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30 jan

PAI DA VIDEOARTE

Conheça a história de Nam June Paik, o artista que inovou no ramo da televisão e antecipou tendências da atualidade

POR Gabriela Del Carmen MIN

30 jan

Min

PAI DA VIDEOARTE

POR Gabriela Del Carmen

	

Já conhece o pai da videoarte? É assim que o videoartista sul-coreano Nam June Paik ficou conhecido mundialmente por quebrar as barreiras tradicionais da televisão ao criar seus primeiros trabalhos para os estúdios da WGBH-TV, em Boston. Com uma abordagem de colagens alucinatórias de imagens eletrônicas abstratas entrelaçadas com imagens de vanguardas e referências à cultura pop. Antes de mudar-se para os Estados Unidos, em 1963, Paik já tinha seus objetivos artísticos bastante claros: que suas obras introduzissem o indeterminismo e a variabilidade na arte visual. Dito e feito. Conseguiu distorcer as transmissões ao alterar fisicamente os circuitos internos, permitiu a alteração de imagens com a participação microfonada da plateia, a partir da introdução de entradas externas e garantiu que o que tocasse se transformasse em parte de sua arte ao confiar na enorme variabilidade da transmissão de televisão. Paik era atraído pela televisão não como um simples meio de divulgação de mensagens, e sim como um mecanismo para se criar imagens eletrônicas. Em suas exposições, como a realizada em 1963 na cidade de Wuppertal, na Alemanha, ele pegou a capacidade da televisão de difundir transmissões idênticas a um grande número de pessoas e inovou: suas televisões, na verdade, transformaram essas imagens idênticas em distorções individualizadas, visíveis apenas no espaço da exposição, com peças interativas que atraíam a curiosidade do público. Aos poucos, conforme seu trabalho tornava-se um sucesso, o artista começou a perceber a importância da participação dos espectadores, que deixavam de ser sujeitos passivos de frente à televisão para realmente interagirem com ela. Em um ensaio de 1965, ele esboçou um plano futuro de um; adaptador com dezenas de possibilidades, com o qual as pessoas poderiam conectar às suas televisões domésticas para modificar ou criar novas imagens, transformando o meio de passatempo passivo em criação ativa. Sua primeira contribuição para a WGBH-TV foi com a Electronic Opera #11969, um vídeo de cinco minutos que combinava vários tipos de imagens, definidas para uma trilha sonora de música clássica e narração de dublagem, criando um tipo de show de variedades de vanguarda.

Seus planos de transformar a televisão em TV participativa, começaram a ganhar forma quando Paik permaneceu na WGBH como artista residente. Ao se aproximar do chefe da emissora, pediu o financiamento de um sintetizador que tornaria a criação de televisão de vanguarda mais barata. O sintetizador incorporaria elementos das televisões modificadas de Paik, acumulando todos os experimentos feitos por ele até então. Enfim conseguiu criar o seu sintetizador entre 1969 e 1970, que fez sua primeira aparição em um programa ao vivo no canal irmão da estação, WGBX, em 1 de agosto de 1970. Paik imaginava que a música e as imagens sintetizadas de grupos como os Beatles fluiriam paralelamente, entrelaçadas com imagens de pessoas no estúdio. Um verdadeiro artista de a frente de seu tempo, é possível considerar que Paik tivesse antecipado a era do compartilhamento de vídeos e do Youtube, que contribuíram para o processo de democratização da mídia, e permitiu que o espectador se tornasse ativo ao conseguir criar e modificar ele mesmo imagens prontas, originadas de outros canais midiáticos. Por isso, ganhou o apelido de pai da videoarte e até hoje é lembrado como um dos primeiros participantes de conversas sobre representação igualitária na mídia. Quem for a Londres até 06/02 terá a última chance de ver no @tatebritainlondon esta exposição com colagens alucinatórias de imagens eletrônicas abstratas entrelaçadas com imagens de vanguardas e referências à cultura pop.

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