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30 dez

Superman das Pistas

Destaque da Stock Car, Tuka Rocha é daqueles caras para admirar... e querer casar! Bonitão, bom partido e herói do automobilismo, o piloto arranca suspiros a cada volta

POR Simone Blanes 3 MIN

30 dez

3 Min

Superman das Pistas

POR Simone Blanes

	

Parecia cena de filme. Três de julho de 2011, durante uma corrida da Stock Car, um carro começa a pegar fogo. Até que a porta abre e Tuka Rocha se joga para fora, com o veículo em alta velocidade. Imagens impressionantes, que passavam ao vivo na Rede Globo. O piloto ainda levanta, ergue os braços e, por fim, desmaia. Como fez isso? Ao certo, nem ele sabe. “Foi por instinto. Na hora, tinha certeza de que se não fizesse alguma coisa, eu ia morrer”, conta. “A fumaça era tóxica. E, quando pulei, tive uma alegria muito grande. Porque tudo poderia dar errado: tirar o volante, abrir a porta, pular sem ficar enganchado em nada, e ainda não ser atropelado por nenhum carro. Fora cair exatamente daquele jeito e levantar: foi um milagre!”, lembra Tuka, que ali, em sua sexta corrida pela categoria, provou ter a audácia de um verdadeiro herói. Não à toa, os amigos o chamaram de Superman. “Eu me surpreendi quando vi as imagens na televisão do hospital. Foi num intervalo do jogo do Brasil”, diz. “Na hora do acidente, também pensei na minha mãe, que estava lᔝ, lembra o piloto, ao falar carinhosamente de Lívia Rocha, sua maior incentivadora ao lado do pai, Antônio Sergio, de quem herdou o apelido. “Meu nome é Christiano, mas me chamavam de Tukinha por causa dele. Agora é Tuka. Até na minha carteirinha desportiva está escrito assim”. O pai, aliás, foi também a maior influência para seguir a carreira. “Quando ele e meu tio corriam de kart, eu era pequeno, e ele não me deixava correr”. Só que, a partir do momento em que teve essa permissão, o garoto mostrou a que veio: foi tricampeão brasileiro de kart, marca só alcançada por Ayrton Senna e Rubens Barrichello. “Era mais dedicado que os outros. Ganhei meu primeiro campeonato aos 9 anos e fui até os 17. No último ano, corri o mundial de kart com mais de 200 pilotos, inclusive o (Lewis) Hamilton e o (Nico) Rosberg”. Em 2008, Tuka ainda ganhou um contrato para competir pelo Flamengo na Superleague. “Eram os principais times de futebol do mundo, e o Brasil foi representado pelo Flamengo e Corinthians. Na primeira corrida, cheguei em segundo lugar, e o hino do Brasil foi executado em Dogninton Park, na Inglaterra, com 93 mil pessoas”, relembra ele, que, mesmo defendendo o rubro-negro, não esconde sua paixão pelo Timão. “Ah, mas Corinthians e Flamengo estão ali, né? São parças, sorri. Só que nem tudo eram flores… Acompanhar os estudos, por exemplo, era bem difí­cil para Tuka. “Tinha que dar um jeito (risos). Precisava agradar os professores e contar com o auxílio do colégio, ou poderia repetir por faltas. Aula particular, então, fiz muita. Mas o que me ajudava mesmo era o bom relacionamento com todos”, conta. As dificuldades, porém, estavam só começando. “Parei porque fui morar em Barcelona. Era minha profissão. O mais difí­cil foi viver na Áustria. Eu não falava alemão, não tinha informação, a internet era aquela discada e olhe lá. Morria de saudade da minha famí­lia”. Foi nesse momento que pensou em desistir. “Chorei muitas vezes, sozinho. Só não larguei tudo porque o automobilismo é a coisa que eu mais amo na vida”, comenta. “As coisas melhoraram um pouco quando fui morar em Padova, na Itália. Estava numa equipe maior e era perto de Veneza, uma cidade grande. Mesmo assim, era complicado”. O espí­rito de vencedor de Tuka, no entanto, falou mais alto, e ele seguiu em frente. Teve sua virada no exterior, mais precisamente em 2006, quando conquistou sua primeira vitória na Europa. “Foi legal. Gerou muita notí­cia e me abriu portas”, diz o piloto, que, além de correr pela Fórmula 3000 Euroseries, ainda ganhou um contrato para integrar a equipe de Emerson Fittipaldi e Ronaldo Fenômeno e representar o Brasil na categoria A1GP, a Copa do Mundo do Automobilismo. Nelsinho Piquet era o titular, Tuka, o reserva. “Viajei o mundo e aprendi muito”. Retornou ao paí­s e em 2011 fez sua estreia na Stock Car. De cara foi eleito revelação. O resto é história. Hoje, aos 35 anos, tem seu foco total na Stock Car, uma das categorias mais profissionais do planeta, e acaba de ser contratado por uma nova equipe sediada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Também se dedica à sua escola de kart, Tuka Racing School, única licenciada pelo Instituto Ayrton Senna. “Fiz um contrato para ser o representante da marca Senninha, como professor”, diz ele, que já já será dono de um complexo de automobilismo em São Paulo. Tudo pelo prazer de ensinar as muitas crianças que fazem seu curso, e que ele adora. “Sou doido por elas”, diz. Tanto que não vê a hora de ter seus filhos. Só falta a namorada. “Ainda não apareceu a mulher certa. Mas não sou contra namorar, pelo contrário”, afirma o piloto, para a sorte das moças de plantão. Bonitão, ele ainda é adepto ao triatlo (“Já fiz até o Ironman”), empreendedor, “num futuro próximo, quer ter sua própria equipe e uma empresa de marketing esportivo”. E, como bom apaixonado pelo ofí­cio, mantém uma coleção que remete aos seus í­dolos: os capacetes de grandes pilotos como Senna, Hamilton, Rubinho Barrichello e Xandinho Negrão, de quem, aliás, foi padrinho de casamento. Na real, Tuka só tem um defeito: não dirige muito bem… Nas ruas. Como assim? “Não tenho muita paciência”, sorri. Bom, para um campeão que desbrava as pistas de corrida, é até perdoável, não? O que não dá para entender é nosso gato da Stock Car ainda estar sozinho… Se bem que, sabendo de tudo isso, alguém duvida de que vão sobrar candidatas a cuidar – e muito bem – do coração de Tuka? Mas, enquanto isso não acontece, cabe ao Brasil aclamar esse herói do automobilismo. Vida longa ao campeão!

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