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03 ago

Para o alto e avante…

O magnata britânico Richard Branson encara desafios e toca seus negócios com os pés no chão e a cabeça na Lua

POR Kike Martins da Costa 3 MIN

03 ago

3 Min

Para o alto e avante…

POR Kike Martins da Costa

	

Sir Richard Branson é conhecido por ser um dos homens mais ricos do Reino Unido, com uma fortuna superior a 5,3 bilhões de libras. Também é famoso no mundo todo por sua ousadia e criatividade como empresário e empreendedor. O que nem todo mundo sabe, porém, é que esses grandes feitos, na verdade, são parte de sua estratégia mercadológica, e não uma paixão pura e sincera pela aventura. “Desde cedo, descobri que promover os meus negócios usando a minha própria imagem e protagonizando desafios pelo mundo afora era uma forma barata e muito eficiente. Até hoje isso atrai a curiosidade e a atenção das pessoas para as minhas iniciativas e conquista um espaço na mídia que eu jamais seria capaz de comprar”, diz.
Entre essas “loucuras”, as mais famosas são os recordes de velocidade nas travessias do Atlântico (da Inglaterra a Nova York) com um power boat, do Pacífico (do Japão ao Canadá) em um balão de ar quente e do Canal da Mancha (da Inglaterra à França) a bordo de um carro anfíbio Gibbs Aquada. Ah, sem contar o dia de seu casamento, quando Branson chegou ao altar de uma maneira bem pouco convencional: pendurado em um helicóptero. Com essas inventivas ações, ele conquistou um status de celebridade internacional, conhecido da África do Sul à Escandinávia, da Austrália ao Caribe.


Hoje, ele comanda centenas de empresas, presentes em dezenas de países. Tem negócios nas áreas de transportes, comunicações, hotelaria, saúde, saneamento ambiental e finanças – só para citar alguns. Como Branson escolhe o seu próximo negócio? A receita é simples: basta ele vivenciar uma experiência triste ou frustrante e detectar antes dos outros algo – um produto ou um serviço – que não está sendo oferecido ou só possui competidores sem criatividade. “Sempre que vejo algo errado, quero logo consertar, sinto que preciso fazer alguma coisa”, conta o empresário em um dos encontros que teve com empreendedores durante sua passagem pelo Brasil.
Seu primeiro negócio foi uma revista que lançou quando ainda estava na escola, no final dos anos 1960. Revoltado e triste com a Guerra do Vietnã, que transformava seus colegas em soldados, lançou uma revista para promover a paz e logo conquistou muitos leitores e patrocinadores. Anos depois, chateado com os preços dos discos nas lojas, lançou um serviço de venda e entrega de LPs e fitas cassetes pelo correio. Em seguida, abriu sua própria rede de lojas de música, a Virgin Megastore. O próximo passo foi criar uma gravadora, atraindo bandas consideradas malditas e artistas mal trabalhados pelos grandes conglomerados de mídia, como Iggy Pop, George Michael, Rolling Stones, Sex Pistols, Culture Club e Roxy Music.


Um dia, em Porto Rico, quando teve seu voo para as Ilhas Virgens Britânicas inexplicavelmente cancelado pela American Airlines, decidiu que iria criar uma companhia aérea em que os clientes sempre fossem muito bem tratados. Assim surgiu a Virgin Atlantic, que atualmente possui mais de 100 aviões e é reconhecida mundialmente pela qualidade de seus serviços. “Uma boa empresa é mais do que apenas uma máquina de fazer dinheiro. É uma família, com pessoas, com uma personalidade própria e com um objetivo, que é tornar melhor a vida dos seus clientes. Nem todas são assim, infelizmente, mas deveriam ser”, disse à plateia de um dos eventos de que participou em São Paulo.
Seguindo essa filosofia de só entrar em negócios que avalia ser possível melhorar o que existe ou oferecer algo inovador, as próximas jogadas de Richard Branson são mais do que ousadas. Ele está construindo uma aeronave que vai levar pessoas comuns a viagens pelo espaço e quer revolucionar o turismo de luxo. Os voos devem começar já em 2018. A Virgin Galactic já tem três ou quatro naves em fase final de testes. Elas sairão da atmosfera terrestre, e os passageiros poderão ver o nosso planeta lá de cima e experimentar o fenômeno da gravidade zero, como os astronautas.


“Já investi mais de 1 bilhão de libras e até o momento não tive um único penny de retorno, mas tenho certeza de que será um negócio bem-sucedido, pois todo mundo sonha fazer uma viagem pelo espaço. Só nos falta a tecnologia que torne possível, mas esse pequeno obstáculo está sendo superado”, explica. “Toda vez que me vejo preso no trânsito, sinto vontade de simplesmente voar para fora dele. É isso o que a Virgin vai oferecer, de certa maneira”, emenda. Para embarcar nesse tour sideral, cada passageiro terá de comprar um “ticket” que custa 250 mil dólares.
E a aventura espacial de Branson não vai terminar por aí. Mesmo completando 67 anos de vida este mês, ele ainda alimenta um ambicioso sonho: construir um hotel na Lua. Isso mesmo, na Lua! E, esperto, ele terá a exclusividade de levar e trazer os hóspedes com suas espaçonaves. Mas enquanto esse delírio não sai do papel, Branson inova em outros segmentos do turismo. Está montando uma rede de hotéis de luxo com unidades na Inglaterra, Suíça, Espanha, África do Sul, Quênia e Marrocos, e acaba de encomendar a construção de três navios de cruzeiro para proporcionar a seus passageiros uma experiência bem diferente da que as pessoas têm hoje nos transatlânticos que circulam por aí. “Preciso disso para me inspirar. Hoje não participo diretamente da administração de nenhuma de minhas empresas, meu trabalho é mais na formulação da estratégia e na identificação de novas oportunidades. Dedico mais de 80% do meu tempo a atividades filantrópicas e não lucrativas”, confessa Branson.


Achou interessante? Ficou com invejinha? Então que tal vivenciar por alguns dias o estilo de vida do magnata britânico? Acesse agora mesmo virginlimitededition.com e alugue a ilha particular de Richard Branson no Caribe, que tem bar na praia, lancha, caiaque, pranchas de stand-up paddle e windsurfe, equipamento de mergulho, balada com DJ, spa com hidromassagem e wi-fi de alta velocidade em todas as áreas. A diária para você e seus 33 convidados se hospedarem nas três casas de Necker Island, nas Ilhas Virgens Britânicas, custa em torno de 80 mil dólares.
Outra opção é alugar o iate do bilionário, o Necker Belle, um catamarã que fica ancorado na ilha e tem capacidade para acomodar 12 pessoas, além da tripulação composta por sete experientes marinheiros. A diária custa cerca de 12,5 mil dólares e dá direito a usar a Necker Nymph, um misto de lancha e submarino para fazer passeios subaquáticos pelo cristalino mar caribenho.
Olho: “Uma boa empresa é mais do que apenas uma máquina de fazer dinheiro. É uma família, com um objetivo, que é tornar melhor a vida dos seus clientes. Nem todas são assim, mas deveriam ser”

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