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The Defenders

Fomos ao México conversar com as estrelas Charlie Cox e Finn Jones, que contaram detalhes sobre os bastidores da nova série Os Defensores. Vem ver!

POR Melissa Lenz 3 MIN

18 out

3 Min

The Defenders

POR Melissa Lenz

	

 

Não precisa ser fã de quadrinhos nem ter acompanhado as histórias individuais de todos os super-heróis queridinhos da Marvel para se apaixonar pela nova série Os Defensores (The Defenders) da Netflix. À medida que os capítulos se desenrolam, gradativamente o espectador vai se envolvendo com o roteiro e entendendo o drama de cada um dos solitários personagens que começa a esquentar no terceiro episódio, quando acontece o encontro dos quatro: Matt Murdock / Demolidor (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Danny Rand / Punho de Ferro (Finn Jones). A trama ainda tem a participação da atriz indicada ao Oscar Sigourney Weaver (Alexandra). Os coprotagonistas Charlie Cox e Finn Jones conversaram com TOP. Confira:

 

Como foi o primeiro dia de vocês todos juntos no set quando as câmeras estavam rodando?
Finn Jones: Na verdade, era o aniversário de Charlie (Cox) e da Krysten (Ritter). Então, teve um bolo enorme! E muita luta também… [Risos.] Nossa primeira cena foi a da batalha do terceiro episódio, portanto, foi importante já termos algo planejado – o que deu um pouco de coerência a tudo. Foi divertido, bem legal. Foi bom nos reunirmos, conhecermos uns aos outros e ver como seria a energia.

Charlie Cox: Além disso, ali entendemos uma coisa: nem Finn, nem eu éramos fãs de quadrinhos antes de começarmos a filmar, mas descobrimos o que os fãs curtem, quais são seus momentos preferidos. E, é claro, o principal é a interação entre os super-heróis. Então foi muito emocionante quando nos reunimos pela primeira vez, porque descobrimos que, independentemente de como o resto da série fosse recebido, os fãs adorariam aquele momento. Foi bem legal.

Existe uma certa responsabilidade diante dos fãs de quadrinhos da Marvel? Acreditam que eles podem ser um problema?
Finn: Ah, não diria que são um problema, mas uma bênção! É um enorme privilégio ser parte de um projeto que tem fãs dispostos a apoiar, e você acaba crescendo com o trabalho. É uma grande responsabilidade, sim, mas que assumo com entusiasmo e inspiração. É divertido.

Charlie: Eu senti uma enorme responsabilidade na primeira temporada de Demolidor. Foi mais ou menos o meu surgimento como ator nesse papel. E, quando você entra para a família Marvel, acaba se tornando agudamente consciente de quantas pessoas adoram esses super-heróis e também da importância que eles tiveram na vida desses fãs. Parece uma afirmação óbvia, mas não sei se é. Agora, é claro, fiz o personagem em duas temporadas, e Os Defensores, como Finn diz, é uma celebração dos quatro outros programas [Demolidor, Punho de Ferro, Jessica Jones, e Luke Cage]. Então, a essa altura, sinto menos pressão, porque o personagem [Matt Murdock] já foi revelado, as pessoas já sabem como faço o papel – se gostam ou não, isso já foi bastante debatido. [Risos] Então, com relação aos Defensores, acho que vão se focar mais em como é a nossa relação. Ela é legal de ver, é interessante, válida? O enredo se sustenta? Ele funciona ao longo do curso de oito episódios?

Charlie, seu personagem foi o primeiro da série. O quanto Matt Murdock mudou sua vida?
Charlie: Nossa, é impossível dizer. A essa altura, certamente é o papel pelo qual sou mais conhecido. Se você é reconhecido por causa de um filme, por exemplo, certamente já se passou pelo menos um ano desde que você o fez. Mas ser celebrado por um personagem que você ainda está fazendo é uma sensação bem diferente, e é ótima. Uma das características de ser parte de uma série de TV é que existe uma medida de sucesso que o faz continuar; e um dos fatores mais complicados é justamente continuar fazendo. [Risos.] Você precisa o tempo todo encontrar histórias e jornadas novas, interessantes e autênticas das quais possa participar sem deixar o nível de qualidade cair.

Como enxerga o lugar que seu personagem assume agora em Os Defensores?
Charlie: No final da segunda temporada de O Demolidor, ele decepcionou todo mundo e a si próprio e ficou segurando nos braços a mulher que ama (Elektra), vendo-a morrer. Então, no começo de Os Defensores, ele desistiu de morrer e está concentrando todas as energias em se tornar um advogado e trabalhar pelo bem do povo. E me parece que está brigando consigo mesmo para não se envolver com a justiça vigilante e vestir o terno. Acho que, em segredo, ele espera uma desculpa, e infelizmente ela aparece.

Vocês chegaram a hesitar quando descobriram que existia essa possibilidade de fazer esses super-heróis, essa ideia de que talvez estivessem embarcando em algo tão…
Finn: Não, eu pensei: “Ótimo, me dê o trabalho! Que maravilha, vamos lá!” Adoro o meu personagem. Assim que li a sua descrição no e-mail que recebi, me identifiquei profundamente com ele. Eu me reconheci nele e percebi traços dele em mim, então, mal podia esperar para dar vida ao Danny Rand.

Charlie: Eu fiquei um pouco hesitante, sim. Um dos meus receios de fazer um personagem, em especial da Marvel, que tem uma história de mais de 60 anos e muitos fãs… Uma das coisas que pode acontecer é a popularidade não representar a qualidade. Então, você pode ter um programa que não é muito bom sendo bastante assistido porque os papéis são muito conhecidos. E esse foi meu medo, porque não quero fazer dez anos ou seja lá quanto tempo for de um programa considerado ruim. Quero criar material interessante. Mas, se você vai fazer TV, tem que dedicar alguns anos da sua vida a esse projeto, e é sempre um risco. Então, fui levado a uma sala na Disney e ali me deixaram ler os roteiros da primeira temporada de Demolidor. Saí da sala e enviei uma mensagem para meu agente dizendo: “Eu topo fazer qualquer personagem nessa série, mas quero muito ser parte dela porque me parece especial”. E até agora temos colhido um sucesso bem grande.

Quanto da sua rotina diária tiveram de mudar para virarem super-heróis da Marvel?
Finn: É uma transformação completa. Especialmente quando está filmando, aí você tem mesmo que mudar a sua vida. Nada de pizza, de cerveja. Muito suco verde, muito exercício…

Charlie: Eu acabei de comer pizza no almoço, por falar nisso…

Finn: Claro, você…

Charlie: Não estou filmando agora. [Risos.] Mas acho que Finn disse tudo. Muitas coisas mudaram. Imagine só, agora a gente mora em Nova York.

Finn: Essa foi uma das maiores mudanças. Mudar, mudar de país [os dois são da Inglaterra].

Charlie: Sim. E permanentemente. Quando você faz um filme, passa uns dois meses em outro lugar, mas agora eu moro em Nova York.

Do que mais sentem saudade?
Finn: De pouca coisa. Sinto falta do humor autodepreciativo dos britânicos. Mas, fora isso, não sinto a menor saudade do clima. Adoro o Brooklyn, adoro Nova York, é um lugar legal, boa energia, gente boa.

Charlie: Eu sinto falta do meu time de futebol.
Finn: Qual é o seu time?

Charlie: Arsenal.

Vocês já se sentiram estar emocionalmente no mesmo lugar dos personagens?
Charlie: Acho que em tudo o que faz como artista, você precisa se esforçar para de alguma forma relacionar a atuação a experiências passadas. Às vezes, precisa parar e realmente pensar. Por exemplo, se você nunca matou ninguém – e espero que vocês nunca tenham matado ninguém [risos]. Aí você tem que fazer coisas para direcionar aquele momento emocional. Mas em todos os meus trabalhos, em todos os momentos, em cada cena, tento descobrir o que reconheço. Mas também tem o outro lado, que é encontrar o que eu não reconheço naquele personagem. E é importante lembrar isso, senão você acaba transformando aquele personagem em quem você é, e não é isso que um ator faz. Então, você precisa descobrir quais elementos não tem. Por exemplo, pensando na minha vida pessoal, no Charlie, eu me importo com o que as pessoas pensam – de certa forma, gosto de agradar, quero que as pessoas gostem de mim. Não acho que Matt seja assim, de forma alguma. Acho que não está nem aí para o que as pessoas pensam dele. Me parece que ele tem bem claro o que precisa ser feito. Mas parece não ligar se as pessoas gostam ou não dele.

Você não está nas redes sociais…
Charlie: Não, não estou nas redes sociais.

A maioria das séries da Marvel têm algumas pistas nos detalhes. Enquanto estão filmando, vocês têm acesso a essas informações?
Charlie: Algumas, sim; outras, não.

Finn: Só recentemente descobri que o que cegou Matt foi o veículo do Rand.

Charlie: Sim, essas descobertas são ótimas.

Finn: São os roteiristas e produtores se divertindo. Eles nunca vêm até nós e dizem: “Ei, quer saber de uma coisa?” A gente acaba descobrindo depois.

Então eles simplesmente entregam o roteiro e vocês descobrem depois?

Finn: Às vezes, não está no roteiro. É só um acessório colocado no fundo da cena.

Charlie: Com frequência, é um detalhe de um momento, uma edição de um quadrinho dos anos 1970 ou algo assim, então você não necessariamente vê. Fizemos o terceiro episódio da segunda temporada [Demolidor] e estávamos coreografando a luta no corredor, e eu começo com uma arma, aí o gatilho dispara e faz “click”, certo? E eu sorrio. Um dos membros da equipe, um cara fissurado por quadrinhos, falou: “Ah, legal, é a capa da edição 184”. [Risos.] Aí eu fui procurar e é “No More Mr. Nice Guy”, uma edição muito famosa.

Por um lado, por exemplo, vocês têm esse trabalho e todos os fãs animados com a série. Mas, antes, tinham oportunidade de fazer outros tipos de personagens. Agora que estão envolvidos com super-heróis tão famosos, fica difícil encontrar outros papéis?

Finn: Bem, acho que uma das coisas mais curiosas é que não existe tempo para outros papéis. Pelo menos para mim. Você [Charlie] teve mais sorte, mas eu estava filmando Punho de Ferro e fui direto para Defensores, depois voltei para Punho de Ferro, agora é imprensa para Defensores, e aí volto a filmar a segunda temporada de Punho de Ferro, então é como se esses projetos tivessem sequestrado a minha vida, não tenho tempo para mais nada. Acho que terei em breve, mas me sinto sortudo por gostar de fazer esse personagem e do mundo que estamos criando. Então, agora estou totalmente envolvido com isso, mas você anda com mais sorte, não anda?

Charlie: Eu tive mais sorte no sentido de contar com pausas maiores, então fiz algumas coisas aqui e ali. E acho que, se você tem essa oportunidade, é importante agarrá-la, senão acaba piscando os olhos e quatro ou cinco anos se passaram, durante os quais só fez um papel. Então, acho importante tentar fazer outras coisas, se puder. E eu felizmente tive essa oportunidade.

Você recentemente passou por aquela fase na qual as pessoas debatem se gostaram ou não do personagem. Como as críticas afetam o seu trabalho? Você vê Os Defensores como uma segunda chance? Talvez mais maduro?
Finn: A jornada de Danny sempre vai ser a jornada de Danny, então é impossível tentar mudar as coisas. Danny está vivendo sua trajetória. A gente começa quando ele volta de K’um-Lun, está muito otimista, é ingênuo e tem vários problemas internos. No final de Defensores, ele se torna alguém com muito mais responsabilidades e mais com os pés no chão. Mas eu acredito no personagem. Ouço o que os fãs têm a dizer, e a resposta que recebi das pessoas desde a estreia, de quem assistiu aos 13 episódios, é basicamente de amor e apoio, compreensão e apreciação. Estou viajando o mundo, participei de vários Comic-Cons, encontro pessoas nas ruas e elas me dizem: “Não ouça o que falam na internet, a gente adora o programa”. Todo mundo diz isso para mim. Agora, o que um pequeno grupo de pessoas diz na internet é meio irrelevante, porque o público maior realmente entende o que estamos fazendo com o personagem e gosta do que estamos criando. Fico impressionado com isso.

Qual a coisa mais importante que vocês aprenderam com Danny e Matt?
Finn: Acho que persistência, integridade, manter-me fiel àquilo em que acredito.
Charlie: Uma das coisas que admiro em Matt é sua disposição, sua capacidade de ver o cenário como um todo e aí deixar-se a si mesmo e as suas necessidades de lado. Quero dizer, ele parece ter um certo complexo de Jesus, mas acho que sua capacidade de se autossacrificar é bastante admirável. Ele não tem aquela coisa de “e como eu fico no meio disso?”. Acho que, como seres humanos, muitas vezes passamos tempo demais pensando “mas e eu? Eu quero isso, eu quero aquilo”. Pensamos demais em nós mesmos, até como autopreservação. Acho que ele tem a capacidade de ser altruísta, de estar disposto a sacrificar seus desejos e necessidades pelo bem das outras pessoas. Considero isso admirável.

Onde vocês se veem daqui a dez anos?
Finn: Dez anos? Jesus, isso é muito tempo! Em cinco eu espero, basicamente, ainda estar fazendo esse personagem.
Charlie: Toda vez que termino um trabalho, me dou conta de que realmente estou vivendo meu sonho. Tenho muita sorte de fazer o que faço. Amo atuar e adoro a minha agenda – fico impressionado toda vez que penso em quanta sorte tenho. Mas com isso também vem o reconhecimento de que tudo pode ir embora, e um problema de se lutar tanto por esse sonho é que, se você o alcança, também pode perdê-lo, o que pode ser doloroso. Você foi aquele ator que teve um excelente trabalho e, de repente, não tem mais. É assustador pensar nisso. Portanto, meu sonho para daqui a dez anos é continuar trabalhando. Se eu tiver essa sorte, esse é o sonho.

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