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06 nov

Thaila Ayala

A atriz é entrevistada por Sophie Charlotte, também atriz e sua melhor amiga. Está imperdível!

POR Sophie Charlotte 2 MIN

06 nov

2 Min

Thaila Ayala

POR Sophie Charlotte

	

Olá, me chamo Sophie Charlotte e nunca fiz isso, de entrevistar ninguém na vida…

Primeiro, uma explicação: conheço a Thaila há mais de dez anos. Onze, na verdade. Eu tinha 17 quando ela me “escolheu” como amiga e resolveu me assistir na formatura de ballet clássico no Theatro Municipal de Niterói, no Rio de Janeiro. Ou seja, do outro lado da Baía de Guanabara.Jamais vou esquecer isso e nunca mais nos perdemos uma da outra. Ela sabe ser amiga. Mesmo!

De lá pra cá, são tantas histórias, tanta risada! Trabalhos, amores, viagens, festas, meu filho… Encontros e tropeços. Descaminhos e recomeços. Posso dizer que somos melhores amigas. Mais que friends, amigas! (risos). Mas sério, com ela posso ser eu mesma. E não importa o que aconteça nessa vida sempre vou estar aqui para ela. Porque somos testemunhas do tempo, uma da vida da outra.

Não sei fazer essa entrevista. Quero mesmo é declarar o meu amor por ela e dizer que sempre fui fã do seu estilo, da atitude espontânea e irresistível. E que a sua imagem segurando o meu filho Otto, pequenininho no colo, nunca vai sair da minha retina.

Mas vamos lá! Mesmo depois de tantos anos ainda tenho muito para perguntar e descobrir contigo:

Thaila é o ser humano mais pontual que conheço… Sério! Faça chuva, faça sol, Rio, SP ou NY, ela sempre está na hora, no lugar marcado! Como você consegue? O tempo anda num ritmo diferente do meu relógio e para você?
Na verdade, eu sempre chego pelo menos cinco minutos antes do horário marcado. E não, meu relógio não é diferente (risos). Fiz karatê na infância e, quando a gente chegava atrasado, perdia a aula. O professor não deixava nem assistir. Lembro que chorava muito já que era algo que eu contava cada segundo para chegar. Sofria quando me atrasava. Também joguei futebol e competi, então precisava de pontualidade. Como eu não era a melhor do time, se me atrasasse ficava no banco (risos). Depois fui modelo, um trabalho que se aguarda muito e, em seguida, comecei a trabalhar na Globo. Tenho trauma de espera e de fazer alguém esperar por mim.

Você saiu de casa muito cedo e foi modelar fora. Mesmo com a vida tão corrida, ainda tem raízes muito fortes na sua terra, Presidente Prudente (interior de São Paulo). Conta rapidamente a sua jornada e como sua família e lugar de criação te marcaram?
Uau é uma longa jornada! Com muitas histórias, mas vou tentar resumir (risos). Comecei no teatro da escola aos nove anos, e aos onze, subi no palco pela primeira vez, quando tive a certeza que queria fazer isso para sempre. O melhor presente que já ganhei na vida foi uma conta na locadora (detalhe: assisti a todos os filmes. Todos mesmo!). Com 13, tive que ajudar em casa, então fui trabalhar como babá, e aos 14, comecei a modelar para fazer algum dinheiro. Depois, peguei um ônibus e fui para São Paulo. Deveria ter uns 15 anos e 300 reais no bolso. De lá para cá tem muito chão, muitos tetos, solidão, dificuldades, dores e também muitas flores, conquistas, amor, encontros e realizações. Mas Presidente Prudente é minha raiz, e é dela que me nutro, não só pelo que vivi, mas porque minha família toda ainda está lá, e as recordações mais ricas também. Acho que o que mais me marcou foi o fato de saber ser feliz com tão pouco, digo em relação a coisas materiais. A simplicidade. A gente não tinha nada, a casa era dos patrões da minha mãe, morávamos de favor, nunca tivemos carro, só uma TV antiga que mal funcionava. Minhas roupas era minha mãe quem costurava. E estava sempre descalça, perdendo o tapão dos dedos dos pés jogando futebol na rua. Mas eu era muito feliz.

Você está começando a colher os frutos da sua ida para Los Angeles (EUA). Como foi essa decisão de tentar construiu uma carreira lá? E, normalmente, como é a sua rotina?
Nunca houve uma decisão de tentar construir uma carreira fora. Minha ida a Los Angeles foi uma surpresa. Peguei a protagonista na série Rio Heat, produção americana, mas gravada no Brasil. Fizemos o piloto e nos deram seis meses para voltar e terminar de filmar a temporada. Como eu mal falava inglês e a série era rodada no idioma, decidi ir para Los Angeles para estudar inglês e essa questão do sotaque. Fiquei um ano, e a série acabou não rolando, só que aí eu já estava namorando e fui ficando… No meio do ano passado, eu pensei: “Poxa, já que estou aqui, vou procurar um manager”. Uma semana depois de fechar com o meu agente, ele me mandou para o meu primeiro teste, o do filme do Pica-Pau, e eu peguei. Fui filmar em Vancouver, depois fiz três longas no Brasil e um em Nova York. Acabei não voltando mais para Los Angeles. Faz três meses que de fato voltei para LA e sentei com o meu agente para falar: “Ok, estou aqui. Fico mais alguns meses para tentar e ver qual é”. Na real, tem apenas três meses que estou com a intenção de sentir a indústria e ver se rola algo bacana. Minha rotina hoje em dia é bem quadrada (risos). Da aula para casa. Da casa para aula. Comer, comer e comer mais um pouco. Malhar, ir à igreja e, de vez em quando, uma festinha para tentar quebrar isso.

Agora, com o lançamento do seu longa Pica-Pau: o Filme, vi que você conseguiu fazer duas sessões para crianças de projetos sociais em que acredita. Sei do seu envolvimento humanitário, sei como você é generosa e caridosa… Como conseguiu realizar essas sessões e qual o efeito em ter realizado? Que causas e projetos te envolvem e como gosta de ajudar?
Cresci num bairro muito pobre. Minha vizinha já entrou em nossa casa para pegar arroz, então desde muito cedo eu sei que um pouco do seu “tempo, amor, carinho, comida, olhar” pode mudar a vida de alguém drasticamente. Eu sempre ganhei as gincanas de arrecadação de alimentos que a escola fazia. Batia de porta em porta, preparava um texto, fazia uma cena e nunca saia de mãos vazias. Acho que o grande problema do mundo é esse: nosso individualismo, a drástica diferença social que existe. Mas se todos fizessem um pouquinho e parassem de viver como robôs atrás de mais e mais para os próprios umbigos, o mundo seria outro. Hoje, estou envolvida com mais de dez instituições e inúmeros projetos. Cada um, eu ajudo como posso. Às vezes, com dinheiro, às vezes com carinho e atenção como a sessão do Pica-Pau, às vezes com necessidades básicas como o poço artesiano que acabei de fazer em Cimbres, na região do sertão de Pernambuco e por aí vai. Eu não posso mudar o mundo, mas eu sei que posso mudar o mundo de alguém e isso não só muda o meu mundo, como alimenta a minha alma.

Se pudesse mudar três coisas no mundo louco e desigual em que vivemos, o que escolheria para modificar?
Egoísmo, ignorância e violência. Mas acho que, na verdade, mudaria uma só: que todos conhecessem o amor de Deus, profundo e verdadeiro. Se todos soubessem realmente o que significa, acho que o mundo seria outro.

Que personalidade é uma referência para você?
Nossa! Tenho tantas que vou tentar não usar a página toda (gargalhadas). Vamos lá: Bette Davis, Cate Blanchett, Juliette Binoche, Fernanda Torres, Marieta Severo, Claudia Abreu, Adriana Esteves, Soft Bloft Bloom…

Filme da vida? Livro favorito? Música que mais fala ao seu coração?
Sophie, você já sabe essa resposta, piada nossa (risos). Mas vale o filme do momento? The Shape of Water (Guillermo del Toro, 2017). O livro é O Poder do Agora (Eckhart Tolle, 1997). Queria contar algo novo, mas quando se diz em “falar com o coração”: Beatles. E agora, Mosaic MSC (música da igreja Mosaic, baseada em LA).

Sei o quanto você se dedica e batalha profissionalmente… Mas quero saber o que fez que mais te trouxe realização pessoal e orgulho? E o que ainda quer realizar?
Tão difícil! Você sabe que cada trabalho muda a gente e traz coisas valiosíssimas. Acho que falando de realização pessoal foi O Matador (Marcelo Galvão, 2017), no qual faço apenas uma participação, mas por eu ter tido a chance de fazer uma personagem tão densa, diferente de tudo que já tinha feito. Uma nordestina de 1910, uma mulher de natureza tão selvagem, mas submissa ao marido e sem nenhuma vaidade. Foi muito realizador. Nem minha mãe me reconheceu quando me viu na tela. Putz,quero realizar coisas pra C%$#&*! Pode falar palavrão? Se essa entrevista não tiver um, não será minha (risos). E não falem isso em casa, é feio, eu sei! (mais risos). Tenho muita coisa a fazer, mas uma das paradas que mais tem feito meus olhos brilharem é dirigir um roteiro meu. Já tenho alguns escritos…

Acompanho desde sempre a sua profunda ligação com a fé, e sinto que a conexão está mais direta. Que lugar a espiritualidade e religião tem na sua vida?

Não acredito em religião porque, para mim, foi criada pelo homem e não por Deus. Também sou contra qualquer extremismo. Acho que só separa a humanidade e traz guerra entre pessoas que deveriam se amar e se respeitar. Mas minha espiritualidade é a minha vida. Sem ela não existo, toma à frente em tudo e é nela que me movo.

O que falta para você se sentir 100% plena e realizada?
Cara, eu me sinto bem plena e realizada. Talvez formar uma família. A minha família!
Te amo, te admiro e quero sempre seu bem!
Espero que tenha sido doce para você!
Que seja doce!
Beijo
Soft Bloft Bloom

 

 

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