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No limite da emoção

Jason Bateman, astro da série Ozark, conversou com a TOP e contou tudo sobre a sua nova preferida

POR Melissa Lenz 2 MIN

31 ago

2 Min

No limite da emoção

POR Melissa Lenz

	

Jason Bateman estrela Ozark, série viciante da Netflix que combina drama, suspense e ação para abordar uma das maiores condições da vida moderna: a obsessão pelo dinheiro. O astro revela detalhes sobre a produção, em entrevista exclusiva a TOP.

Logo no primeiro episódio de Ozark, a vida de uma família norte-americana “quase” normal sai do estado letárgico para o de plena consciência – e de perigo constante – ao deixar o subúrbio de Chicago para viver no meio do mato, na remota região dos Lagos Ozark, no Missouri. Tudo porque o pai, Marty Byrde, um consultor financeiro que lava dinheiro para o segundo maior cartel de drogas do México, precisa pagar a dívida de seu parceiro de negócios, assassinado brutalmente em sua frente após ser pego roubando milhões do traficante. Se não pagar, sua esposa Wendy e os dois filhos terão o mesmo destino. Usando a inteligência como sua única arma, ele se mantém num duelo entre a vida e a morte, enquanto os personagens vão descobrindo coisas terríveis sobre si mesmos.
A viciante trama criada por Bill Dubuque (O Contador) e Mark Williams (Um Homem de Família) estreou no final de julho na Netflix, com Jason Bateman (vencedor do Globo de Ouro pela série de comédia Arrested Development) no papel principal e Laura Linney (vencedora do Emmy por The Big C e três vezes indicada ao Oscar) como coadjuvante. Bateman, até então sempre associado a filmes de comédia, como Quem Matou Meu Chefe (2011), não somente protagoniza o drama tenso, como fez questão de assumir toda a produção executiva e dirigir quantos capítulos pudesse: “Quando o convite chegou a mim por meio do meu agente, eu disse que gostaria de me envolver mais do que somente na atuação, mas fazer parte do projeto inteiro, tratá-lo como um filme grande”, diz em entrevista a TOP. E conseguiu. Mas sobre a direção de todos os episódios, ele sabia que seria quase impossível, pois atuaria na maior parte deles. “Não pudemos arranjar tempo suficiente para que eu fizesse a pré-produção, portanto só consegui dirigir quatro dos dez episódios [os dois primeiros e os dois últimos]”, conta. Confira a entrevista.


O que mais lhe atraiu e fez você querer se envolver tanto com Ozark?
Sou meio workaholic. Eu quis ficar nessa posição de supervisão por causa da escuridão, do risco, do perigo dela. Todas essas coisas são muito excitantes para mim sob uma perspectiva visual e musical; e algumas das coisas que eu queria fazer como diretor, que estou animado para aprender. Isso foi o que me atraiu, gostei da sensação inteira.

Por que a escolha de Laura Linney, e como foi atuar com ela?
A Laura foi minha primeira escolha porque eu já a conhecia um pouco. Temos o mesmo agente e sempre fui um grande fã dela. Sem contar suas habilidades e o respeito e pedigree que ela traz aos seus trabalhos. Eu estava certo de que realmente a queríamos. Um dia tomamos um café da manhã em Nova York, contei sobre esse projeto e Laura ficou muito interessada em participar. Tivemos que remanejar um pouco os horários porque ela é mãe e não queria passar muito tempo longe do seu filho – nós filmamos em Atlanta e ela mora em Nova York. Estabelecemos tudo isso e a atuação dela foi tão fácil porque Laura tem um estilo muito leve, que você nunca percebe quando está realmente atuando. Ela é tão natural que o primeiro take é superusável.

Na série, seu personagem lava dinheiro para um cartel de drogas do México. Qual sua opinião sobre a descriminalização de algumas drogas?
(Pausa) Não tenho ideia sobre essas coisas, não sou inteligente o suficiente para pensar nesse tipo de coisa…

Ozark

Teve alguma cena ou episódio que tenha sido bem mais difícil de realizar?
O mais desafiador foi a quantidade de trabalho e de supervisão, sabe? Se estivesse apenas atuando, eu iria para o camarim e ficaria esperando chegar minha vez de gravar, depois faria minha cena e voltaria para o backstage e, de novo, esperaria para filmar a próxima… Mas como eu estava sempre dirigindo ou cuidando da produção executiva o tempo inteiro, tinha que ficar de olho no processo todo, então não existia nenhum momento em que eu ficasse sem trabalhar; era assim do início até o final do dia, todos os dias. E isso é algo com que a maioria da equipe tem que lidar, mas, como um ator, isso é uma mudança de engrenagem. Então não foi difícil, foi confortável, mas certamente foi um passo à frente em termos de responsabilidade.

Sabemos que o nome da série vem do lugar onde as cenas se baseiam (Lago de Ozarks). Foi realmente toda filmada ao redor do lago? Em quanto tempo gravaram todos os episódios?
Fizemos em mais ou menos sete meses. O lado de Ozarks é em Missouri, mas filmamos a maioria do seriado em dois lagos diferentes no norte de Atlanta, Georgia. Apesar de que a gente filmou um pouco no lago de Ozarks, mas, depois do primeiro episódio, foi tudo rodado em Atlanta mesmo.

Vocês já planejam filmar uma segunda temporada?
Bom, estamos prontos para produzir, mas temos que aguardar a Netflix pedir isso. Tenho certeza de que eles vão querer esperar as reações e críticas do público sobre a primeira temporada antes de tomar uma decisão.

Quais são os cineastas que têm feito coisas bacanas na sua opinião, ultimamente?
Sempre fui muito fã de Paul Thomas Anderson, estou ansioso para ver seu próximo filme [Phantom Thread, em pós-produção], com Daniel Day-Lewis. O Christopher Nolan também é um cineasta fantástico; é incrível ver como ele produz longas que levantam críticas, mas que ao mesmo tempo arrecadam bastante dinheiro com uma audiência comercial. Isso é algo muito difícil de fazer e que espero aprender qualquer dia. Creio que hoje vários trabalhos de qualidade na indústria de entretenimento não têm tanta pressão quanto nos big tent-pole films [maiores filmes de Hollywood voltados apenas à bilheteria]. Mas acredito que o gosto do público, no geral, está começando a ficar mais sofisticado, e os diretores têm feito um ótimo trabalho para desenvolver isso.

Você conhece algum filme, diretor ou ator brasileiro?
Fico envergonhado de dizer que provavelmente seja fã de muitos deles, mas não sei direito de que país eles são. Isso pode ser dito para vários atores e diretores daqui também, você nunca sabe ao certo de onde as pessoas são. Mas se você me disser o nome de alguns, tenho certeza de que posso dizer que sim.

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