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O gênio e o louco – Resenha

A língua vivida pelo drama humano

POR Walter de Sousa, com exclusividade para a TOP Magazine 3 MIN

08 abr

3 Min

O gênio e o louco – Resenha

POR Walter de Sousa, com exclusividade para a TOP Magazine

	

Organizar o conhecimento a partir de coleções impressas têm a função de oferecer esse conhecimento às gerações futuras. Um dicionário, por exemplo, tem a ambição de organizar uma língua, o que é sempre algo vivo, mutável e quase impossível de ser apreendido. Em 1857 o professor e filólogo escocês James Murray assume a missão impossível de elaborar o mais completo léxico da língua inglesa, o dicionário Oxford. Para isso, percebe que precisa de colaboradores. Espalha uma carta convite pelos quatro cantos da Bretanha e recebe a contribuição inestimável do doutor William Chester Minor. Acontece que se trata de um assassino esquizofrênico, ex-militar americano que atuou na Guerra Civil. Assim, um escocês e um americano assumem a pesquisa da etimologia (origem dos termos), pronúncia e significados das palavras inglesas e que somariam vinte volumes até 1928, quando então foi lançado em sua versão completa, após as mortes de seus dois principais criadores.

O filme “O gênio e o louco”, dirigido por Farhad Safinia, é um projeto pessoal de Mel Gibson, que desempenha o professor Murray, após comprar os direitos do livro homônimo de Simon Winchester, lançado em 1998. Para o papel de Minor fez a feliz escolha por Sean Penn, magistral na interpretação do obcecado colaborador, que contribuiu com 10 mil definições para o dicionário.

A narrativa poderia se restringir aos embates acadêmicos de Oxford, o que seria verdadeiramente maçante. Mas a história pessoal de Minor se destaca e, ao mesmo tempo se entrelaça à elaboração do dicionário. Atormentado por alucinações de guerra, ele mata um inocente pai de família, deixando a viúva com seis filhos. A relação do assassino com a personagem de Natalie Dormer é a maior preciosidade do filme. A forma com que Minor constrói a sua redenção pelo erro cometido é algo que desafia as polaridades passionais dos tempos atuais. Nela, se esfarelam os lugares-comuns trocados nas redes sociais e na vida política, entre elas “bandido bom é bandido morto” ou “aqui se faz aqui se paga”. Um convite sério e eficiente para escapar à dualidade e repensar a humanidade. Para nossa sorte, isso se dá pela atuação de ótimos atores e de uma história que, felizmente, transcende a língua inglesa.

O gênio e o louco

Direção: Farhad Safinia

Elenco: Mel Gibson, Sean Penn, Natalie Dormer

 

 

Assista ao trailer:

 

 

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