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22 nov

NOVO MUNDO

Mas afinal de contas, o que são as startups? Conheça as empresas que vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado com soluções simples e inovadoras

POR Marcos Diego Nogueira 3 MIN

22 nov

3 Min

NOVO MUNDO

POR Marcos Diego Nogueira

	

Os tempos de incertezas econômicas e políticas no país estão fazendo o Brasil criar um legado importante em termos de inovação. No melhor estilo “se a vida lhe der limões, faça uma limonada”, inúmeros empreendedores buscam cada vez mais soluções cotidianas e se arriscam nelas como seu grande negócio, abrindo empresas que aliam muito trabalho, um modelo de negócios que não exija um aporte financeiro muito alto e, principalmente, criatividade. Essas são as chamadas “startups”. Um termo criado há muito tempo nos Estados Unidos, mas que apenas no final dos anos 1990 começou a ser usado por aqui, e que explica no significado a sua essência: uma empresa que, com um grupo de pessoas, aposta em uma ideia diferente para fazer dinheiro. Já a Associação Brasileira das Startups (ABStartups), com 4,2 mil afiliadas, define as startups atuais como empresas que “dão sempre um passo a mais na curva de aprendizado e mostram caminhos para problemas novos e antigos”.
Conheça algumas dessas startups que já nasceram frutos da crise, mas que vêm cada vez mais crescendo e florescendo a seara dos bons negócios e das boas ideias.
Easy Carros

Foi ao dar carona a um amigo que Fernando Saddi descobriu a oportunidade que hoje ele chama de negócio. “Quando você vai cuidar do seu carro?”, perguntou o passageiro. Nessa hora, Saddi teve a ideia do que se tornaria uma espécie de Uber para serviço do seu automóvel. “Percebi que as pessoas normalmente tinham duas opções: ou seriam atendidos em concessionárias para garantir o mínimo de qualidade, só que com preços muito altos; ou iam a pequenas oficinas independentes e lava-rápidos, onde o valor era mais acessível, mas não tinham a menor ideia da qualidade do serviço”. Assim teve início a Easy Carros: fazendo lavagem ecológica, sempre no local onde o carro estava e deixando-o pronto para sair.

“Com isso, a gente começou a aprender sobre nossos clientes, sobre os veículos, quais eram as necessidades e o que poderíamos recomendar a eles”. Atualmente, a empresa atende um público de classe alta, com atividades em preços tabelados que vão desde lavagem, polimento e hidratação de couro até a troca de óleo e de bateria, reparo de vidros, entre vários outros trabalhos que deixam o carro sempre pronto para usar.
Lançada em São Paulo, em 2015, a empresa opera atualmente em 16 estados e 75 cidades pelo país. Está presente em lugares em que representam em torno de 70% da frota brasileira e com um crescimento em torno de 30% ao mês em termos de números de pedidos. “Existem vários desafios em começar um negócio, principalmente no Brasil”, diz Fernando, que dá uma dica importante do que aprendeu em sua trajetória até aqui. “Uma das coisas que a gente tem feito e acredita ser imprescindível para a empresa é juntar as melhores pessoas. A longo prazo, não tenha dúvida, são elas que fazem a diferença”.

Recruta Simples


Foi no serviço de reestruturador de empresas que Vinicius Poit percebeu a dificuldade que as firmas menores têm em recrutar profissionais especializados pelo país. “Os sites existentes hoje são para companhias maiores, e portanto, um pouco mais burocráticos”, conta. Em janeiro de 2016, ele teve a ideia de montar a Recruta Simples, que se tornou realidade há justamente um ano. Essa plataforma online preza pela simplicidade e rapidez. “O grande diferencial é que o micro e o pequeno empresário que não tem RH nem estrutura de recrutamento, posta a vaga no Recruta e a gente reposta para mais de 70 sites de emprego”, explica Poit. “A hora que eu dou visibilidade e espalho essa vaga, atinjo o maior número de pessoas, e o retorno é mais rápido já que todos os candidatos retornam para um mesmo local. Isso faz com que ele economize tempo, recrute com mais rapidez e deixe esse trabalho duro para a gente”, diz.
O otimismo em relação ao mercado é uma marca da startup de Vinicius e seus sócios. “2018 vai ser o ano para o Brasil, tanto de mercado e de empresas quanto de renovação política”, acredita ele, que se empolga com a possibilidade de auxiliar a diminuir o índice de desemprego no país através da sua ferramenta. “O importante é você ter uma startup que visa melhorar. Se ela não tiver impacto social, não tem futuro”, atesta.
BeeTech


A trajetória de doze anos de trabalho no mercado financeiro fez Fernando Pavani se ver prestando serviços que, na realidade, não necessitam da infraestrutura de um banco para serem feitos. “Eu precisava da licença do banco, mas conseguia atender os clientes de maneira independente”. Assim, o atual CEO da BeeTech, abriu uma página na internet e começou a entender o poder do produto e do conhecimento que tinha em mãos.
Em 2014, com a explosão da Operação Lava Jato, um sócio lhe sugeriu a beecambio.com.br na web com um lema simples: transparência nas suas operações e cotação em tempo real. Entendendo a jornada do usuário, foram evoluindo e se tornaram hoje a BeeTech, primeira empresa brasileira focada em soluções financeiras através de dois produtos: a BeeCâmbio – em que é possível comprar moeda estrangeira pelo site e receber via delivery – e a Remessa Online, plataforma independente para transferências internacionais online autorizada pelo Banco Central do Brasil.
“Nascemos de uma ideia de executivos do mercado que estavam insatisfeitos, sabiam que existiam problemas, e disso aproveitamos uma oportunidade”, conta Pavani. “Não é um mercado simples, mas como tivemos sempre uma atitude muito correta, a gente nasceu em uma época em que todas as instituições estão com medo de fazer operações desse tipo. Mas nós temos um processo totalmente transparente e com preços muito inferiores aos das instituições financeiras”. Com um crescimento de 20% ao mês, o empresário brinca que a BeeTech não faz milagres, apesar dos valores bem mais atraentes do que dos bancos. “Só começamos de uma maneira diferente e isso nos dá uma vantagem boa daqui para a frente”, diz ele, que defende a ideia de que o maior desafio para o empreendedor está nele mesmo. “Entenda o seu mercado e quem é você dentro dele”, finaliza.

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