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31 mar

Sacada nos Negócios

CARISMÁTICO E INOVADOR, JONATHAN GRAICAR NÃO SÓ TOCA A COMPANHIA DA FAMÍLIA COMO AJUDA OUTRAS EMPRESAS — COMO SÓCIO OU INVESTIDOR — A SAÍREM DO ZERO RUMO AO SUCESSO... TOP CONTA!

POR Simone Blanes 5 MIN

31 mar

5 Min

Sacada nos Negócios

POR Simone Blanes

	

Negócios sempre foram a tônica das conversas na família de Jonathan Graicar. Era só se reunirem na casa da avó para jantar nas sextas-feiras e pronto: virava tema de discussão (no bom sentido, é claro). Em especial, sobre a Day Brasil, companhia de distribuição, produtos e soluções para construção civil, comunicação visual e industrial, fundada por seu pai Abraham Graicar em 1967 e líder de mercado há mais de 50 anos. “É um negócio importante, porque o trabalho sempre foi o alicerce da nossa casa e até agora é a base da família. Mas ela vai muito bem”, diz o empresário e CEO da empresa que, atualmente, fatura cerca de R$ 300 milhões ao ano. “É um bom case de sucesso. Bem gerida, já passou por muitas situações, nove planos econômicos e moedas, hiperinflação, governo militar e aprendeu a se adaptar. Apesar de atuarmos em um segmento específico, ninguém dura tanto tempo, até porque é difícil ser empresário no Brasil.” Sim, realmente é, mas também pode depender de um certo talento em administrar. Caso de Jonathan, que, por genética da família ou acaso do destino, tem um real tino para os negócios. Prova disso é que não ficou apenas na Day Brasil. Quis empreender e, hoje, está envolvido em vários outros business diferentes. “Queria inovar”, diz o empresário, que é sócio majoritário da Baueco, empresa de pisos e revestimentos, que, segundo ele, veio “como uma oportunidade” e agora é líder no mercado de pisos especiais feitos para espaços de circulação pública, como hospitais, aeroportos e estádios de futebol; investidor anjo da GVAngels, grupo composto por ex-alunos da FGV (Fundação Getulio Vargas — faculdade em que é formado em administração de empresas) —, no qual possui investimentos em startups como a Fishag, B2B de venda de pescados, e a AgroInteli, de agronegócio, “que não entendo nada. Um tiro no escuro (risos)”; e é um dos proprietários da Inovakasa, importadora de móveis e decoração, que vende através de seu próprio e-commerce, marketplaces e vendas corporativas, empresa xodó de Jonathan. “É algo bem novo, 18 meses de operação e 100% online. A última Black Friday nos fez vender 32 mil cadeiras em cinco dias e já projeta faturar R$ 26 milhões em 2020. O e-commerce é o negócio que mais cresce atualmente: 15% ao ano, faturou 60 bilhões no ano passado, com cerca de 29 milhões de pessoas que compram online, 36% pelo celular”, explica ele, que assume: sua maior satisfação é tirar uma empresa do zero. “A Inovakasa e a Baueco comecei do nada. Tenho esse lado empreendedor forte porque minha história sempre foi mão na massa. Fazer funcionar em três, quatro anos e depois vender me dá um prazer incrível. No Brasil, tudo é tão volátil que um empresário levar alguma coisa a ser rentável já é por si só um mega reconhecimento.”

Outras experiências

Mas nem tudo foram rosas para Jonathan. Até chegar a essa bem sucedida trajetória, ele passou por poucas e boas. “Lá em casa, os sonhos eram meio limitados. Não tinha como eu querer ser astronauta, por exemplo. Os negócios eram o mote, então você podia até sonhar, mas tinha que ser algum negócio”, sorri. Assim, após se formar, não foi direto para a companhia da família. Preferiu buscar experiências fora. “Fui trabalhar em banco e em fundos de investimentos, bem na 76 77 TOP MAGAZINE EDIÇÃO 247 / 2020 Lifestyle “Às vezes, quando você inova, comete erros. É melhor admiti-los rapidamente e continuar a melhorar suas outras inovações”, Steve Jobs época que estourou a bolha da internet”, diz. Um deles foi a InternetCo Investments, pioneira no ramo de aplicação de capital em empresas de internet. “A gente quebrou todas elas, até que o fundo faliu. Era muito cedo no Brasil. Só eu quebrei três. Foi, porém, o melhor aprendizado que poderia ter.” Mas como diria Steve Jobs: “Às vezes, quando você inova, comete erros. É melhor admiti-los rapidamente e continuar a melhorar suas outras inovações”. Jonathan seguiu em frente… Atuou no banco francês BNP Paribas e no Grupo Semco, de Ricardo Semler, expert em negócios e autor do best-seller Virando a Própria Mesa, para quem anos depois fez o projeto financeiro do Hotel Botanique, em Campos do Jordão. “Esse deu certo, né? A vantagem é que aprendi com o dinheiro dos outros”, diverte-se. “Depois, o José Carlos Reis de Magalhães (Zeca) me chamou para a Tarpon, melhor gestora de private equity no Brasil entre 2005 e 2010. Trabalhei diretamente com ele até aceitar a proposta do meu pai para tocar um novo negócio de offset da Day no mercado externo. Foi um daqueles momentos decisivos, e optei pela empresa familiar. Não era bem minha ideia, mas os planos foram feitos para serem quebrados.”

Decisão acertada

De mala e cuia, ele se mudou para a França com a namorada Ana Lia Salguero. “Era minha primeira experiência em tudo: nesse negócio, em viver fora, em morar junto.” Deu certo. Após dez anos entre a França, Hong Kong e Miami, Jonathan conseguiu dominar 10% do mercado mundial com suas habilidades em relações internacionais. Tacada de mestre. E com Ana Lia tem dois filhos: Sofia, de 13 anos, e Rafael, de 12, que, junto com seus amigos — uma turma boa de infância — e trabalho são os maiores pilares de sua vida. Para sua surpresa, a genética já anda se manifestando no caçula. “Em casa eu deixo sonhar livremente, mas acredita que o moleque só quer saber de negócios? Muito pior que eu”, diverte-se o carismático empresário, que, hoje, aos 39 anos, está feliz: além de ser um respeitado businessman dos mercados de distribuição, logística e investimentos, tem sua família por perto. Mas, como bom leonino, quer mais: “Preciso ganhar alguma coisa no tênis, né?”, sorri Jonathan, fã confesso de esporte e de futebol americano. “Se deixar, passo noites assistindo.” E, claro, levar mais negócios para a frente. “Temos uma chance de ouro nos próximos cinco anos. Dá para ganhar muito dinheiro. É um momento bom para os empresários e para investimentos”, avisa. Fica a dica!

Fotos: Gustavo Lacerda

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