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Rafiki

Cores e closes marcam filme queniano proibido no próprio país

POR Walter de Sousa 3 MIN

07 ago

3 Min

Rafiki

POR Walter de Sousa

	

O primeiro filme queniano a estrear no Festival de Cannes não é motivo de orgulho do governo do país africano, onde não será campeão de bilheteria. Por tratar da temática LGBTQ, o filme sequer estreou no país da diretora Wanuri Kahiu, regido por conservadora legislação que pune as relações homossexuais com até 14 anos de prisão. Rafiki, palavra que na língua suaíli significa amigo, acompanha o amor entre Kena (Samantha Mugatsia) e Ziki (Sheila Munyiva), que vivem num conjunto habitacional em Nairóbi. Ambas são filhas de políticos locais que disputam o mesmo cargo de vereador. Assim, a relação, que enfrenta questões morais, avança sobre as rusgas políticas.

Depois de contar o ataque terrorista à embaixada americana do Quênia em De um sussurro, seu primeiro filme, a diretora se baseou no conto Jambula Tree, da escritora ugandense Monica Arac de Nyeko para narrar uma história de amor a partir de belas sequências em que as cores iluminam os constantes closes, especialmente das duas atrizes principais. Sem recorrer ao ritmo entrecortado para enfatizar a pressão social, o filme apresenta de forma sensível e natural o despertar amoroso do casal de adolescentes. Mesmo assim estão presentes todos os mecanismos de vigilância e que certamente irão atuar na relação no decorrer da trama: a igreja, os mexericos da vizinhança, os amigos intolerantes, os pais conservadores.

Para viabilizar um filme com a temática tabu – foi considerado “obra obscena” pelo governo –, a diretora queniana conseguiu apoio financeiro da Netherlands Film Fund, da Holanda, e produção da Big World Cinema, sul-africana. O filme foi recebido com aplausos em Cannes e pela crítica internacional.

Vem conferir o trailer:

 

Rafiki

Direção:   Wanuri Kahiu

Elenco: Samantha Mugatsia, Sheila Munyiva, Neville Misati, Nice Githinji

Estreia: 8/8

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