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Os 33 ânimos de Ricardo Cabaça

Dramaturgo português esteve no Brasil para lançar livro de peças inéditas, Gaia, Corpo Futuro e Dix

POR Penélope Coelho 3 MIN

23 jan

3 Min

Os 33 ânimos de Ricardo Cabaça

POR Penélope Coelho

	

Escritor e cofundador artístico da companhia de teatro 33 Ânimos, o português Ricardo Cabaça veio recentemente ao Brasil para apresentar seu novo projeto, um livro com três peças ainda inéditas em Portugal: Gaia, Corpo Futuro e Dix (Editora Edições Primata. R$ 40). Em entrevista a TOP (edição 236), Ricardo falou sobre suas expectativas com o público brasileiro. “É uma relação bastante positiva até porque cabe também aos autores partir em busca de novos leitores. Esse é o privilégio da arte: dialogar com o mundo.” Confira nossa entrevista:

TOP – Como surgiu a ideia de fazer o projeto Cia 33 ânimos?

Ricardo Cabaça – A 33 Ânimos surgiu quando a Daniela Rosado (atriz paulista radicada em Lisboa e esposa dele), e eu, começamos a discutir sobre o teatro que se fazia em Portugal e aquilo que ambicionávamos ver nos palcos. A discussão começou em 2012 e 2013, quando apresentamos o nosso primeiro espetáculo, Morte Súbita, uma abordagem à ditadura militar brasileira e o Estado Novo português. A partir de então decidimos que os nossos espetáculos seriam feito a partir de temas “fraturantes” e verdadeiramente contemporâneos, optando por uma linguagem poética e por um corpo performático. O nosso próximo espetáculo é Fake news : naked fews. O título diz tudo sobre aquilo que nos angustia atualmente.

Quais são as expectativas para o lançamento do livro no Brasil?

A expectativa maior é a extensão da partilha, ou seja, quero muito que as minhas peças cheguem ao maior número de leitores possível, não numa perspectiva de quantidade, mas de qualidade. Além do mais, com este lançamento, a minha relação com o público brasileiro se tornará mais conectada artisticamente. Gostaria muito que esta primeira edição esgotasse no lançamento e que a partir de então, estudantes, artistas e críticos de teatro iniciassem um diálogo comigo em torno das minhas peças, tanto pela via crítica como pela montagem das peças no Brasil.

Pode falar um pouco sobre o livro Gaia, Corpo Futuro e Dix?

Gaia aborda as alterações climáticas e a extinção animal e humana, numa visão pessimista, mas ao mesmo tempo é um alerta de que algo ainda é possível. Por outro lado, em Corpo futuro aborda um feminismo a partir de uma perspectiva da História de Arte, ao mesmo tempo tecido com o contemporâneo. É um feminismo universal, mas também localizado no espaço e no tempo. Finalmente, em Dix, traço uma biografia do pintor alemão Otto Dix a partir das pessoas que ele retratou nos seus quadros. É um solo interpretado magnificamente pela Daniela Rosado que abomina a guerra e toda a violência inerente à evolução humana.

Como você sente a relação dos leitores brasileiros com a literatura portuguesa? É bem recebido?

A literatura portuguesa tem-se tornado cada vez mais conhecida, para além dos autores consagrados como Fernando Pessoa ou José Saramago. Os poetas e romancistas portugueses são lidos no Brasil, falta o reconhecimento à dramaturgia portuguesa. Tenho dialogado bastante para compartilhar as minhas peças e esta será a minha segunda publicação no Brasil, depois de ter publicado a peça Albert Cossery ou Uma palavra para o dia chegar ao fim na Revista Ensaia. A publicação desta peça em Portugal será em 2019 na Não-Edições.
A relação é bastante positiva e cabe também aos autores partir em busca de novos leitores, é esse o privilégio da arte, dialogar com o mundo.

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