TOP Magazine

26 dez

Sanduíche de Talento

Um dos herdeiros da fabricante de pães que tem seu sobrenome, Gabriel Wickbold é um artista conceituado e internacional. Fotografa, pinta, canta, toca e compõe

POR Ronny Hein 3 MIN

26 dez

3 Min

Sanduíche de Talento

POR Ronny Hein

	

Wickbold é uma grande marca de pães e produtos correlatos, que começou com uma padaria no bairro do Brooklin, em São Paulo – a Allemanha – e hoje é uma das maiores indústrias do setor. Quase 80 anos depois, Gabriel Wickbold, um dos herdeiros, é o que se poderia chamar de um sanduí­che de talentos. Não: ele não faz pão, como outros membros do clã. Gabriel fotografa, pinta, canta, compõe, toca e cria. Filho da artista plástica Jane Wickbold, ele não se assemelha em nada com os genes alemães que carrega no corpo. “Estou mais perto do perfil de um árabe”, ri-se, a pele morena e o nariz ao estilo semita. Poderia ser uma ovelha negra da famí­lia, se não fosse tão bem-sucedido como artista múltiplo. Aos 33 anos, já tem projeção internacional. Suas obras são conhecidas pelas melhores galerias de arte do mundo. Acaba de expor pela segunda vez na Art Basel, em Miami. É representado, no exterior, pela famosa negociante de artes Bianca Cutait. E parece não ter limites. Descobriu a arte aos 12 anos, ao escrever um livro de poesias. Aos 14, começou a tocar e cantar e aos 18 montou um estúdio na mesma casa onde, ainda hoje, funciona sua galeria. Em pouco tempo, convivendo com artistas profissionais, convenceu-se de que não possuí­a o que chama de “talento outstanding”. Mas seguiu na busca e foi experimentar a fotografia. Em 45 dias de viagem pelo Rio São Francisco, descobriu com suas lentes um novo paí­s, uma nova gente e um novo olhar. Por volta de 2008, alguém lhe pediu que fotografasse um modelo coberto de tinta. Pensou em como fazer, estudou tintas e realizou um trabalho, agora sim outstanding (espetacular, em tradução livre). “Achei aquilo mágico. E comecei a fotografar cada vez mais gente pintada e colorida na série que chamei de Sexual Colors, conta. O trabalho ganhou repercussão e logo ele foi chamado para retratar Adriane Galisteu, pintada de preto, para a revista Veja, e outras mulheres famosas que se encantaram com o resultado. O primeiro job temático revelou seu talento: “Transformar, pela arte, o homem em uma instalação”, explica. Em seu segundo trabalho, Naïve, misturou fotos de pessoas com elementos da natureza e voltou a chamar a atenção dos crí­ticos. Vieram os primeiros indí­cios de fama, com coletivas na galeria Lume e outros projetos, até que, em 2016, a pretexto de manifestar-se contra o machismo, conseguiu fotografar 500 mulheres como vieram ao mundo: Antes Nua do que Sua, que foi estampado por famosas e resultou em uma coleção de grande vendagem. Hoje é possí­vel ver uma parte dessa mostra nas paredes do restaurante Muza (uma variação sem rigor da palavra musa), um italiano que abriu na Vila Nova Conceição, com os sócios Gustavo Bunemer e Luiz Mussolini. Paralelamente, resolveu constituir com o amigo Rodrigo Sá o Coletivo Missa, um conjunto que caiu no gosto dos paulistanos e hoje faz shows para até 5 mil pessoas. Wickbold confessa que sua rotina é dedicar-se o tempo inteiro aos seus muitos trabalhos. “Faço quase tudo ao mesmo tempo, o que é espetacular”. Pai de duas meninas – Gloria, de 10 anos, e Branca, de 3 -, ele reconhece que o nascimento da mais velha fez com que aumentasse o seu comprometimento profissional por algo que antes fazia por experimentação. Mas a base de todos os seus negócios é a Gabriel Wickbold Studio & Gallery. Veste-se de forma exótica, para que seja visto como o artista que sempre desejou ser. E tudo indica que, como a padaria do avô, seu caminho é crescer. Quem esperar verá.

  • COMPARTILHE
VOLTAR AO TOPO