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O Encanto da Joalheira

Ou o canto da sereia? Ou, ainda, o mistério dos planetas, a alquimia das pedras? Tudo pode virar uma joia nas mãos de Andrea Colli. Histórias a serem contadas, criações interpretadas e energias eternizadas! Como? TOP conta...

POR Simone Blanes 5 MIN

21 maio

5 Min

O Encanto da Joalheira

POR Simone Blanes

	

“Será magia, miragem, milagre… Será mistério.” Essas palavras de Lulu Santos poderiam bem delinear um pouco do universo de criação de Andrea Colli, designer que se destaca por um trabalho essencialmente artístico, inspirado por intuições que, transformadas em aquarelas, ganham vida por meio de pedras e metais nobres: obras de arte em forma de joias. Coincidência ou não, essa canção tem o nome de Sereia, o ser mitológico que a fez criar a coleção de estreia à frente da marca Andrea Colli Gem, que toca com a sócia Viviane Ferreira (antes, proprietárias da Studio Cocoon). “Acredito que as coisas acontecem porque têm que acontecer, e não por acaso”, sorri Andrea, ligada às pedras desde pequena. “Colecionava. Era encantada por elas.” Tanto que, ao terminar a faculdade de administração na França, onde vivia na época, não pensou duas vezes em se matricular em uma escola de gemologia. “Fui estudar a parte científica: os ângulos de refração, as composições químicas e físicas. Também suas propriedades e como são usadas para conduzir energias. Embora tenha o meu lado místico, é científico, o que eu gosto muito”, diz. Então coloquemos assim: a ciência e um certo fascínio pelo mistério são dois temas que interessam a designer e aguçam seu processo criativo, em especial se caminharem juntos. Caso da coleção da Sereia, citada acima e feita a partir de uma obra do artista plástico Walmor Corrêa. “Estive no ateliê dele e vi esse trabalho da Ondina, baseado na lenda mas que, ao mesmo tempo, brinca com a anatomia da sereia. Com cardiologistas e biólogos, ele construiu o corpo que seria dessa mulher para ela existir. Fiquei maravilhada, porque adoro essa coisa de misturar o imaginário com a realidade”, conta ela, que conseguiu, em joias, recriar as escamas, os batimentos cardíacos e até o coração da sereia — um dos hits de sua marca — com uma riqueza de detalhes impressionante, de ventrículos a veias.

“É um coração diferente do nosso, porque ela é mais pesada, tem mais força, além de ser mais sensível porque vive na água”, explica. Aí chegamos ao ponto principal das preciosidades de alta joalheria feitas por Colli: todas as suas criações contam uma história e dão margem a diversas interpretações. “As peças têm que se conectar à pessoa: pelas pedras ou porque sentem algo pela sereia. A joia vira uma experiência que ganha um valor sentimental muito maior do que o real”, filosofa. “A interpretação é mais livre… Pode ser que hoje veja uma coisa no coração da sereia e daqui a dez anos enxergue outra. Igual um livro, um quadro. Essa é a ideia.” Por isso podemos chamar de obras de arte. Começam a ser desenhadas no pensamento de Andrea a partir de uma imagem qualquer — como o olho do crocodilo imaginado em uma pérola ou o hexágono perfeito encontrado no polo norte do planeta Saturno — e viram extensões vibrantes do corpo, conectadas às emoções. Saem de aquarelas pintadas pela própria artista, descendente de espanhóis da Andaluzia, que consegue com maestria exteriorizar sua arte e dar formas inspiradoras a joias contemporâneas e exclusivas. “Sempre mudo uma coisinha ou outra em cada peça que monto. Aprendi fazendo, transformando a joalheria, as cravações, os tipos de acabamento. Para mim, é como uma alquimia”, sorri.  Geminiana, Andrea é extremamente criativa e, ao contrário da maioria das designers, não precisa ir longe para ter seus insights de criação. “Quando meu marido — Gustavo Filgueiras, a quem ela se derrete em elogios — fala em viajar, já digo: jura? Prefiro ficar em casa, preciso de momentos de introspecção. Não tem lugar melhor no mundo do que meu ateliê com um balde de tinta e uma música. Minhas grandes viagens são internas.” Os momentos de agitação, ela prefere deixar para os filhos, Enrico, de 9 anos, e Alexa, de 7. “É animado ser mãe (risos). Eles são uma delícia e eu sou muito carinhosa, beijoqueira, amorosa mesmo. Aprendi que a melhor mãe que eu posso ser é a que eu sou.” Com eles, ela topa até rolar no chão. “O Gustavo diz que parece que vou desmontar, que não combina comigo (risos). As pessoas têm essa imagem de que sou frágil, mas não é assim.” Pelo contrário. Embora seja dona de traços delicados, Andrea é uma mulher cheia de personalidade, algo bem nítido em seu trabalho. Também chama a atenção pela energia positiva: é daquelas pessoas que iluminam qualquer ambiente, inclusive seu espaço, em São Paulo, que, não à toa, tem o nome de Solar, qualidade evidente em sua dona, que não para de criar. Como ela diz: “O legal da arte é que ela é infinita”. E que bom que a criatividade de Andrea também é!

Fotos: Romulo Fialdini  

Rede social: @andreacolli_gem   

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