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O mestre das borbulhas

ALÉM DE COMANDAR OS ELEGANTES HOTÉIS EMILIANO DE SP E DO RJ, GUSTAVO FILGUEIRAS É TAMBÉM UM DOS MAIORES CONNAISSEURS DE CHAMPANHES DO BRASIL

POR Kike Martins da Costa 3 MIN

22 nov

3 Min

O mestre das borbulhas

POR Kike Martins da Costa

	

Os hotéis Emiliano de São Paulo e do Rio de Janeiro são mundialmente conhecidos pela excelência de seu atendimento ultrapersonalizado, pela descrição de seu staff, pela requintada gastronomia, por sua brasilidade, por sua arquitetura de bom gosto e por seu luxo amigável e sem ostentação. Mas em São Paulo, existe um item que faz o hotel se diferenciar ainda mais de seus concorrentes: o Caviar & Champagne Bar, onde as preciosas ovas de esturjão podem ser acompanhadas pelos mais excepcionais vinhos borbulhantes produzidos nas cidades francesas de Reims, Épernay, Avize, Ambonnay, Tour sur Marne, Mareuil sur Aÿ, Urville, Buxeuil, Dizy, Mesnil sur Oger, Le Breuil e Aÿ – todas na região de Champagne.
Os rótulos que compõem a carta de bebidas do sofisticado bar foram selecionados pessoalmente por Gustavo Filgueiras, sócio-proprietário dos hotéis e responsável pelo comando das operações no dia a dia dos empreendimentos paulista e carioca. “De segunda a sexta, vivo na ponte-aérea. Às vezes fico mais tempo no Rio, mas normalmente é de São Paulo que cuidamos de tudo”, conta o empresário, que ainda se desdobra para dar atenção à esposa, Andréa, e aos filhos Enrico, de 8 anos e Alexia, de 6.

A paixão pelos champanhes começou entre os anos de 2005 e 2006, quando ele acompanhou de perto o trabalho do cantor, compositor e especialista em vinhos Ed Motta na elaboração da primeira carta de bebidas do Emiliano de São Paulo. “Achei muito boa a sacada do Ed em criar uma seção só de espumantes com uma grande variedade de opções. A carta incluía bebidas da Alemanha, da Itália, dos Estados Unidos, da Nova Zelândia e do Brasil, além de 27 rótulos da região de Champagne, na França. Com o tempo, no entanto, percebemos que os pedidos dos nossos hóspedes se concentravam apenas nos espumantes nacionais e nos franceses. Aí reformulei a carta, focando apenas em algumas borbulhas do país e numa diversidade maior de rótulos da França – ‘de entrada’, safrados e prestigie”, conta. “Mais recentemente, notamos que os champanhes safrados também não tinham grande procura, e fizemos uma nova revisão na carta, que atualmente oferece 12 espumantes nacionais e de países como Itália, Argentina e Espanha, além de 82 opções de champanhes, entre rótulos ‘básicos’ e prestige. Não existe nenhum outro bar no país que tenha essa mesma variedade de alternativas”. Não por acaso, o bar conquistou o Award of Excellence, concedido pela exigente revista “Wine Spectator”.
Por conta de seu conhecimento sobre a bebida, pela criação do Champagne Bar e pelo trabalho como divulgador e disseminador dos champanhes em um mercado tão importante como o brasileiro, Gustavo foi nomeado Chevalier de L’Ordre des Coteaux de Champagne, honraria concedida pelos franceses a pouquíssimas pessoas no mundo todo. Para celebrar esse epíteto, ele abriu uma garrafa de um dos seus champanhes prediletos: o Salon Cuvée S Brut 1997, um blanc des blancs elaborado exclusivamente com uvas da casta Chardonnay na cidade de Mesnil sur Orger. “É uma bebida delicada e muito peculiar, com sutis notas de maçã verde”, avalia.
Além de beber, Gustavo adora falar sobre champanhe e estudar o assunto. Em suas inúmeras viagens à França, sempre inclui uma passagem pelas cidades de Reims e Épernay para visitar uma de suas famosas caves e conhecer um novo produtor da região.

“Tradicionalmente, o champanhe sempre foi uma bebida consumida apenas por aristocratas e pessoas muito influentes. A Bollinger, por exemplo, fornecia praticamente toda sua produção para a família real britânica, a Cristal era feita sob encomenda dos czares da Rússia e a Paul Roger era fornecedora exclusiva da corte do imperador austro-húngaro. Aí, no início do século 19, veio a madame Barbe Nicole Ponsardin, viúva do produtor François Clicquot, e começou a produzir a bebida para pessoas comuns também poderem celebrar e se deliciar com esse espetacular vinho borbulhante, revelando uma visão mercadológica bem avançada para sua época. Essas e outras tantas histórias, a meu ver, são algo absolutamente fascinante. Não bastasse o prazer sensorial proporcionado pelo champanhe, tem ainda essa parte factual e histórica”, analisa.
Também fã de bons uísques – não recusa uma boa dose de single malt escocês, como um Macallan ou um Talisker – o empresário de 40 anos pedala semanalmente algo entre 180 e 200 quilômetros por semana nas ciclovias de São Paulo ou em estradas da região de Itu para manter-se elegante com seus 82 kg distribuídos por 1,73m em ternos Prada bem ajustados ao corpo. “Pelo menos uma vez por ano, vou com a família esquiar. Recentemente fomos a Portillo, no Chile, e estamos indo a Zermatt, na Suíça”, conta.
Trajetória
Formado em arquitetura, Gustavo começou sua vida profissional em 1999, acompanhando desde o início as obras de construção do hotel paulistano, em plena Oscar Freire, no coração dos Jardins. Seu pai, o empresário do setor de construção civil Carlos Alberto Filgueiras, foi o idealizador do hotel, batizado em homenagem ao pintor brasileiro que mais admirava, Emiliano Di Cavalcanti. Com a morte de Carlos Alberto em janeiro deste ano, num acidente aéreo que também vitimou o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki numa tarde chuvosa em Parati, Gustavo assumiu sozinho o controle das operações do hotel de São Paulo e da recém-inaugurada unidade carioca, aberta no Réveillon de 2016 para 2017. Seus irmãos, Carlos Alberto Filho, Carlos Emiliano e Carolina passaram a integrar um conselho administrativo para o qual Gustavo mensalmente presta contas e com quem delibera sobre decisões estratégicas. Para aperfeiçoar seus conhecimentos em administração hoteleira, Gustavo fez cursos de especialização em Altavilla Vicentina, na Itália, e nas conceituadas universidades de Stanford e Cornell, nos Estados Unidos. Já Carolina, formada em hotelaria, é também responsável pelos spas e a linha de cosméticos do grupo.
Os primorosos serviços e a atenção máxima a todos os detalhes que podem tornar a experiência dos hóspedes ainda mais agradável permanecem e seguem sendo incrementados. Gustavo sabe que manter o perfeito funcionamento dessa complexa máquina é algo cada vez mais importante, afinal São Paulo acaba de receber mais um hotel de luxo – o Palácio Tangará – e se prepara para ver mais outros três sendo inaugurados nos próximos anos – o Four Seasons, o Rosewood e o DOM, capitaneado por Alex Atala. “Acho muito bom ver a concorrência crescer e presenciar a chegada dessas bandeiras internacionais. Pelo histórico de outras cidades, notamos que, em geral, a vinda dessas grandes marcas traz novos clientes, amplia a divulgação do destino e aumenta o ‘bolo’ a ser dividido e o número de pessoas interessadas em vir para esses locais onde elas desembarcam. É como se trouxessem consigo uma espécie de validação que muitos turistas ainda precisam, como é o caso dos chineses, que só recentemente conseguiram uma inserção no mercado do luxo e apenas se sentem seguros com o ‘aval’ que essas grifes geram”, observa o empresário.
Outra grande empreitada que Gustavo terá pela frente em breve é a construção da terceira unidade do Emiliano, no litoral fluminense. Temporariamente paralisado por causa de uma mudança na legislação ambiental da região, o novo projeto prevê um charmoso hotel boutique encravado em um dos trechos mais bonitos da costa brasileira – a baía de Parati Mirim, próxima ao Saco do Mamanguá. “Serão apenas 30 suítes e mais 33 villas, como são conhecidas essas residências. Será um empreendimento que, além de oferecer aos hóspedes o acesso a uma paisagem maravilhosa e pouco conhecida, também elevará o padrão dos hotéis praianos de luxo do país, muitas oportunidades de trabalho e desenvolvimento para a população local”, avisa. Então está combinado: prepare-se para, em breve, tomar uma taça de champanhe da melhor qualidade nessa paradisíaca praia de Parati!

 

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