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Piacere di conoscerti

Comida tradicional italiana e ambiente acolhedor são a receita de sucesso do Nino

POR Josimar Melo 6 MIN

12 dez

6 Min

Piacere di conoscerti

POR Josimar Melo

	

O ar tranquilo e a fala mansa do chef Rodolfo de Santis, do restaurante Nino Cucina, uma das sensações do momento em São Paulo, parecem revelar um pouco de sua origem – uma pequena cidade italiana ao norte do Mediterrâneo, a turística porém pacata Gallipoli, na região da Puglia. Ali se combinam mar, sol, e também, para o garoto, uma vida no campo, nas visitas ao sítio da avó onde se metia na cozinha para participar do preparo de produtos frescos colhidos na horta que também ajudava a cultivar.

Mas não se resume a esta calma a trajetória do chef que, hoje com 30 anos, desde os 14 começou a se embrenhar na profissão ao frequentar a escola hoteleira de Brescia, no norte da Itália, já longe das águas mansas do sul e muito perto do frenesi da grande Milão.

Começava uma carreira que o levaria a trabalhar em cozinhas estreladas da Europa, como as do hotel Four Seasons de Paris (restaurante Le Cinq) e do multiestrelado La Pergola, em Roma. Mas sua primeira oportunidade de chefiar surgiria no Brasil, terra de sua mulher, por meio de um antigo colega brasileiro que se preparava para abrir o restaurante Biondi em São Paulo. Foram dois anos neste endereço, e mais passagens por outras casas – como o Domenico e o Tappo – até que, em agosto do ano passado, Rodolfo tivesse seu próprio restaurante: o Nino, que ele opera junto com o sócio Renato Calixto.

Sucesso de público e de crítica, a cozinha do Nino contrasta com sua aventura brasileira inicial. Se no Biondi (que já não existe) ele trazia uma ambição culinária mais contemporânea, o que encanta no Nino é o calor da cozinha tradicional italiana, servida num local igualmente acolhedor: o restaurante é pequeno (cerca de 40 lugares), e decorado com materiais quentes (piso de madeira rústica, paredes de cimento queimado, mesas sem toalhas, uma lareira sobre parede de pedras).
No cardápio há interferências autorais, mas sempre com roupagem clássica. Alguns itens são menos conhecidos – como a carne cruda (carne crua cortada em cubos, com queijo pecorino, alcaparra, orzo e rúcula) e o atum igualmente cru (servido com burrata, tangerina e rúcula).
A maioria, porém, soa bem mais familiar: polpette ao sugo; spaghetti à carbonara (com guanciale – papada de porco – e pecorino); língua com polenta e queijo fontina; bucatini à amatriciana, com um fantástico molho de tomate (mais pecorino e guanciale); e costeleta de porco (impecavelmente rosada e tenra) com nhoque à romana (de semolina, assado) e sopressata (um embutido picante). Mesmo nas sobremesas – que não me parecem o forte do restaurante –, Rodolfo não decepciona ao menos com o tiramisù, simpaticamente servido num vidrinho como os de conserva.

Quase sete anos depois de aportar no Brasil, o chef continua com sua fala tranquila, mas o restaurante, lotado todos os dias, nada guarda da placidez dos seus primeiros anos de vida à beira do mar Jônico.

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