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31 jan

O Encantador de Cavalos

Conheça João Victor Oliva, um dos principais nomes do hipismo brasileiro

POR Marília Aguena 3 MIN

31 jan

3 Min

O Encantador de Cavalos

POR Marília Aguena

	

 

 

João Victor Marcari Oliva tem apenas 21 anos, mas um conhecimento sobre cavalos que parece vir de outras vidas. Calmo, tímido e com aquele sotaque de menino do interior – chegou a morar em Sorocaba, no interior de São Paulo –, ele tem a paciência que o hipismo traz para quem o pratica. Além de cavaleiro, o jovem também cria cavalos lusitanos e já viajou meio mundo para disputar competições. “Cresci com os animais. Fui aprendendo a conhecer com os tratadores do haras da minha família, e aos 8 anos comecei a competir.”

Sua atual profissão de atleta não tinha como ser diferente, já que João é filho da ex-jogadora de basquete Hortência Marcari e do empresário José Victor Oliva. “Meu pai criava cavalos e minha mãe era esportista, então tentei conciliar tudo e dar alegria para os dois”, sorri. Além da aparência física, ele garante ter a personalidade bem próxima à da Rainha do Basquete. “Sou muito parecido com a minha mãe, que é mais focada, concentrada.” Segundo ele, Hortência o ajuda na carreira, mas como ex-atleta, e não como mãe. “Ela me fala bastante sobre condição física e alimentação. Do meu esporte em si ela não diz nada porque não entende, e até gosta de não entender para não me atrapalhar. Quando ela competia, muita gente tentava ajudar e atrapalhava”, explica.

Seu pai é conhecido como “rei da noite”, responsável por grandes casas noturnas do passado e o camarote N1 do Carnaval carioca, o mais badalado da atualidade. “Ele é mais agitadão, liga toda hora e é meu patrocinador, por isso cobra bastante de mim, me motiva demais.” João é cavaleiro da mais clássica das modalidades do hipismo, o adestramento, internacionalmente conhecido como dressage e, apesar da pouca idade, já tem grandes conquistas no currículo, como o melhor resultado de um brasileiro em Olimpíada, nos Jogos do Rio 2016;  o bronze no Pan-Americano de Toronto 2015 e a final da Taça do Mundo nos Estados Unidos em 2017, evento mais importante na categoria. Além de ser terceiro sargento do Exército e representar o Brasil nesse esporte.

A carreira é promissora, e se depender de seu esforço vai longe. Já foi, inclusive, elogiado pela alemã hexacampeã olímpica Isabell Werth. Ela disse que João é o melhor brasileiro que já viu competindo e é um grande candidato a se tornar um top mundial. Por isso, largou tudo por aqui para se dedicar aos estudos e treinos na Alemanha, polo dos esportes com cavalo, onde vive há quatro anos. Questionado sobre a adaptação, ele responde com a calma de sempre. “Me adaptei bem, não tenho muito problema com isso, mas ainda prefiro o clima, a comida e as amizades do Brasil. Não falo bem alemão, mas me viro.” Segundo João, o hipismo já esteve em alta por aqui, mas sofreu uma queda nos últimos tempos. Para complicar, dificilmente é televisionado e, principalmente, patrocinado.

Sem contar os altos custos para manter um animal em uma hípica. O jovem também é especialista em linhagens do cavalo puro sangue lusitano e é responsável pela criação e reprodução do haras da família, a Coudelaria Ilha Verde, em Araçoiaba da Serra (SP). “Fui para a Europa ver como funcionavam os grandes criadores. Mas de resto, só olhando e aprendendo. E tentando também.” Cada cavalo da raça que cria custa a partir de R$ 80 mil. Já um animal que pode ir para os Jogos Olímpicos, por exemplo, vale uma média de 250 mil euros. Se chegar às Olimpíadas, vai para a casa de milhões.

Quando não está competindo, João gosta de fazer churrasco com os amigos e ouvir música sertaneja. Os planos para os próximos anos são todos focados na carreira: ser um bom cavaleiro, saber treinar os cavalos – característica que, segundo ele, é fundamental no esporte – e um dia voltar para o Brasil, mas para morar em Sorocaba. Ah, para as interessadas, que não são poucas: João está solteiro.

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