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29 out

Tempo, Tempo, Tempo…

Um grande desafio! Como aproveitá-lo? É o que nos ensina Bruno Garfinkel, conselheiro da Porto Seguro e um artista quando o assunto é administrar esse que hoje é o maior luxo na vida de todas as pessoas

POR Simone Blanes 5 MIN

29 out

5 Min

Tempo, Tempo, Tempo…

POR Simone Blanes

	

Bruno Garfinkel tinha só 2 anos de idade quando Caetano Veloso cantava sua Oração ao Tempo: “Compositor de destinos/tambor de todos os ritmos/Tempo, tempo, tempo, tempo/Entro num acordo contigo…” Mas é hoje, aos 40, que talvez esses versos caiam como uma luva para ele. Isso porque, mesmo fazendo parte do Conselho de Administração da Porto Seguro, maior seguradora de automóveis do Brasil, Bruno passa longe do estresse e da falta de tempo, males que acometem grande parte da sociedade, em especial os altos executivos. Ao contrário: se tem uma coisa que ele sabe fazer, e muito bem, é administrar seu tempo. “Depois dos 35, já tinha realizado muita coisa, e me questionava se poderia fazer algo a mais. 

Aí comecei a pensar nessa questão do tempo, a única coisa que não conseguimos multiplicar. Fazer dele o melhor para que passe devagar. Como? Tendo muitas experiências em breves espaços. Algo que dependia só de mim”, explica Garfinkel, que passou, então, a anotar tudo — o que precisava e o que gostaria de fazer — em seu bloco de notas no celular. Detalhe: em ordem cronológica e com direito até a atividades que mereciam ser pesquisadas antes de entrar em sua lista de prioridades. “Dividi entre família, trabalho, esporte e experiências. E descobri outra diversão: fazer isso funcionar.” Tanto que, ano passado, Bruno deixou a diretoria de automóveis da companhia para se dedicar mais a essas vivências, que trazem benefícios inclusive à própria Porto Seguro. “Além de acionista, eu sou investidor. Penso no que é bom para o crescimento da empresa. E se posso contribuir com pesquisas, trazendo tecnologias e inovações, isso me satisfaz. Por exemplo, inspirei o projeto de um aplicativo que diz se a pessoa está dirigindo bem ou não. A cada semana, o motorista recebe um e-mail com uma pontuação e pode ganhar até 30% de desconto no valor contratado. Essa ideia surgiu numa das minhas viagens”, conta. “Todas essas experiências são úteis em discussões que levo para o trabalho, mas também para a educação dos meus filhos e meus interesses pessoais. Elas são valiosas em tudo: desde visitas à Nasa ou a empresas no Vale do Silício até em esportes que eu pratico.” Das atividades físicas, por exemplo, ele trouxe a disciplina. Em especial do triatlo. “Não é uma coisa de talento, e sim de organização. Você coordena seu tempo para cumprir os treinos ou uma prova. Então, além da minha agenda na Porto, faço triatlo uma vez por ano. Surfe também, assim como viagens com meus filhos, Nicolas e Zac. Estou ainda fazendo um curso em Harvard, nos Estados Unidos. Já tenho a agenda programada até 2020”, sorri. Mas e os imprevistos da vida? “No começo, eu me frustrava quando deixava de fazer algo, mas não pode ser um estresse. Em 2017, treinei para fazer a maratona de Chicago, só que tive que arrancar o dente do siso. Então, transferi a experiência para este ano, na maratona de Nova York.” Resoluções de Ano Novo então, nem pensar… “Nessa época, já tenho tudo escrito há um ano”, diverte-se. Próxima parada: surfar na piscina de ondas do surfista Kelly Slater, na Califórnia. “Estou empolgado, é algo raro de conseguir. Fechei uma semana para também visitar algumas startups por lá”. Ou seja, o que Bruno faz de melhor é justamente unir o útil ao agradável, até porque, para ele, tempo é coisa séria. Mas tem lá seus “déficits”: pretende se dedicar mais à parte espiritual — quer aprender a meditar, embora assuma “ter pânico” de retiros — e a projetos sociais. “Este ano, comecei a me engajar. Fui convidado pelo pessoal da Arcah (Associação de Resgate à Cidadania por Amor à Humanidade) para um trabalho com moradores de rua. Mas sei que ainda é pouco.” Também quer inspirar mais as pessoas. “Se eu puder fazer a diferença para uma, já fico muito feliz. É o que mais gosto, o lado humano. Algo que as máquinas nunca vão conseguir substituir”, sorri. Uma coisa, porém, é certa: Bruno não quer mais correr contra o tempo. E sim aproveitá-lo como o maior luxo que existe. É o que pede o relógio do triatleta nessa impressionante arte de conduzir o tempo que ele domina e agora, mais do que nunca, pontua seu momento de vida. Até porque, vamos combinar, o tempo — independentemente do prazo — resolve tudo. 

Foto: Romulo Fialdini

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