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Noite mágica

Diretor faz tributo ao último suspiro da era de ouro do cinema italiano

POR Walter de Sousa 3 MIN

02 ago

3 Min

Noite mágica

POR Walter de Sousa

	

A década de 1990 foi emblemática para a Cinecittá, complexo cinematográfico italiano, que deixou de ser uma lucrativa máquina estatal para se tornar um consórcio de estúdio privados. Por mais de cinquenta anos foi o grande polo de cinema do país, revelando os diretores Roberto Rosselinni, Victorio de Sica, Luchino Visconti e Federico Fellini, além dos atores Totò, Marcelo Mastroianni e Sophia Loren. Noite mágica, dirigido por Paolo Virzi, se passa pouco antes dessa mudança institucional, tempo em que o matraquear das máquinas de escrever dos roteiristas era a trilha sonora dos estúdios, as festas glamourosas definiam as produções e as jovens gerações ainda sonhavam com o glamour de fazer uma carreira cinematográfica.

A história, no entanto, prenuncia a fim da era de ouro: no momento em que o goleiro argentino Goycochea defende o pênalti do italiano Serena, eliminando a seleção italiana da final da Copa de 1990 em sua própria casa, um carro despenca de uma ponte, em Roma, sobre o rio Tibre, que traga um famoso produtor da Cinecittà.

As investigações sobre o acidente levam a três jovens aspirantes a roteiristas, finalistas de um importante concurso criado para descobrir novos talentos: o metódico e ambicioso Antonio (Mauro Lamantia), o fleumático Luciano (Giovanni Toscano) e a insegura Eugenia (Irene Vetere). O trio se vê logo tragado pela fábrica pouco ortodoxa das produções, se embrenhando na trama de disputas internas, produtores em franca decadência, autores e diretores rancorosos por terem sido preteridos no passado, advogados que definem os parâmetros de contratação de profissionais e festas barulhentas. O ritmo da produção é o mesmo daqueles anos que marcaram, também, a perda de suas grandes estrelas. O ator e diretor Ugo Tognazzi morreu em 1990, Fellini em 1993, Marcelo Mastrioani em 1996. A relação com a eliminação da seleção Azurra da Copa é direta: se refere à perda do sonho de identidade italiano num período de irrefreável globalização.

Por sua vez, o diretor Paolo Virzi é fruto da geração pós-1990, ano em que estreou como roteirista, assim como o trio principal de seus personagens. Sua carreira inclui produções de sucesso, entre elas A primeira coisa bela (2010), Capital humano (2014) e Loucas de alegria (2016). A musa Ornella Muti faz uma curta participação emblemática, encarnando, literalmente, o sonho erótico das gerações dos 1980/1990.

Vem conferir o trailer:

 

Noite mágica

Direção: Paolo Virzi

Elenco:  Elenco: Mauro Lamantia, Giovanni Toscano, Irene Vetere, Roberto Herlitzka, Marina Rocco

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