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Retrôs modernas

Royal Enfield: O Discreto Charme das Motos Clássicas

POR Roberto Marks 3 MIN

24 abr

3 Min

Retrôs modernas

POR Roberto Marks

	

Uma moto com mecânica atual, mas com visual que evoca o charme e a tradição das clássicas motos inglesas, que foram muito desejadas na primeira metade e meados do século passado. Esta é a proposta do grupo empresarial indiano Eichermot – Eicher Motors Limited –, que está investindo fortemente na distribuição internacional dos modelos Royal Enfield, a mais antiga marca de motocicletas no mundo em produção contínua, desde 1901, e que completa um ano no mercado brasileiro.

Essa proposta ousada faz parte de uma estratégia mercadológica que tem como objetivo colocar a marca na liderança do segmento global de motos de média cilindrada (de 250 a 750 cm³). Em um mercado supercompetitivo, no qual os gigantes fabricantes japoneses dominam a produção mundial, a empresa indiana resolveu apostar na tradição do visual “retrô” para conquistar seu espaço e, para isso, manteve basicamente o design original dos modelos como eram no século passado.

A receita parece estar dando certo, conforme detalha Rudratej Singh, presidente da Royal Enfield: “Nossa marca é a que tem alcançado o maior crescimento no mercado mundial de motos nos últimos anos”. Segundo o empresário, o segredo está na busca pelas origens. “Nossos modelos são inspirados na história do motociclismo puro, na forma e simplicidade. São motos clássicas modernas e, por isso, evocativas com seu apelo atemporal que capturam a sensação de liberdade e diversão em um contexto bem atual.”

Tradição centenária

A tradicional marca, que iniciou suas atividades como fabricante de armas no fim do século 19, em Redditch, Inglaterra, passou a fabricar motos em 1901. Por isso, adotou para suas motos o slogan “Made Like a Gun”, a fim de destacar a precisão da produção, e rapidamente se tornou um dos principais fabricantes mundiais. Na década de 1930, a empresa lançou seu modelo mais emblemático, a Bullet, o que provocou uma extensão no slogan: “Made Like a Gun. Goes Like a Bullet”.

Na década de 1950, a grande expansão no mercado indiano fez com que a Royal Enfield fechasse um acordo com o grupo indiano Madras que, incialmente, apenas montava as motos, mas depois passou a fabricar os modelos da marca inglesa na Índia com a denominação Enfield. Este, inclusive, foi o motivo que possibilitou a marca ficar “viva”, já que, no fim dos anos 60, a empresa original foi à falência por não resistir à forte concorrência das motos japonesas.

Mas a Madras continuou produzindo as motos Enfield até 1994, quando foi incorporada pelo Grupo Eichermot. Este desenvolveu um minucioso projeto para revigorar a tradicional marca e, inclusive, ganhou um processo na justiça da Inglaterra para utilizar o nome original Royal Enfield. Ao mesmo tempo, foram feitos investimentos no desenvolvimento de mecânica moderna, inclusive um novo motor, no qual foram mantidas as características originais de monocilíndrico.

 

Volta às origens

A Continental GT é versão esportiva que faz uma releitura das famosas “Café Racers”, modelos customizados em pequenas oficinas e que foram muito populares na Inglaterra nas décadas de 1950 e 60, durante a “Era Rocker”. É a moto mais leve e ágil da marca, além da posição típica de condução esportiva. Nessa versão, o motor monocilíndrico tem a cilindrada aumentada para 535 cm³ e a potência é de 29 cv. Outro detalhe exclusivo da versão é a suspensão traseira Paioli, com amortecedores a gás ajustáveis.

Essa versão, por sinal, foi desenvolvida na Inglaterra pela Harris Performance Products, empresa especializada em design e construção de modelos especiais que hoje é subsidiária da Eichermot e responsável pelo desenvolvimento de componentes exclusivos para os modelos Royal Enfield. Isso também representa uma espécie de volta às origens da marca, e a imprensa especializada inglesa já especula a possibilidade de uma linha de montagem ser instalada na Inglaterra para atender ao mercado europeu.

Além do novo motor, todos os modelos Royal Enfield vêm equipados com caixa de câmbio de cinco marchas e freio a disco na dianteira e tambor na traseira, nas versões Bullet e Classic, enquanto a Continental GT também tem freio a disco na traseira. O sistema de ignição é digital eletrônico e, além de acionamento elétrico do motor, todos os modelos também contam com o “tradicional” pedal de partida. Outra exclusividade é a possibilidade de a pintura do tanque ser artesanal, com motivo escolhido pelo comprador.

Atendimento diferenciado

A primeira loja da Royal Enfield no Brasil foi inaugurada em São Paulo, na Avenida República do Líbano, 2.070, Moema, com a proposta de criar um ambiente que proporcione uma experiência diferenciada de vendas e pós-vendas. Por isso, o espaço é uma espécie de sala de estar para o apaixonado por motos, com apelo visual único e que inclui, inclusive, um modelo Continental GT desmontado afixado em uma parede, mostrando todos os detalhes mecânicos numa espécie de quadro.

A loja também tem no portfólio roupas e acessórios, além de equipamentos personalizados e a linha de vestuário para proteção urbana. Conforme destaca Claudio Giusti, outra proposta é promover passeios coletivos com os clientes da marca e eventos que envolvam a comunidade de motociclistas. “Além da distribuição dos modelos, a subsidiária brasileira da Royal Enfield também vai ser responsável pelo desenvolvimento das atividades de mercado e suporte em marketing e pós-venda.”

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