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07 fev

O Novo Herói

Entre orcs e elfos, Will Smith fala sobre o racismo reverso que viveu em Bright, suspense de ação com Joel Edgerton, Édgar Ramírez e Noomi Rapace. Confira entrevista inédita com estrelas do elenco

POR Melissa Lenz 3 MIN

07 fev

3 Min

O Novo Herói

POR Melissa Lenz

	

Imagine uma sociedade formada por humanos, orcs e elfos. Só que no topo dessa cadeia estão os ricos e poderosos elfos, depois os humanos e, por último, os orcs. Essa é a realidade alternativa de Bright, superprodução recém-lançada pela Netflix estrelada por Will Smith (Homens de Preto), 49, o australiano Joel Edgerton (Êxodo), 43, a sueca Noomi Rapace (O Homem que Não Amava as Mulheres), 38, e o venezuelano Édgar Ramirez (A Garota no Trem), 40. “Eu o descreveria como um drama policial que, ao mesmo tempo, tem criaturas fantásticas, só que nos dias atuais”, brinca Will, em recente visita a São Paulo, para lançar o longa e participar da Comic Con Experience (CCXP). “O filme fala sobre a maneira como julgamos o outro baseado em cultura, raça ou religião. Tem muito a ver com bullying”, completa Joel, ao lado do diretor David Ayer (Esquadrão Suicida). Will reflete: “Foi interessante representar um policial (Scott Ward) racista contra orcs e elevado na hierarquia social, a ponto de explorar essa superioridade”, diz o astro ao fazer um paralelo entre os
preconceitos da vida real. “Cresci como afro-descendente nos EUA. Tinha 17 anos, já ganhava dinheiro e andava em carros bonitos em Los Angeles, então sei o que é ser agredido pela polícia. Foi boa a experiência de estar do outro lado e ver o que se passa na cabeça de alguém que coloca sua vida em risco para proteger pessoas e, em alguns casos, te odeiam”, acrescenta. “É quase um racismo reverso.


Ele (Scott) é o cara negro que não quer andar com o orc (Jakoby) porque são inferiores”, diz
Noomi Rapace – a bela elfa e vilã. “É uma tendência global, estamos nos tornando mais
intolerantes porque temos cada vez mais medo”, pontua o outro elfo Édgar Rámirez, o
Kandomere. Veja o que mais os “superelfos” contaram à TOP nesta entrevista exclusiva,
realizada recentemente na Cidade do México.
Como foi a preparação para virar uma elfa?

Noomi Rapace: Fiz muito treino de luta com uma dublê. Faço artes marciais desde os 12 anos, mas tive que aprender a praticá-las de salto alto e me movimentar com roupas bem justas. Também treinei com armas e conversei muito com David (Ayer) sobre minha própria escuridão, crença e obsessão pela força, e como isso poderia se transformar em um vício. Então foi meio como se estivesse olhando para meus lados nada lisonjeiros e transformando-os em força.
As artes marciais e tudo que aprendem nos filmes de ação é o tipo de coisa que
levam para sempre ou esquecem com o tempo?

NR: Eu adoro. É uma excelente forma de colocar as coisas para fora. Só preciso tomar
cuidado porque, se praticar demais, fico com a aparência de uma boxeadora. (Risos.) É
algo que vou manter porque sempre serve para algum personagem. No kung fu, por
exemplo, se aprende muito sobre suas energias, a ter domínio sobre o corpo e como coisas
distintas o afetam. Atuar é um pouco assim também.

Édgar Ramírez: Para um ator, é muito importante estar em contato com o corpo, porque é
o seu instrumento. E temos essa tendência de vivermos demais dentro das nossas
cabeças. Para Punhos de Aço (ele deu vida ao lutador panamenho Roberto Duran), por
exemplo, passei quase um ano no Panamá aprendendo os golpes e foi ótimo porque agora
sei lutar boxe.

Existe um paralelo entre o mundo mágico de Bright e o nosso?

ER: Sem dúvida, é uma metáfora da tensão e do conflito entre…
NR: … Grupos e culturas.
ER: Está acontecendo no mundo todo. Estamos nos tornando mais intolerantes porque
temos cada vez mais medo. O filme é uma investigação interessante e assustadora dessa
tensão. Nos convida a resolver nossas diferenças e a encontrar uma riqueza nelas. Somos
elfos, e estamos em busca de nossa liberdade individual dentro da comunidade. E o
personagem de Joel Edgerton, um orc, busca sua individualidade dentro de uma identidade
comunal.
NR: Minha personagem celebra a beleza e a força, não se importa com a liberdade das
outras pessoas, e certamente não dá a mínima para os orcs. No passado, eles trabalhavam
para os elfos, e agora se voltaram contra nós. Então, sirvo o senhor das trevas e tento
reconstruir um mundo que seja belo para os elfos. Por isso, passei um bom tempo lendo
sobre os fanáticos, os religiosos, e sobre quando alguém fica cego por causa de um sonho.
Como Hitler, por exemplo. Você se afunda tanto na sua convicção que todas as outras
cores à sua volta desaparecem, só consegue ver uma coisa. Por outro lado, é possível ser
completamente apaixonado por algo e não ter um coração de gelo. Todos lutamos por
coisas diferentes.
ER: Sim, dentro da mesma comunidade. Ela é bem isso que descreveu e usa magia, que é
um elemento importante dentro da história. Diferente de outros filmes, nos quais a magia é
algo legal, aqui, é perigoso. Em Bright tenho as minhas ideias sobre o que ela significa e
você tem as suas. E traz o pior de cada ser à tona. Enquanto o personagem de Noomi quer
libertar o poder caótico, o meu quer contê-la.


NR: Ele tem medo de magia, eu não.
ER: Eu não tenho medo!
NR: Sim, tem medo da beleza. (Risos.)
ER: Não, é claro que não! Nós, os elfos, somos os mais privilegiados, e isso vem com a
responsabilidade. Então, sinto que também há um reflexo disso.

Vocês veem o filme se tornando uma saga?
NR: Acho possível. Me lembro de assistir Star Wars, ainda criança, e ver como um mundo
novo – você abre aquela porta e é como uma nova língua, novos rostos, mas que muito
rápido se torna familiar. O que David está criando é parecido: um mundo novo, mas que o
reconhece porque é muito real e aberto, além de ter suas raízes no centro de Los Angeles.

ER: Mas poderia ser em qualquer outra cidade…

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