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17 out

Renascer da noite

SÉRIE DE INAUGURAÇÕES DE CASAS NOTURNAS EM SÃO PAULO FAZ A GENTE ACREDITAR QUE A DEPRÊ DA CRISE JÁ FICOU PARA TRÁS

POR Kike Martins da Costa 2 MIN

17 out

2 Min

Renascer da noite

POR Kike Martins da Costa

	

O longo inverno climático e da crise econômica parece ter chegado ao fim nas noites de São Paulo. Após meses se escondendo do frio ou trancados em casa assistindo a qualquer coisa na TV, os paulistanos agora têm ótimos motivos para colocar seus corpinhos na rua e curtir as noites de primavera nos novos clubes que chegam à cidade. A elas…

Ferveção no porão


Uma das mais aguardadas novidades é o Sub.Club, que ocupa um endereço que faz parte da história da noite paulistana e, anteriormente, abrigou o alternativo Hell’s Club e a requintada Heaven. O novo empreendimento tem como sócios os jovens empresários Guto Lopes, Arthur Ribeiro, Alessandro de Avila, Arthur Nery, Matheus Farah, Rico Mansur, Antony Chedid, Junior Lopes e Marcelo Goldfarb. Por enquanto, abre apenas às sextas-feiras e nas vésperas de feriado. Com capacidade para 250 pessoas, o salão tem projeto assinado pelos arquitetos Renato Mendonça e Nildo José, que criaram uma atmosfera descolada e contemporânea, mimetizando o cenário urbano de uma metrópole, com o teto e as paredes forrados de estruturas que lembram néons e grafites. Nesse ambiente que mistura luxo e modernidade, a animação na pista é garantida pelas batidas eletrônicas e de hip-hop selecionadas por um timaço de DJs e também pelos drinques preparados com bebidas premium, que embarcaram como parceiras no projeto, como a vodca polonesa Belvedere, o champanhe francês Moët & Chandon, o gim inglês Bulldog, a cerveja Stella Artois e as tequilas mexicanas Herencia e 1800.

Energia catalã


O Sutton é a primeira filial de uma exclusiva balada de Barcelona, pouco conhecida dos turistas que viajam à Catalunha. Acaba de chegar a São Paulo e funciona no alto de um edifício na Nova Faria Lima, em um espaço enorme com dois terraços a céu aberto, um restaurante liderado pelo chef Vinícius Rojo (que já trabalhou no D.O.M. e em cozinhas estreladas da Espanha como o Estado Puro, de Paco Roncero), dois bares comandados pelo mixologista William de Oliveira (ex-Myk) e um grande salão com camarotes e lounges, onde o DJ Edu Barbeiro toca house e disco retrô. No teto sobre a pista, centenas de tubos de acrílico com luzes de LED mudam de cor em sincronia com a música, graças a um software chamado Madrix, que ajuda a criar o clima de “festa nas nuvens”.
O time de sócios inclui o próprio DJ Edu Barbeiro, seu irmão Fabio Barreiro, os RPs Fernanda Barbosa e Pedro Alcântara e os empresários Felipe Maluf, Pedro Queirolo e Gerson Azevedo, entre outros. Agora, o Sutton só funciona de quinta a sábado, mas a ideia é também promover sunset parties aos domingos para aproveitar os espaços a céu aberto, onde uma jabuticabeira dá frutos que são colhidos e usados na produção de caipirinhas.
Quem quiser apenas ir jantar ou curtir uma happy hour não paga a entrada (que custa entre R$ 100 e R$ 250) nem terá consumação mínima. “Queremos trazer para a cidade um conceito de dining club com restaurante, bar e balada no mesmo lugar. E também promover noites com a mesma energia incrível das festas de Barcelona”, diz o DJ Edu.

Brincadeiras para adultos


Outra casa que gera altas expectativas é o Toy Room, que tem unidades em Londres, Roma, Dubai e Mykonos. A partir de outubro, a filial paulistana vai ocupar um imóvel de dois andares na alameda Lorena, com um restaurante japonês no térreo, o Toy Sushi – comandado pelo chef Anderson Haruo (uma estrela Michelin) – e um bar no andar de cima só para quem fizer reserva antecipada. Enquanto os DJs fazem a pista equipada com sistema de som Funktion One bombar com hip-hop, o urso de pelúcia Frank se diverte com as garotas, tirando selfies hilárias com seus looks em estilo pimp – com grossos colares de ouro -, como roqueiro ou como jogador da seleção brasileira de futebol.
O responsável pela chegada do Toy Room no Brasil é Roger Rodrigues, marido da top model Fernanda Motta e ex-sócio do Café de La Musique de Florianópolis, do Bijoux de Nova York e da Disco de São Paulo. O projeto arquitetônico é do canadense Antonio Tadrissi, o mesmo que criou os ambientes do Toy Room londrino, com cubos coloridos na fachada e muitos brinquedinhos no décor interno. “Tradicionalmente, o Toy Room é um ponto de encontro de muita gente bonita. Aqui, esperamos atrair um público assim, em festas com a mesma atmosfera de pura alegria que a casa oferece nas noites londrinas, romanas e gregas”, avisa Roger.

 

Escondidinho na Amauri


Inaugurado no fim de agosto, o Café Society é um misto de bar, restaurante, casa de espetáculos, baladinha e cabaré. Idealizado como um speakeasy – bares secretos que funcionavam no tempo da Lei Seca e tinham sua divulgação feita na base da “fala mansa”, daí o nome –, reúne um timão de feras da noite: a gastronomia tem a assinatura do celebrity chef Erick Jacquin, a programação cultural traz curadoria do cantor Seu Jorge e do fotógrafo Luiz Tripoli, os coquetéis do bar foram criados por Márcio Silva (do Bar Guilhotina), a arquitetura ficou por conta de Felipe Diniz e a área de RP é agitada pelo promoter Beto Pacheco. Para completar, são sócios da casa ainda Pierre Grego, Pedro Braun, Dinho Diniz, Kako Perroy, Álvaro Garnero, Bazinho Ferraz, entre outros.
A fachada não tem placa na porta e, para ter acesso, é necessário ter feito uma reserva antecipada pelo Facebook e recebido uma senha para ser digitada no interfone que fica posicionado na lúgubre entrada. O salão – para até 150 pessoas – é decorado com papéis de parede da Ralph Lauren, fotos de Tripoli, sofás de veludo vermelho e mesas de madeira escura. No palco, revezam-se atrações como um quarteto de jazz formado por músicos cubanos, dançarinas de samba e de tango. Depois das apresentações, uma cortina desce na frente do palco e é tomada por projeções de video mapping, que acompanham as músicas dos sets de DJs especializados em soul e house.
“Em grande parte, o conceito é inspirado no que vivenciei no Lío, o dining club da Pacha de Ibiza. Lá, a noite começa com um show tranquilo e um jantar, com ótima gastronomia. Depois se transforma em uma baladinha, com performances malucas, embaladas por excelentes drinques”, conta Pierre Grego, sócio da casa. “Esse é o espírito: uma pegada menos moderna e mais com referências à era dos anos loucos, das décadas de 1920 e 1930. É por aí”, completa o empresário, que também é dono do bar Blá e da rede de restaurantes Pecorino.

 

Todo mundo altinho


Outra novidade que ocupa um dos revitalizados rooftops da cidade é o Tetto. Instalado no 26º andar de um hotel na Avenida Rebouças, tem uma vista incrível de 360º de São Paulo. Com conceito inspirado nas movimentadas coberturas de Nova York, tem seu espaço dividido em dois ambientes distintos: o lounge bar e club. De terça a domingo, o lounge bar serve drinques criados por Jean Ponce, barman com mais de 15 anos de experiência, passagens pelo D.O.M. e eleito duas vezes o melhor do país. A carta de bebidas lista mais de 20 opções como o Eridano – feito com tequila, bourbon whiskey, vermute e Fernet.
Nas noites de quinta-feira, o bar encerra um pouco mais cedo e o Tetto Club abre suas portas para receber 300 pessoas na pista cujo teto se movimenta de acordo com o som, graças a uma tecnologia importada da Alemanha. O projeto de arquitetura e decoração é assinado por Gilberto Criscuolo, responsável por cases como o Bagatelle Bistrot e a Pink Elephant.
Os sócios da casa são Renato Kolanian Gouveia, Luiz Felipe Bordon e Marco Bordon, juntamente com o grupo WZarzur, proprietário do hotel. “Hoje toda cidade cosmopolita tem um bar ou restaurante nas alturas. É quase uma obrigação para hotéis que querem ser cool”, explica Marco Bordon. Aos domingos, é servido um brunch no local, a partir das 14h.

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