rappi, que Bruno “importou” da Colômbia e fez virar um tremendo sucesso no país. “Comecei a ajudar, apresentei pessoas, até que me convidaram para tocar o business e virar sócio.” E lá foi ele estudar o negócio. “Era incrível”, atesta. “Eu, sozinho, num coworking na Paulista, trouxe um colombiano para me ajudar e começamos a crescer assim, do nada. Mas foi difícil. Imagina ir aos restaurantes mais tops: ‘Oi, tudo bem, sou uma empresa colombiana de delivery, que entrega de tudo e vai entrar no Brasil´. Era piada toda hora, mas, com estratégia, fizemos bem feito. Rapidamente, tivemos essa sensação de que a Rappi estava em todo lugar”, conta sobre a empresa que entrega qualquer coisa, de comida até dinheiro. “Virou um controle remoto da cidade.” Ou melhor, das mais de 60 cidades que atendem pelo país. Não à toa, a Rappi – da qual ele continua sócio – foi colocada como empresa unicórnio, ou seja, vale mais de 1 bilhão de dólares. “Nesses últimos 15 anos, trabalhei no esquema 007 – de meia-noite a meia-noite, sete dias por semana. Até que meu filho Gustavo nasceu. Agora, tenho uma rotina bem mais tranquila e flexível”, relata Nardon, atualmente à frente de dois negócios que, embora recentes, já vão muito bem, obrigado: Gestão 4.0, curso de empreendedorismo, liderança e gestão para empresas, aberto em fevereiro deste ano; e Norte, um “clube de investimentos” fundado em junho. “O Gestão é uma imersão de três dias, com mentoria para líderes.

 

A gente traz todas as ferramentas e sistemas de tecnologia que as companhias precisam no dia a dia e ensinamos como utilizar de maneira simples, clara e com vários exemplos. Nossa missão é que cresçam mais rápido, para assim cumprir um dos papéis do empresário: fazer com que esses 13 milhões de desempregados sumam no Brasil, independentemente do político que esteja no poder. A educação tem um papel fundamental, e a gente vê isso acontecer na prática”, detalha. Sobre a Norte, ele explica: “Chamamos 70 pessoas de renome para aportarem dinheiro nesse fundo e auxiliarem empreendedores que estão começando. As pessoas veem a Rappi, a Kanui, a Dafiti e acham que tem um super-herói tipo Steve Jobs por trás. É mentira. Tem todo um time por trás. O meu compromisso é guiar, orientar, além de ser meu hobby: achar desafios, entender se vai funcionar ou não e ajudar as pessoas a resolverem seus problemas.” Afinal de contas, para Bruno, não existem alternativas. Ele realmente virou o melhor do mundo no que faz: negócios nascerem e prosperarem. “Qual é o próximo?”, sorri.

 

 

FOTOS: Angelo Pastorello

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