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31 jan

Sophia Abrahão

Conversamos com a atriz, cantora e apresentadora que arrasta multidões

POR Simone Blanes 5 MIN

31 jan

5 Min

Sophia Abrahão

POR Simone Blanes

	

 

Gente famosa tem bastante. Mas a real força de um artista se mede quando, de alguma forma, consegue tocar as pessoas. No caso de Sophia Abrahão, vai além: ela literalmente arrasta multidões. Aos 26 anos, é um fenômeno multimídia que canta, dança, atua, compõe, apresenta o Vídeo Show – agora é fixa no programa – e ainda administra suas redes sociais, que bombam a cada post. Só no Instagram, são mais de 4 milhões de seguidores… Impressiona mais, porém, quando se tem a oportunidade de presenciar seu carisma ao vivo. Lembro, por exemplo, de uma vez em que cobria a inauguração de uma loja em um shopping de São Paulo, em 2014. Na porta, uma aglomeração de fãs ardorosos, com seus celulares em punho. Provavelmente estariam ali porque eram esperadas algumas estrelas de TV, pensei eu. Só que não! As outras atrizes chegaram, posaram para fotos, entraram, nada demais. Isso até chegar Sophia. E, com ela, uma comoção. Ao parar em frente ao estabelecimento, iniciou-se um barulho ensurdecedor de pessoas gritando seu nome, com lágrimas nos olhos e tentando a qualquer custo chamar sua atenção. Ela abriu um enorme sorriso e fez questão de chegar perto, fazer selfies e, na medida do possível, atender quem se encontrava por lá. Sabia que toda aquela gente, na verdade, estava ali por ela. “É por causa da música”, diz Sophia, que recentemente lançou o EP Dance com o já sucesso Rebola, single em parceria com o DJ Boss In Drama. Sim, cantores costumam movimentar fãs que os seguem por toda parte, mas com aquele episódio do shopping, confesso que só vi algo parecido em shows de grandes estrelas internacionais. A diferença, porém, é que ela está ali! É acessível, afável, simpática, carismática, agradável e faz jus a toda sua fama de ser gente como a gente, sem frescuras e estrelismos. Sophia é nossa!

Como entrou nesse universo artístico?  Eu nasci em São Paulo e comecei como modelo. Fazia comerciais, até que surgiu um teste para Malhação (2008). Era mais uma experiência para ajudar com texto, só que eu passei. E durante dois anos, morei no Rio, enquanto fazia a novela. Dali, não parei mais… Fiz Bicicleta e Melancia (2010), Confissões de Adolescente (2010 no teatro e 2014 no cinema) e emendei em Rebelde (2011), que foi um divisor de águas na minha vida, porque ali eu realmente descobri a música. Antes, até me arriscava com um violão em rodas de amigos, mas com a novela veio a banda e muitos shows em turnês enormes. Gravamos CDs, era tudo profissional. Outro ponto importante da minha carreira foi voltar para a Globo, em Amor à Vida (2013), quando fiquei ruiva. Depois ainda teve Alto Astral (2014) e A Lei do Amor (2016, em que atuou na primeira fase).

Mudou muito de Rebelde até hoje? Mudei. Amadureci, estou cada vez mais leve, me sentindo melhor com a minha aparência, com o meu lado profissional. Sou mais resolvida, embora ainda tenha um longo percurso pela frente. Mas respiro melhor, penso mais antes de falar e fazer as coisas, me preocupo menos com a opinião dos outros e me sinto muito mais segura.

A maior parte dos seus fãs é  jovem, mas agora está conquistando um público mais adulto, não é? Sim. Isso começou com a Dança dos Famosos (2016 – Sophia terminou em segundo lugar). Além da intensa experiência em aprender um ritmo que você nunca viu na vida em quatro dias, foi gratificante perceber que, mesmo parecendo um desafio impossível, fazia e as pessoas curtiam. Fora que me levou a um público mais velho, que não está necessariamente na internet, e passou a me conhecer também.

No Domingão, acho que deixei de ser “aquela menina da novela” e realmente virei a Sophia Abrahão para essas pessoas. Deu uma guinada na minha imagem assim como o Vídeo Show, que sou eu ali, ao vivo, em um programa de uma hora quase todos os dias. Fico feliz em perceber como cresci nesses nove meses como apresentadora.

Concorda com “quem sabe faz ao vivo”? Ao vivo é mais do que improviso, é um exercício. Eu faço coaching e tanto na Dança dos Famosos como no Vídeo Show vejo o quanto o conhecimento compensa. Se estudo, sei o que está acontecendo, estou ligada, fica tudo mais fácil. Estou desenvolvendo áreas do cérebro que eu nem sabia, porque em um programa ao vivo tudo pode mudar de uma hora para outra, é muito dinâmico. Por isso temos que estar muito concentrados. Outra coisa: agora não perco nada da grade da Globo, porque se vou apresentar alguma cena, eu já vi e tenho uma opinião formada sobre aquilo. Então, é prática mesmo.

Faz tudo isso e ainda tem tempo de cantar, fazer turnê e administrar seus 4 milhões de seguidores no Instagram. Fora seus milhares de fãs, com quem consegue se comunicar com frequência… Meu relacionamento com os fãs – conhecidos como “tirulipos” – é bem intenso. Eu tenho várias plataformas nas redes sociais e tento interagir com eles todos os dias no Instagram, por exemplo, e em outras como o Twitter, três vezes por semana. Também tem o Vlog e o Facebook. Acho que a nossa relação funciona porque é de verdade. Se eu puder definir em uma palavra é intensidade.

Lembro de uma inauguração de uma loja num shopping e uma multidão à sua espera… A que se deve essa paixão desenfreada? Qual a maior loucura que já fizeram por você? É por causa da música. Ninguém faz essas coisas por atores, e sim por cantores. Eu falo para eles: vão descansar… Porque dormem no aeroporto. Fiz show em dezembro, que começava às 9 da noite, e estavam lá desde as 7 da manhã. (Risos.) Gente, não precisa! Agora, sabe o que é mais legal? Virou uma rede de amizades. Minhas mídias sociais são uma espécie de chat entre eles, que ficam amigos, arrumam namorados e namoradas, se unem por conta de um interesse em comum, que neste caso sou eu, mas que poderia ser qualquer outra coisa. A questão que me deixa feliz é saber que de certa forma eu acabo unindo pessoas.

Já que a música faz isso, vamos falar dela… Conta um pouco de Rebola. É uma parceria com o DJ Boss In Drama, que eu conheci recentemente, mas já era fã do trabalho dele. Rebola é super para cima, solar, dançante, e que espero que as pessoas curtam bastante.

E sobre parcerias, com quem sonha fazer uma? Sonho da vida? (Risos.) Eu amo o Paul McCartney, e dos contemporâneos, o Bruno Mars.

Por que não? Já fez algum movimento para uma carreira internacional? Não penso nisso, não é o meu foco. Quero crescer como apresentadora. Seria muita pretensão minha falar em ter um programa próprio, mas visualizo essa carreira a longo prazo.

Mas continuará fazendo shows? Como lembra das turnês de Rebelde? Sim. Tenho muita saudade daqueles anos que passei fazendo shows. Fui pelo país inteiro, a gente tinha três apresentações por semana, e foi um momento de descoberta dos fãs e quando eu percebi a minha paixão como cantora, pela música. Para essa nova turnê, que comecei em dezembro, a intenção é continuar este ano. Quero ir para o Nordeste e para o Sul.

Outro assunto que fala bastante é a moda. Alguma inspiração no mundo fashion? Sempre fui fã da Kate Moss, é meu ícone como modelo. Também adoro a Cara Delevingne e a Kristen Stewart, mulheres que vestem um jeans e camiseta e são super cool. Ah, e Lady Kate (Middleton), maravilhosa, que não tem medo de repetir roupa, faz hi-lo o tempo inteiro e fica incrível. Me identifico com esses ídolos mais reais, que são influentes mas verdadeiros.

Na prática, como é seu estilo? Sou muito básica, ando quase de uniforme no dia a dia. (Risos.) Camiseta, jeans, tênis, roupas legais e confortáveis, porque é tanta correria que não tem como ser de outra forma. Pego avião, carrego mala, corro de um lado para outro. Claro que gosto de me arrumar, sou vaidosa, mas é uma grande besteira achar que uma pessoa pode estar montada todo dia. Ninguém tem essa disciplina, então também saio sem maquiagem e com o cabelo preso. Tenho uma vida normal.

O corpo e a boa forma são uma preocupação? Na minha profissão, infelizmente isso é uma exigência. Às vezes tenho que me preocupar um pouco com isso, mas não é o norte da minha vida. Gosto de comer e não me travo com alimentação. Vou à academia, mas não sou pirada com dieta e malhação. Não é uma neura na minha vida. Tudo é caminho do meio, não dá para ser extremista, mas também não dá para largar mão por questões de saúde. Acho que tento manter o meio termo.

 

Você tem “Let it Be” (nome de uma música dos Beatles) tatuado na costela. O que significa? Embora não seja uma canção do meu Beatle favorito, Paul McCartney, e sim do John Lennon, essa frase me ajuda a lembrar que tenho que relaxar um pouco e, às vezes, pisar no freio. Também a ter mais fé de que tudo vai dar certo. Sou ansiosa e fiz a tatuagem durante uma fase de mudanças na minha vida, quando voltei para a Globo. E como sempre fui muito preocupada com o futuro, fiz pela mensagem de deixar as coisas acontecerem.

Suas constantes mudanças na cor do cabelo chamam a atenção. Por que muda tanto? Eu gosto muito de mudar, sou geminiana, e estou em constante transformação. Acho que cada cabelo representa uma fase da minha vida, e eu curto isso.

O que gosta de fazer quando não está trabalhando? Dormir é maravilhoso. Comer (risos) e palavras cruzadas! O Sérgio (Malheiros, namorado de Sophia) me disse que eu precisava de um hobby na vida, já que sou muito focada em trabalho. Então, voltei a fazer palavras cruzadas, algo que amo, e consigo deletar tudo ao meu redor.

Falando no Sérgio, vocês já moram juntos. Mas e casar, tem vontade? Tenho, mas não da maneira tradicional, com aquela visão mais romântica. Quero casar, constituir uma família, gosto da ideia de estar com alguém, quero ser mãe, mas não penso na cerimônia do casamento em si, e sim em uma coisa mais para os íntimos, uma festinha, bem mais básica.

Já tem planos para filhos? A ideia de ser mãe é muito presente mim. Idealizei ter aos 30 anos porque a minha mãe me teve nessa idade, só que vou adiar um pouco. Até porque essas ideias de relógio biológico e convenção dos 30 são uma grande bobagem (risos). Mas é, sim, uma das minhas maiores vontades.

Adotaria uma criança? Eu e o Sérgio já falamos em adoção. Tem casos tanto na família dele quanto na minha, e seria uma ideia genial. No Brasil, ainda não chegamos ao modelo ideal pelo excesso de burocracias, mas fico feliz também que as pessoas estejam cada vez falando mais sobre esse assunto.

Qual a frase que leva como lema? Tem uma frase de Jean-Paul Sartre, que tinha num quadrinho que minha mãe me deu e estava no meu quarto: “O importante não é o que fizeram de nós, e sim o que fazemos com o que fizeram de nós”. Quando eu era mais nova, não fazia muito sentido para mim, não entendia o real significado dela, mas hoje em dia, tento usá-la diariamente para contornar as situações e as coisas que vão acontecendo na minha vida.

O que é liberdade para você? É tudo. Hoje, por exemplo, encontrei uma liberdade artística que não tinha antes, musicalmente falando. Pela primeira vez, sou completamente eu, e o público percebe isso nos shows, é impressionante. Claro que tenho parcerias em composições, produção musical, arranjos e tudo mais, mas acompanho cada etapa. Então liberdade é isso: poder se mostrar e ter sua opinião, claro, respeitando os momentos. Após 10 anos de profissão, vejo o quanto gosto de ser livre.

Sobre temas que estão aí, sendo discutidos diariamente em pleno século 21 e tratados até em novelas da Globo, como a violência contra a mulher e as questões de racismo e preconceito, você, sendo uma pessoa pública e com uma voz forte, principalmente entre os jovens, como lida com eles? Tenho um diálogo sincero e de troca nas redes sociais. Funciona porque é real. Tento ensinar com experiências, e eles também me ensinam muito. Ouço todo tipo de situação. Grande parte do meu público, por exemplo, é homossexual, e já escutei relatos assustadores de gente que é expulsa de casa, não pode falar, é agredida na rua. Fico feliz em termos esse lugarzinho nosso em que podemos conversar e dar amor a essas pessoas. Eu não sou gay, não sou negra, então jamais poderia falar como se fosse, porque não passei por essas coisas, mas estou totalmente aberta a eles. É muita ignorância não entender que essas pessoas estão apenas pedindo ajuda, e que um toque de amor já é muito importante.

E o Brasil, em termos de crise política e essa realidade complicada que vivemos atualmente. Acha que tem jeito? Difícil, né? Estamos passando por um momento sombrio, de reflexão e de parar para entender que o próximo passo é obvio: o Brasil tem solução sim, e a única maneira é pela educação. Temos que nos tornar menos ignorantes, porque a única forma de ir para a frente é por meio da educação e do diálogo.

O que te faz ter vergonha de ser brasileira? O tal jeitinho brasileiro. Isso me incomoda demais, desde ações pequenas como a pessoa dar um gato para conseguir assistir à TV paga até esse grande sistema de corrupção e roubalheira em que estamos faz tanto tempo e não é fácil sair.

E o que te faz ter orgulho? Do otimismo dos brasileiros. Converso com muita gente de etnias e classes sociais diferentes, e me toca ver a vontade das pessoas em melhorar, em chegar no fim do dia e agradecer, curtir as pequenas coisas, ser feliz do jeito que é, com o que tem. É um povo para cima e muito acima da média nesse quesito otimismo.

Você é feliz? Eu sou feliz, sim. (Risos.) Talvez seja ansiosa e imediatista para pensar no futuro, mas estou aprendendo a valorizar cada vez mais o aqui e agora. Porque quem não aproveita o caminho acaba se perdendo. E tenho aprimorado esse prazer de curtir o percurso e agradecer. Ter eixo, raiz, isso tudo me deixa feliz.

Para você, o que é mais importante na vida? Paz. De um tempo para cá, tenho vivido com mais paz dentro dos meus relacionamentos, sejam eles familiares, profissionais, amoroso, de amizade. E, como disse, aproveitando mais meu tempo. A verdade é que a gente precisa de paz. Problemas todos vão ter sempre, ninguém está livre disso, mas a partir do momento que entendo que para tudo existe uma solução, vai me dando aquela paz, sabe? Em coisas bobas, do dia a dia, que antes me estressavam e agora não mais. Isso está realmente me fazendo muito bem.

 

(Colaborou: Vanessa Piovezan)

 

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