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12 mar

Príncipe das Tesouras

Cheio de estilo, Bruno Colella está à frente da alfaiataria BRNC. Também surfa, toca bateria e encanta pelo bom gosto, que vai muito além da moda...

POR Simone Blanes 3 MIN

12 mar

3 Min

Príncipe das Tesouras

POR Simone Blanes

	

 

Bruno Colella é um príncipe. Não exatamente tirado dos contos de fadas, mas é só conversar dez minutos com ele para imaginar que poderia facilmente ser membro de alguma família real. Além de um homem bonito, chama a atenção pelo estilo clássico e sofisticado. Também pela personalidade intensa e a gentileza no trato com as pessoas. Adicione ainda uma boa dose de carisma e pronto: Bruno nos faz ter a certeza de que os príncipes existem e nunca sairão de moda. Até porque desse assunto ele entende bem. Fundador da BRNC alfaiataria, já é uma referência em alta-costura sob medida para homens. Seu trabalho não se resume à produção de ternos, mas destaca-se pela consultoria de estilo dada a cada um que entra em seu ateliê na Vila Nova Conceição, em São Paulo. “Procuro entender o que ele gosta de usar e como leva a vida. Aí vejo o que posso oferecer. Uma coisa assertiva, que o faça se sentir seguro e confortável”, explica o empresário, que ajuda a escolher o tecido – são mais de 10 mil opções, todos com 100% de fibras naturais – e faz questão de acompanhar as provas de roupa pessoalmente.

“Eu atendo a todos.” Bruno é neto do alfaiate Nícola Colella, que manteve uma fábrica de roupas durante 50 anos na Barra Funda. Ou seja, cresceu entre máquinas de costura e foi inspirado pelo avô a dar continuidade à tradição de sua família. “É algo muito forte para mim.” Foi por isso, aliás, que ele enxergou a moda masculina sob medida como um mercado. “Comecei vendendo para os amigos. Trabalhava em uma empresa de comércio exterior e, como eu usava alfaiataria, me pediam ajuda quando precisavam se vestir assim. Eu levava a turma na fábrica do meu avô e vestia os caras. Aí me deu esse clique”, conta. Antes, porém, nem pensava no assunto. Formado em hotelaria, queria um emprego perto do mar, até porque surfa desde a infância. “Passei dois anos fora, entre Austrália e Ilhas Fiji, onde morei e trabalhei por seis meses em um barco especializado em surfe e mergulhos. Fiz tudo que queria nessa fase de aproveitar a vida”, relata. Mas as mãos do destino fizeram com que o sangue falasse alto e seu olhar se voltasse ao ramo do pai, José Carlos, e do avô. E nessa de virar o “personal stylist” dos amigos, trouxe à tona suas origens e assumiu de vez a moda, que, na real, sempre fora seu caminho.

“Me encontrei. Adoro o que faço, é algo natural para mim. Comecei a marca do zero, e agora todos os meus projetos são relacionados a esse universo”, diz Colella, que, além da BRNC, inaugurada em 2013 – e que, vale lembrar, produz ternos de forma artesanal, com corte e caimento impecáveis –, aposta ainda na grife grega de óculos Heliophilia, que acaba de trazer para o país. “São peças unissex, feitas na Itália, fáceis de usar e que vestem muito bem.” Voltando ao Bruno, o dom da comunicação também faz toda a diferença em seu negócio. “Passo horas conversando com meu cliente, que, na maioria das vezes, acaba virando amigo. A alfaiataria é uma arte que resistiu ao tempo e resgata essa relação valiosa.” Culto e articulado, é capaz de falar sobre qualquer tema, o que enriquece ainda mais a experiência oferecida pela BRNC. Faz a pessoa se sentir à vontade e abre espaço para o empresário trabalhar o “preconceito” que o homem enfrenta dentro do contexto moda, até porque sua clientela é bem low-profile. “Meu maior desafio é fazer ele sair da zona de conforto, ousar mais em suas escolhas e se sentir bem com isso.” Coisa que faz muito bem, e às vezes fica difícil fugir das piadas dos amigos. “Já me chamaram de Jacques Leclair (estilista da novela TiTiTi, de 1985)”, sorri. Taurino, se define como um cara intenso, que vive o presente, e um pouco desorganizado. “Mas me acho na minha bagunça”, gargalha. Características que atribui em parte ao seu mapa astral, assim como a ligação com a água – seu ascendente é o signo de peixes. “Meu contato com ela é fundamental. A natação é minha maior terapia”, diz ele, também adepto do surfe, esporte ao qual sempre recorre nas férias, quando se permite sair do terno e abusar de roupas coloridas. Fã de esportes, ele ainda pratica triatlo e gosta de pedalar com um grupo de amigos, pelo menos duas vezes por semana. Outras paixões são o cinema – adora os filmes da máfia italiana – e instrumentos como a percussão e a bateria, que o empresário toca como um hobby, mas que, talvez, possa até virar uma brincadeira séria. Isso porque ele teve uma banda, The Square, voltada ao rock alternativo e com músicas autorais, que se desintegrou, mas que na cabeça dele “ainda vai se encontrar no futuro”; e agora aposta em um novo grupo. “Gosto muito de música, de Pink Floyd e Cartola às baterias de escola de samba.” Acontecendo ou não, fato é que Colella continuará tocando seu barco fashion – e fazendo a alegria dos homens que querem estar sempre bem-vestidos, tal qual o próprio estilista. Já a felicidade das mulheres… Quem sabe? Solteiro, Bruno é um dos partidos mais cobiçados da cidade. E, sem dúvida, o mais gato príncipe herdeiro da moda brasileira.

 

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