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O romantismo maduro do argentino Um amor inesperado

Com Ricardo Darín e Mercedes Morán, filme tem estreia prevista para 14 de março nos cinemas

POR Walter de Sousa, especial para TOP Magazine 3 MIN

06 fev

3 Min

O romantismo maduro do argentino Um amor inesperado

POR Walter de Sousa, especial para TOP Magazine

	

Comédias românticas são aquelas com ritmo, gente jovem, amor acima de tudo e soluções logicamente fáceis, certo? Pelo menos as de Hollywood, que são boas para se divertir em casal, mesmo sabendo que nada, na realidade, é bem assim… Agora, uma história com um casal na faixa dos 50 anos, falada em espanhol, recheada de citações literárias e num ritmo que permite dividir os sentimentos contraditórios de um relacionamento amoroso de 25 anos, continua sendo uma comédia romântica? Ainda mais com a seguinte questão de fundo: precisamos procurar “pontos altos” o tempo todo em nossas vidas? Ou será que tiramos isso justamente das tantas comedias românticas a que assistimos?

A provocação surge em Um amor inesperado, filme argentino dirigido por Juan Vera, que traz o aclamado Ricardo Darín e Mercedes Morán vivendo o casal feliz que, após o filho viajar para estudar no exterior, entra em crise por achar que a vida caiu numa rotina irreparável. A decisão, de comum acordo, para que não esperem o próximo ponto alto da vida, que só será quando se tornarem avós, o que pode demorar muito, é… se separar. E são muitas as aventuras que esperam os recém-separados, como todos os que já se separaram bem conhecem…

Na primeira cena do filme, que se passa três anos após a separação, Marcos, personagem de Darín, recita o primeiro parágrafo de Moby Dick, de Hermann Melville, sobre a vontade incontrolável do personagem central de deixar a terra firme e seguir mar adentro: “É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação”. Seria esse o mesmo impulso que levou à separação? Os sentimentos, tanto de um lado quanto de outro do casal, são dúbios, se confundem nas aventuras, em relação ao filho, aos pais, aos casais amigos, a eles próprios.

Darín e Morán, dois atores precisos, são a força da narrativa, que sempre avança em vagas ensolaradas. Não se trata de paixões juvenis de blockbuster; mas de relações verossímeis, maduras. O título original do filme, em espanhol, El amor menos pensado, condiz mais com o desfecho dessa comédia que, sem os clichês dos filmes de Hollywood, apresenta um romantismo perene que dispensa os grandes gestos melodramáticos. (Walter de Sousa)

 

Direção: Juan Vera

Roteiro: Juan Vera e Daniel Cúparo

Elenco: Mercedes Morán, Ricardo Darín

Ano: 2018

Gênero: Comédia Romântica

País: Argentina

Classificação Indicativa: 14 anos

Estreia: 14/02

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