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Poeta das câmeras

Após estrear em Cannes, o diretor Pedro Urizzi retorna ao Brasil com a mente fervilhando de ideias novas

POR Melissa Lenz 2 MIN

19 jun

2 Min

Poeta das câmeras

POR Melissa Lenz

	

 

Você conhece Pedro Urizzi? Quem já viu qualquer um dos fashion filmes das capas da TOP Magazine produzidos ao longo do último ano com Cauã Reymond, Maria Casadevall, Grazi Massafera, Reynaldo Gianecchini, Fernanda Young, Bruno Gagliasso, Isabeli Fontana ou a deste mês com Bruna Linzmeyer já pode dizer que sim. Ou a grandiosa campanha da volta da Zoomp, adorada label de jeans brasileira, tudo tem o DNA desse paulistano do Bexiga de 30 anos “redondos e saudáveis”, como ele mesmo diz. “O melhor do audiovisual é poder montar uma história através da minha perspectiva, da maneira que eu gosto de ver o mundo. Tenho tanta coisa pra contar.”
O primeiro contato com as câmeras foi aos 8 anos, com uma JVC 1995 de sua mãe. A inspiração também começou no ambiente familiar. “Meu pai trabalhou muito tempo levando artistas para o circo do Beto Carrero. Na minha casa sempre tinha domadores, mágicos, equilibristas…” O jogo entre imagem e som foi entrando aos poucos em sua vida. Primeiro como ator de teatro nos Estados Unidos, onde passou a adolescência, depois atuando em longas-metragens e comerciais. Até que começou a dirigir seus próprios curtas como cineasta independente. No ano passado, exibiu seu primeira longa no cinema, o documentário Cordel de Trancoso, codirigido por Felipe Solari, que em breve terá distribuição nacional. “O cinema aconteceu de forma muito natural. Sempre senti que precisava me expressar de alguma forma. E observar aquelas pessoas do circo já era uma provocação”, relembra.


Seu curta Distopia, que acaba de ser exibido em uma sala para 40 pessoas no Palais des Festivals et des Congrès de Cannes, recentemente esteve no Festival Experimental de Bogotá e no Panorama Latino-Americano. “Distopia fala de autoritarismo e morte, que são duas coisas indivisíveis. Minha ideia com esse filme é levantar um debate sobre o assunto.”
Hoje diretor de publicidade da Academia de Filmes, nas horas vagas Pedro tem se dedicado a filmar projetos especiais, entre os quais perfis de estilistas (Sarah Chofakian), fashion filmes (TOP Magazine, La Dona Mare, em Milão), duas ficções e o curta-documentário Estúdio 92, que deverá ser rodado em Damasco, na Síria. A história é sobre uma família de refugiados sírios que mora em Guarulhos e deixou para trás um estúdio que começou com apenas 92 centavos. O estabelecimento existe até hoje, mas só realiza foto para passaporte. “Minha ideia é integrar essas pessoas no ofício que elas já executavam quando ainda moravam lá.” Sua expectativa é de concluir a filmagem ainda neste ano. “Esse é o lado crítico e social em que me encontro. Preciso cumprir essa responsabilidade social como comunicador, me cobro demais”, reflete.
Sujeito confuso, curioso e muito inteligente, Pedro define seu modo de ver o mundo fora das câmeras parafraseando o cineasta Walter Carvalho: “‘Se você vê um cubo sabe que são seis lados, mas só pode ver três. Mas como a gente sabe que são seis? Porque deduzimos que tem mais três’. Busco sempre uma possível poesia naquilo que vejo e naquilo que deduzo. É aí que mora o nosso encanto. A política, o amor, a fantasia, os desejos não morariam em uma pessoa, mas entre nós. Minha perspectiva principal é buscar essa possível poesia, essa fantasia que mora na condição humana entre humanos, não no indivíduo”.

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