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02 jul

Retrôs modernas

Royal Enfield: O Discreto Charme das Motos Clássicas

POR Roberto Marks 2 MIN

02 jul

2 Min

Retrôs modernas

POR Roberto Marks

	

Uma moto com mecânica atual, mas com visual que evoca o charme e a tradição das clássicas motos inglesas, que foram muito desejadas na primeira metade e meados do século passado. Esta é a proposta do grupo empresarial indiano Eichermot – Eicher Motors Limited –, que está investindo fortemente na distribuição internacional dos modelos Royal Enfield, a mais antiga marca de motocicletas no mundo em produção contínua, desde 1901, e que agora chega ao mercado brasileiro.
Essa proposta ousada faz parte de uma estratégia mercadológica que tem como objetivo colocar a marca na liderança do segmento global de motos de média cilindrada (de 250 a 750 cm³). Em um mercado supercompetitivo, no qual os gigantes fabricantes japoneses dominam a produção mundial, a empresa indiana resolveu apostar na tradição do visual “retrô” para conquistar seu espaço e, para isso, manteve basicamente o design original dos modelos como eram no século passado.


A receita parece estar dando certo, conforme detalha Rudratej Singh, presidente da Royal Enfield: “Nossa marca é a que tem alcançado o maior crescimento no mercado mundial de motos nos últimos anos”. Segundo o empresário, o segredo está na busca pelas origens. “Nossos modelos são inspirados na história do motociclismo puro, na forma e simplicidade. São motos clássicas modernas e, por isso, evocativas com seu apelo atemporal que capturam a sensação de liberdade e diversão em um contexto bem atual.”
Tradição centenária
A tradicional marca, que iniciou suas atividades como fabricante de armas no fim do século 19, em Redditch, Inglaterra, passou a fabricar motos em 1901. Por isso, adotou para suas motos o slogan “Made Like a Gun”, a fim de destacar a precisão da produção, e rapidamente se tornou um dos principais fabricantes mundiais. Na década de 1930, a empresa lançou seu modelo mais emblemático, a Bullet, o que provocou uma extensão no slogan: “Made Like a Gun. Goes Like a Bullet”.


Na década de 1950, a grande expansão no mercado indiano fez com que a Royal Enfield fechasse um acordo com o grupo indiano Madras que, incialmente, apenas montava as motos, mas depois passou a fabricar os modelos da marca inglesa na Índia com a denominação Enfield. Este, inclusive, foi o motivo que possibilitou a marca ficar “viva”, já que, no fim dos anos 60, a empresa original foi à falência por não resistir à forte concorrência das motos japonesas.
Mas a Madras continuou produzindo as motos Enfield até 1994, quando foi incorporada pelo Grupo Eichermot. Este desenvolveu um minucioso projeto para revigorar a tradicional marca e, inclusive, ganhou um processo na justiça da Inglaterra para utilizar o nome original Royal Enfield. Ao mesmo tempo, foram feitos investimentos no desenvolvimento de mecânica moderna, inclusive um novo motor, no qual foram mantidas as características originais de monocilíndrico.
Projeto moderno, estilo clássico
Com carcaça monobloco e equipado com injeção eletrônica de combustível, esse motor atende às exigentes normas europeias de emissões. No mercado brasileiro, a linha será comercializada, inicialmente, somente com 500 cm³, ou mais, conforme explica Claudio Giusti, diretor geral da Royal Enfield Brasil: “Pelas características do mercado, acreditamos que o motor com maior cilindrada é o mais indicado. Além disso, temos preços bastante competitivos em relação às concorrentes de menor cilindrada”.


Três versões estão sendo importadas: Bullet, Classic e Continental GT. Cada uma delas representando uma época importante no histórico das motos inglesas. A começar pela Bullet 500, que foi desenvolvida na década de 1930 e que é definida como um modelo urbano que se caracteriza pelo desenho atemporal. Com pequenas alterações pontuais no estilo, ela está em linha de produção há mais de 80 anos, e seu visual retrô inconfundível se caracteriza também no escapamento de época.
A Classic é um tributo às motos que equiparam o exército inglês durante a Segunda Grande Guerra, na década de 1940, e foram muito populares no pós-guerra. Assim como a Bullet, a Classic vem para o mercado brasileiro equipada com o motor de 499 cm³ e 27 cv. Detalhe característico deste modelo é o selim individual, com molas, típico da época. Um selim adicional pode ser montado sobre o para-lama traseiro para garupa. Outro detalhe tradicional de época é a caixa de ferramentas sob o selim.
Volta às origens
Já a Continental GT é versão esportiva que faz uma releitura das famosas “Café Racers”, modelos customizados em pequenas oficinas e que foram muito populares na Inglaterra nas décadas de 1950 e 60, durante a “Era Rocker”. É a moto mais leve e ágil da marca, além da posição típica de condução esportiva. Nessa versão, o motor monocilíndrico tem a cilindrada aumentada para 535 cm³ e a potência é de 29 cv. Outro detalhe exclusivo da versão é a suspensão traseira Paioli, com amortecedores a gás ajustáveis.


Essa versão, por sinal, foi desenvolvida na Inglaterra pela Harris Performance Products, empresa especializada em design e construção de modelos especiais que hoje é subsidiária da Eichermot e responsável pelo desenvolvimento de componentes exclusivos para os modelos Royal Enfield. Isso também representa uma espécie de volta às origens da marca, e a imprensa especializada inglesa já especula a possibilidade de uma linha de montagem ser instalada na Inglaterra para atender ao mercado europeu.
Além do novo motor, todos os modelos Royal Enfield vêm equipados com caixa de câmbio de cinco marchas e freio a disco na dianteira e tambor na traseira, nas versões Bullet e Classic, enquanto a Continental GT também tem freio a disco na traseira. O sistema de ignição é digital eletrônico e, além de acionamento elétrico do motor, todos os modelos também contam com o “tradicional” pedal de partida. Outra exclusividade é a possibilidade de a pintura do tanque ser artesanal, com motivo escolhido pelo comprador.
Atendimento diferenciado
A primeira loja da Royal Enfield no Brasil foi inaugurada recentemente em São Paulo, na Avenida República do Líbano, 2.070, Moema, e tem como proposta criar um ambiente que proporcione uma experiência diferenciada de vendas e pós-vendas. Por isso, o espaço é uma espécie de sala de estar para o apaixonado por motos, com apelo visual único e que inclui, inclusive, um modelo Continental GT desmontado afixado em uma parede, mostrando todos os detalhes mecânicos numa espécie de quadro.
A loja também tem no portfólio roupas e acessórios, além de equipamentos personalizados e a linha de vestuário para proteção urbana. Conforme destaca Claudio Giusti, outra proposta é promover passeios coletivos com os clientes da marca e eventos que envolvam a comunidade de motociclistas. “Além da distribuição dos modelos, a subsidiária brasileira da Royal Enfield também vai ser responsável pelo desenvolvimento das

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