TOP Magazine

Linha de frente

Grazi Massafera é do time de pessoas que nasceram para brilhar: fato

POR Selton Mello 5 MIN

02 ago

5 Min

Linha de frente

POR Selton Mello

	

Grazi Massafera já estava com sua bela trajetória traçada pelos roteiristas celestiais. Qual será o ingrediente mais forte para tamanho sucesso? Eu arriscaria um que salta aos olhos: a simplicidade. Desde sua história familiar humilde até os dias de hoje, Grazi continua uma pessoa simples. Muita água passou debaixo de sua ponte, poderia encontrar motivos para perder sua essência, mas isso não ocorreu. E o público, atento, percebe esse diferencial. Venceu obstáculos, preconceitos, dificuldades de toda parte e foi mais longe do que podia supor. E tenho certeza, vai bem mais além. Porque ela é pássaro com asas para voar longe, arrebatando os estreitos de espírito, mas não se surpreendendo pessoalmente, porque ela própria sabe que suas forças são grandiosas.

Sua performance em “Verdades Secretas” foi um divisor de águas em sua vida. Ali, teve a chance e a coragem de dar um salto gigante, pulo esse que muitos julgavam uma utopia. Mas acho que ela gosta de desafiar o impossível. Na verdade, sinto que ela aprecia cada vez mais esse embate com o que julgam inalcançável.

Como alguém um dia disse: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Uma mulher possível, testando os limites do improvável. E a crítica, o aplauso dos colegas, os prêmios vieram coroar este momento merecido de vitória pessoal.
Fiquei surpreso pelo convite de ser um interlocutor para ela nessa revista tão bacana, me senti honrado, porque faço parte de sua torcida. Seu jeito espontâneo cativa por onde passa. E vai iluminando seus caminhos. Tem gente que nasceu para brilhar. Fato. Grazi Massafera é da linha de frente desse grupo.

Confira os melhores trechos da entrevista de Selton Mello com Grazi Massafera!

Selton Mello: Eu tenho uma teoria, de que tudo da gente – o nosso caráter, a nossa formação, as coisas que a gente ouviu e que ficaram gravadas na mente – foi construído na infância. Então me conta, você nasceu onde?
Grazi Massafera: Nasci no interior do Paraná, numa cidade chamada Jacarezinho, com 38 mil habitantes. Minha avó teve 17 filhos, então imagina quantos sobrinhos… Cada tia teve quatro ou cinco, então é uma galera boa. Eu nunca precisei fazer amigos, porque a família sempre foi grande (risos). Era muita gente pra dar atenção. Na cidade eu tinha alguns poucos amigos, e aqui continua assim. Brinquei bastante, brincadeiras que eu vejo que a minha filha não consegue fazer: brincar na rua, queimada, vôlei, amarelinha, subir e roubar a mexerica na árvore do vizinho, comer fruta no pé. Tenho muita lembrança da minha avó – eu e ela sentadas no meio-fio comendo frutas. Meu pai sempre foi pedreiro, minha mãe, costureira, e eles mantêm esse trabalho até hoje, o que me deixa muito orgulhosa dos dois. Lembro que o primeiro filme a que assisti foi d’Os Trapalhões, quando meu pai fez um cineminha lá em casa e chamou toda a criançada da região.

SM: Você assistia muita TV e tinha o sonho de ser atriz ou nem imaginava, por ser um negócio bem distante da sua realidade?
GM: Não, minha imaginação não chegava a esse ponto. Não pensei que fosse virar atriz, mas eu brincava disso imitando a galera toda lá em casa (risos). Eu brincava de jornal, colocava a bancada e dava as notícias. Eu ia pra frente do espelho e fingia que estava no Arquivo Confidencial do Faustão (risos). Era coisa de menina sonhadora que ficava sozinha em casa imaginando e inventando coisas. Minha mãe sempre me estimulou muito a sonhar, a realizar coisas que eu acho que ela não teve coragem de fazer, sabe? Eu comecei desfilando em concurso de beleza, e via muita coisa assim, tipo concurso do Silvio Santos, programa de auditório…

SM: E você quis ir pro “Big Brother” ou alguém viu e te chamou? Como foi isso?
GM: Não. Umas amigas minhas falaram que deveria me inscrever. Só que eu achava que era tudo mentira, carta marcada, e que não valia a pena. Me inscrevia em tudo que tinha, mas chegou uma hora que cansei. Teve um concurso pra escolher a “Garota Azaleia”, e hoje, ironia do destino, trabalho com eles há dez anos. Mas meu objetivo era ganhar dinheiro, né? No “Big Brother”, foram duas amigas minhas que me inscreveram, sem eu saber. Até hoje não sei o que elas escreveram na ficha, e o vídeo foi gravado um dia antes de eu ir para o Japão e China, onde fui participar de um concurso de beleza. Foi a primeira vez que viajei para fora do país. Fiquei quase um mês lá. Quando voltei, recebi uma ligação da Globo dizendo que eu tinha passado, aí marcaram a passagem, eu fiz a pré-seleção e fui chamada para entrar no programa. Isso foi em 2004/2005.

SM: E depois disso começou a atuar?
GM: Me chamaram para fazer a Oficina da Globo. Eu disse para eles que estava recebendo muitas propostas de trabalho, como presenças em eventos, mas não achava que servia para aquilo. Não sabia se tinha capacidade para desenvolver essa profissão.

SM: Como você lidou, até “Verdades Secretas”, com o preconceito? Foi muito doloroso?
GM: Um ano depois que abandonei a Oficina da Globo, eles me ligaram e disseram que estavam dispostos a apostar em mim. Perguntaram se eu daria essa chance a eles. Quando isso saiu da boca de pessoas que eu admirava e vi que iria trabalhar com profissionais que cresci vendo na TV, como o Tarcísio Meira, parei e pensei: “Pera, se eles estão acreditando em mim, como eu não vou acreditar também?” Aí nasceu um bichinho ruim ali dentro, no bom sentido (risos), de foco, obstinação e força. A minha mãe é uma mulher muito forte e me passou isso… Fui ganhando o meu espaço enquanto todo mundo se incomodava, mas eu só estava ali fazendo o meu e era o que importava. Aprender uma nova profissão é difícil, ainda mais sem base nenhuma, sem nunca ter estudado aquilo, então achava que as pessoas estavam certas em me criticar. Eu que estava me metendo num lugar em que não sabia o que estava fazendo ali, então algumas críticas eu lia, e pegava aquilo para me ajudar a evoluir. Outras achava que era só pra preencher coluna. Mas eu sofria, sofro até hoje, só que nas primeiras horas. Depois tento reverter isso, senão minha mente paralisa.

SM: Qual é a pergunta que você acha mais chata de responder em entrevistas?
GM: Você tá namorando?

SM: Qual é a pergunta que você adoraria responder em entrevista, mas que nunca fazem?
GM: Olha, geralmente quando eu vou para uma entrevista, faço uma prévia de tudo que eu queria falar de verdade, mas que não falo. Ai, difícil, Selton (risos)!

SM: Qual é a sua palavra favorita?
GM: Amor. Eu sou muito clichê, gente (risos). Sou canceriana.

SM: O que você fez no seu último aniversário?
GM: Fugi para uma fazenda no interior de Minas. Faço isso há dois anos, acho muito legal. Adoro que as pessoas lembrem de mim, mas não gosto de fazer festa. Me escondo no meu aniversário. Fui pro meio do mato. Minha astróloga me mandou ir lá pra Buenos Aires, mas não sei se vai dar (risos).

SM: Que nota você dá para sua memória?
GM: Puuutz… 4! Eu esqueço de tudo, e quando eu estava grávida, esquecia mais ainda. Demorou para voltar ao normal.

SM: Você gosta de beber?
GM: Não curto muito sentar num bar e beber cerveja, por exemplo. Gosto de tomar um whisky cowboy. Regulo na água, sabe?

SM: Você tinha apelido na infância?
GM: Lagartixa! Porque sou muito branca e minhas veias são verdes, aí chamavam de lagartixa, Olívia Palito, macho-fêmea (por causa do Massafera). Nada a ver (risos), mas teve de tudo um pouco!

SM: Tem alguma música recente ou algum cantor que esteja ouvindo mais?
GM: Eu fui em um show que passou do José González que eu fiquei doida! Ele é sueco, criado na Argentina. Estou ouvindo as músicas dele há umas duas semanas, fui ao show e fiquei fascinada! A menina que abriu o show dele, a Lucy Rose, também é maravilhosa. Eu escuto de tudo um pouco, sou totalmente musical.

SM: Se você lá na frente fosse fazer um filme sobre você, esse filme ia ser mais comédia ou mais drama?
GM: Ah, as duas coisas! Seria tipo aquele “Relatos Selvagens” (Damián Szifron, 2014). Eu me identifiquei muito com aquilo (risos).

Veja as Fotos

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO